Home TVTemporadas Crítica | Sons of Anarchy – 3ª Temporada

Crítica | Sons of Anarchy – 3ª Temporada

por Melissa Andrade
3548 views (a partir de agosto de 2020)

Não dá para ser sempre perfeito, apesar de que o seriado Breaking Bad quase chegou lá (ou realmente conseguiu). Infelizmente, essa terceira temporada de Sons of Anarchy foi preguiçosa e acabou perdendo pontos.

No final da temporada passada, enquanto os rapazes davam conta de Zobelle e seus capangas, Gemma estava determinada a dar um fim na história do seu estupro. Porém, sua vingança sai pela culatra quando ela é pega pela agente Stahl e envolvida numa chantagem. Sem ter alternativa, Gemma pede ajuda a Unser e foge da cidade. Mais uma vez, Stahl acaba prejudicando um membro inocente dos Samcro ao fazer falsas acusações. Por causa disso, Cameron o irlandês com quem negociavam as armas, acredita que Gemma é culpada pela morte de seu filho e sequestra o filho de Jax. Samcro chega perto o suficiente, mas o traficante consegue fugir com a criança, deixando Jax desolado.

Nessa temporada, começando exatamente do ponto onde a outra parou, vemos que Jax não está lidando bem com a situação e acaba descontando sua frustração em não saber onde Abel está em seu relacionamento com Tara. A médica por sua vez, está sofrendo bastante com o ocorrido e se sentindo culpada, o que piora ainda mais quando Jax decide terminar com tudo.

Com isso, o clube inteiro fica emocionalmente abalado e sofre um ataque direto, piorando e muito a reputação do Sons of Anarchy em Charming. Sem qualquer pista sobre o paradeiro de Abel, o clube precisa primeiro lidar com os problemas locais antes de tomar qualquer atitude em relação ao sequestro. Contudo, Jax não está em seu melhor juízo e toma decisões que podem acabar prejudicando seu clube, como se aliar a Stahl, que cada vez mais pressiona o rapaz para concluir o acordo. Sua mãe está bastante desconfiada e mesmo que o acordo a beneficie fará de tudo para que ele nunca aconteça.

Enquanto isso, Jax descobre que Cameron levou seu filho para Belfast, lar de outra parte do Sons of Anarchy, uma aliança criada por seu pai e que mantém os negócios de armas do clube até hoje. No entanto, as informações cruzadas farão com que o VP questione a lealdade de alguns membros e decida tirar ele mesmo a prova viajando até a Irlanda. Mais perto de Abel, Jax descobrirá alguns segredos enterrados do passado e precisará tomar sérias decisões para o bem da sua família e do clube.

Kurt Sutter foi um tanto preguiçoso nessa temporada, conduzindo-a de forma linear durante doze episódios para no último criar um pico de tensão e encerrar com eventos surpresas que fizessem com que o espectador esquecesse toda angústia que passou. Não funciona. Essa escolha mostrou apenas que ele preferiu focar em pequenas tramas, a concentrar em uma só, como fez anteriormente. A tentativa, ainda que válida, não teve o êxito esperado.

Dessa forma, personagens vistos como secundários, puderam ter mais destaque. Por exemplo, a relação entre Tara e Murphy, a Supervisora do Hospital cresceu exponencialmente, Lyla e Opie estreitaram o namoro, conhecemos o pai de Gemma e aprendemos mais sobre seu passado, o pacto de paz com os Mayans, todos são pontos interessantes, mas que no final, acrescentaram pouco à trama como um todo. No episódio 3, ainda dentro do arco do passado da Gemma, teve a participação especial de ninguém menos que Stephen King. O autor, com toda a esquisitice que lhe é peculiar, interpreta alguém contratado para limpar cenas de crime. Tem poucas falas e ponta ligeira. Entretanto, é a participação da atriz Ally Walker como a agente Stahl que dita o ritmo dessa temporada. Com sua personagem irritante e cegamente determinada, se torna a principal responsável por criar e comandar os obstáculos que Jax terá que enfrentar, deixando o espectador ainda mais angustiado, afinal, depois de tudo o que ela aprontou como podem confiar em qualquer coisa que ela diz?

A grande questão nessa temporada é reafirmar a irmandade existente entre os membros do Samcro apesar de tudo. Mesmo com todas as diferenças e ideais divergentes, eles se veem como uma grande família e que devem proteger os seus. O que não é em vão e serve como trunfo mais a frente quando for necessário testar a lealdade de alguns membros.

Espero que a quarta temporada seja bastante diferente e se iguale ao nível da segunda temporada, a melhor até agora na minha sincera opinião.

PS: Foi completamente desnecessário a morte de dois personagens principais nessa temporada. Ambos tinham muito ainda o que fazer pela trama.

Sons of Anarchy – 3ª Temporada (EUA – 2010)
Showrunner: Kurt Sutter
Roteiro: Kurt Sutter
Direção: Diversos
Elenco: Charlie Hunnam, Ron Pearlman, Katey Sagal, Mark Boone Junior, Kim Coates, Tommy Flanagan, Ryan Hurst, William Lucking, Theo Rossi, Maggie Siff, Ally Walker, McNally Sagal, Dayton Callie, Paula Malcomson, Michael Ornstein, Andy McPhee, Jose Pablo Cantillo, Zoe Boyle, Michael Beach, Kevin P. Kearns, Pamela Gray, Jamie McShane, Kenny Johnson, Titus Welliver, Winter Ave Zoli, Robin Weigert, David Labrava
Duração: 45 min.

