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Crítica | Superman: Terra Um – Vol. 1

por Ritter Fan
315 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 2,5

Não acredito em coincidências. Especialmente quando elas vêm da área do entretenimento massificado das grandes empresas do ramo. Tendo lido Batman: Terra Um antes de Superman: Terra Um, apesar do lançamento do último ter precedido o primeiro, esperava algo do mesmo nível de qualidade, reapresentando e refazendo a origem do mais icônico super-herói  já criado.

Mas o resultado é, quase quadro a quadro, o roteiro de Homem de Aço, reboot da franquia do Superman nos cinemas, sob a batuta de Zack Snyder. Então, a equação é razoavelmente simples: se você gostou da história do filme, gostará também de Superman: Terra Um. Se ao contrário, você não gostou ou, como eu, achou apenas ok, passável, então Superman: Terra Um sofre dos mesmo problemas e com um agravante: tem um vilão que não diz nada a ninguém.

Sobre a coincidência, a linha de graphic novels Terra Um, uma ótima e auto-contida ideia de reapresentar os heróis DC fora da continuidade normal, começou a gestar exatamente na época em que as discussões sobre um reboot de Superman no cinema começaram a se intensificar. Não posso crer que, de uma forma ou de outra, o trabalho de Straczynski na GN não tenha influenciado o filme ou, talvez até mais provavelmente, o contrário.

Afinal, está tudo lá: um Clark Kent que não sabe quem é e não sabe que papel tem no mundo, um vilão ligado à destruição de Krypton, um ataque à Terra que coincide com o “despertar” do Superman, lutas destruidoras em plena Metrópolis e um final – a tranformação de Clark no Clark Kent que conhecemos – exatamente igual. E tudo isso com um pano de fundo mais sombrio e violento. É como ver o filme se desenrolar em quadrinhos, com modificações aqui e ali que não afetam verdadeiramente a estrutura do roteiro cinematogrráfico.

Com um exceção, claro. O vilão.

Enquanto em Homem de Aço o vilão é o General Zod que, dentro da mitologia de décadas do herói, tem muito mais ressonância dramática, em Terra Um o vilão é um extraterrestre de aparência genérica chamado Tyrell (além de tudo, uma péssima escolha de nome…) que, apesar de também ter ligações com o passado kryptoniano de Kal-El, é extremamente forçado e bobo. Sim, há um mistério por trás da intenções de Tyrell que não é revelado na GN, mas, mesmo assim, ele não funciona. Straczynski poderia ter se esforçado mais para criar alguém com profundidade ou que prendesse o interesse ou mesmo pinçado alguém da gigantesca galeria vilanesca de Superman, ao longo de sua septuagenária história nos quadrinhos.

Mas não. Talvez querendo dar uma de “inteligente”, partiu para o caminho mais complexo da criação nova, sem se preocupar em trabalhar algo mais eficiente, menos padrão. Além disso, transformou Clark Kent em um jovem chato e cabisbaixo, muito mais recluso e perdido do que o jovem Kent de Homem de Aço. Essa mania de forçar super-heróis a tomar caminhos que literalmente traem seu espírito demonstra uma completa falta de imaginação e uma pasteurização de mercado absolutamente patética. Não é porque Frank Miller teve sucesso nessa empreitada na década de 80 (e foi com Batman, herói muito mais passível dessa guinada sombria) que tudo precisa enveredar para esse enfoque. Mas, mesmo aceitando esse aspecto, o que Straczynski faz com Superman é quase amador tamanha a simplicidade.

Superman_Earth-1_010 final

Olha só a pinta do vilão…

No quesito arte, Superman: Terra Um é um pouco melhor. Mas só um pouco. Os desenhos de Shane Davis são vistosos e transmitem muito bem a dicotomia entre a humanidade e os super-poderes do herói, mas o trabalho dele na estrutura de quadros e nos detalhes dos rostos deixam a desejar. Considerando o quanto o projeto Terra Um é importante para a DC, como forma de atrair novos leitores, um trabalho um pouco mais ousado teria sido bem vindo.

Apesar de longe da qualidade de Batman: Terra Um, a nova versão de Superman ainda diverte, mas, se a DC quiser fazer jus ao seu maior herói e a todo seu legado, terá que trabalhar melhor o personagem, trazendo algo verdadeiramente novo e que não pareça só uma versão depressiva do colorido herói.

Superman: Terra Um – Vol. 1 (Superman: Earth One – Vol. 1, EUA)
Roteiro: J. Michael Straczynski
Arte: Shane Davis
Editora nos EUA: DC Comics
Editora no Brasil: Panini
Lançamento: outubro de 2010 (nos EUA) e dezembro de 2012 (no Brasil)
Páginas: 136

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17 comentários

JJL_ aranha superior 27 de julho de 2017 - 13:51

Não sei qual o problema com o superman cabisbaixo, ele já foi assim em uma das melhores histórias que eu já li do personagem.