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11 comentários

Diego/SM 6 de outubro de 2020 - 22:18

Estou “reassistindo” SOA, após ela ter deixado a Netflix uns anos atrás, agora no Amazon Prime… não lembro bem se tinha ido até a quarta ou quinta temporada, mas agora estou revendo a terceira, e lembro da impressão, a mesma de agora, e que humildemente a compartilho: achei legal o lance de levar a galera até a Irlanda do Norte, fazer essa conexão com o passado do grupo (e mais especificamente do John Teller), e tal, mas, mais especificamente no episódio 11 tem uns lances meio confusos que destoaram muito (me pareceu mesmo que a direção tinha momentaneamente perdido a mão – e, como dito aí na crítica, espero que recupere depois)…

Pra começar, a certa altura, o Jax, deitado no chão, na mira da arma de um capanga fodão do IRA, consegue puxar uma faca, acertar o cara, e, num pulo, desarmar ele… putz, aí quem pulou fui eu, tipo “wtf?”… um lance forçado pra c* (muito inverossímil mesmo)… hehe

Mas, cara, pior, em seguida, foi a sequência (atenção, pra quem não viu: alerta de spoiler!) em que ele encontra o filho – num primeiro momento, o diretor consegue uma das sequências mais bonitas entre todas as séries, ao meu ver (quando ele finalmente acha o casal com o filho dele, obviamente determinado a reavê-lo, e, de repente, resolve ir caminhando atrás deles, só observando eles, por um longo tempo, eles, um “casal normal”, aparentemente boas pessoas, tratando com carinho o bebê, e ele repentinamente parece “reinterpretar” toda a situação, provavelmente até lembrando do que o padre lhe havia dito, sobre a promessa do padre para o pai dele, de tirá-lo daquela vida errante e tal… e finalmente decide não abordá-los, deixando eles se irem e, supostamente, pensando no melhor pro filho, abrindo mão dele – caramba, emocionante pra cacete! hehe)…
mas aí, em seguida, no MESMO episódio, dá uma reviravolta e encontram o casal morto e o bebê sumido, raptado pelo cara do IRA… puuutzzz, um anticlimax tremendo, destruindo toda aquela construção anterior – ainda, ainda, se quisessem fazê-lo, que segurassem então pro episódio seguinte, pelo menos… fiquei com a sensação quase de bipolaridade do diretor – algo como aquele lance do JJ Abrams “contrariando” o Ryan Johnson no episódio seguinte de Star Wars, mas, no caso, como se tivesse sido feito dentro do mesmo episódio!… hehehe)

Me pareceu que nesse episódio o cara quis fazer mil coisas ao mesmo tempo (ao final, quando o cara começa a respirar, ainda ligam pro Jax pra contar que a Tara tá numa encrenca, sequestrada lá pelo mexicano… ô vida, rapaiz!)

Enfim… na real, curto pra caramba essa série, já cheguei a colocar ela entre as minhas top (até só abaixo do triunvirato Roma/Homeland/Breaking Bad), mas, reanalisando com frieza, ela é muito boa sim, mas tem uns lances de muita “inverossimilhança” que deixam a desejar e que, se não houvesse, talvez elevassem ainda mais o padrão dela (tipo os tiroteios entre gangues/clubes, 500 tiros disparados no meio de uma cidadezinha, metralhadora pra lá e pra cá – e “nada acontece”; isto é, não repercute, autoridades nem aí… hehe fica meio estranho)

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jarlisson Pimentel Viana 9 de maio de 2018 - 15:28

o vc falou de tramas a parte como o pacto com os mayans, realmente quem nao assistiu a 4 temporada nao fazia sentido assim como outras coisas q vc mencionou, mas foram muito importantes na 4 e 5 temporadas, como o relacionamento da tara com a chefe q foi ter consequencia la na sexta temporada… achei otima essa temporada… eh um dos finais mas inesperados da Tv… que final foi esse de tirar o folego

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NaoFaloComBandeirantes 21 de setembro de 2017 - 00:23

Essa série é foda! Muito top!

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planocritico 21 de setembro de 2017 - 15:22

Muito boa mesmo. Só acho que ela tem mais temporadas do que deveria…

Abs,
Ritter.

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Kevin Kempner 18 de janeiro de 2015 - 01:31

Quais os dois personagens principais que tinham muito a acrescentar a trama?

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Melissa Andrade 18 de janeiro de 2015 - 15:55

@kevinkempner:disqus você assistiu a temporada ou quer spoiler mesmo?

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Kevin Kempner 19 de janeiro de 2015 - 00:32

Assisti sim, você está se referindo à Stahl e Jimmy, certo? Queria saber como você acha que eles poderiam ter sido melhor aproveitados na série, visto que a morte deles foi a grande sacada (leia “salvação”) da terceira temporada.

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Melissa Andrade 22 de janeiro de 2015 - 19:32

Não. Um foi o Sheriff Hale, que achei que não deveria morrer o outro não sinceramente não lembro.

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Alexandre 31 de julho de 2016 - 20:12

O Hale foi morto porque o ator queria focar em outros projetos e pediu pra ser eliminado. Logo, não foi culpa do Sutter.

Alexandre 31 de julho de 2016 - 20:12

O Hale foi morto porque o ator queria focar em outros projetos e pediu pra ser eliminado. Logo, não foi culpa do Sutter.

Kevin Kempner 19 de janeiro de 2015 - 00:34

Aliás, parabéns pelas críticas. Quando eu acabar de assistir a 4ª temporada leio a próxima heheh

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