Responder
planocritico 29 de julho de 2017 - 21:43

Se a história fosse boa, não teria problema nenhum. O problema é que essa história é fraca…

Abs,
Ritter.

Responder
JJL_ aranha superior 29 de julho de 2017 - 23:20

Não consegui ver onde essa história foi fraca.

Responder
planocritico 30 de julho de 2017 - 21:01

Bem, eu tentei explicar minhas razões para achar isso na crítica.

Abs,
Ritter.

Responder
JJL_ aranha superior 30 de julho de 2017 - 22:52

É mas não achei compatíveis e não tenho o link para ler de novo.

Gabriel 25 de maio de 2016 - 14:49

Não me levem a mal, por mais que eu ame o superman de grande astros, o do John Byrne e tudo mais, eu realmente curti um pouco mais essa repaginação do herói. Eu achei esse e principalmente o vol. 2 bem legais. Eu geralmente sou xingado quando digo que me entretenho mais com Terra Um, do que com as histórias do Moore pro herói. Hoje em dia parece que tem que ser: “ODEIE TUDO QUE É NOVO” “OS ANTIGOS SÃO SEMPRE OS MELHORES”. Não entendo o porquê disso. Até mesmo a critica “especializada” reprime e diz que é meia boca quase tudo atualmente. As vezes perdemos boas histórias por conta disso.

Responder
planocritico 30 de maio de 2016 - 15:49

@disqus_YqBmD1jIzW:disqus, há repaginações e repaginações. Acho que os volumes de Terra Um do Superman deixam a desejar não só pelo desenvolvimento do herói em si, mas também pela trama simplista. Não é que tudo que é novo é ruim, longe disso, apenas que esse novo em particular não me chamou a atenção. A comparação pode ser injusta, mas acho que se aplica aqui: Batman: Terra Um é MUITO superior a Superman: Terra Um, o que mostra que há espaço para repaginar sem estragar.

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 30 de maio de 2016 - 15:49

@disqus_YqBmD1jIzW:disqus, há repaginações e repaginações. Acho que os volumes de Terra Um do Superman deixam a desejar não só pelo desenvolvimento do herói em si, mas também pela trama simplista. Não é que tudo que é novo é ruim, longe disso, apenas que esse novo em particular não me chamou a atenção. A comparação pode ser injusta, mas acho que se aplica aqui: Batman: Terra Um é MUITO superior a Superman: Terra Um, o que mostra que há espaço para repaginar sem estragar.

Abs,
Ritter.

Responder
Gabriel 5 de junho de 2016 - 00:54

Sim é verdade. Mas eu gostei da análise, bem sincera. e Batman terra um é MUITO BOM mesmo,

Responder
Gabriel 5 de junho de 2016 - 00:54

Sim é verdade. Mas eu gostei da análise, bem sincera. e Batman terra um é MUITO BOM mesmo,

Responder
planocritico 5 de junho de 2016 - 01:04

Já leu o segundo volume de Batman: Terra Um? Fiz a crítica aqui para o site também. E agora estou correndo atrás de Mulher Maravilha Terra Um.

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 5 de junho de 2016 - 01:04

Já leu o segundo volume de Batman: Terra Um? Fiz a crítica aqui para o site também. E agora estou correndo atrás de Mulher Maravilha Terra Um.

Abs,
Ritter.

Responder
Gabriel 25 de maio de 2016 - 14:49

Não me levem a mal, por mais que eu ame o superman de grande astros, o do John Byrne e tudo mais, eu realmente curti um pouco mais essa repaginação do herói. Eu achei esse e principalmente o vol. 2 bem legais. Eu geralmente sou xingado quando digo que me entretenho mais com Terra Um, do que com as histórias do Moore pro herói. Hoje em dia parece que tem que ser: “ODEIE TUDO QUE É NOVO” “OS ANTIGOS SÃO SEMPRE OS MELHORES”. Não entendo o porquê disso. Até mesmo a critica “especializada” reprime e diz que é meia boca quase tudo atualmente. As vezes perdemos boas histórias por conta disso.

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Artur Bezerra 31 de março de 2014 - 11:30

eu acredito piamente que o filme foi praticamente todo tirado dessa graphic…tem até uma crítica do David Goyer elogiando o trabalho do Straczynski….quando eu vi man of steel tive certeza!

Responder
planocritico 31 de março de 2014 - 12:50

É o que os fatos parecem mostrar. Como disse, não acredito em coincidências… – Ritter.

Responder
Rafael Gardiolo 30 de março de 2014 - 19:59

Li na época do lançamento. Gostei da história, mas realmente achei o Clark muito aborrecido. Gosto muito da cena do cemitério no túmulo do Jonathan. Ainda prefiro a interpretação que o Straczynski deu ao homem de aço em Poder Supremo.

Responder
planocritico 30 de março de 2014 - 22:22

Se duvidar, nem foi culpa do Straczynski. Talvez a DC tenha imposto a linha editorial dessa primeira GN da linha Terra Um. Nunca se sabe! – Ritter.

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