Home TVEpisódio Crítica | Taboo – 1X01: Shovels and Keys

Crítica | Taboo – 1X01: Shovels and Keys

por Luiz Santiago
92 views (a partir de agosto de 2020)

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estrelas 4,5

Contém spoilers! Confira outras críticas para os outros episódios aqui.

Criada por Chips Hardy, Tom Hardy e Steven Knight, a minissérie Taboo veio acrescentar mais um capítulo de elementos históricos misturados a um bom drama de vingança e relações pessoais à televisão, em 2017. Tendo Ridley Scott como um de seus produtores executivos e Tom Hardy, que além de ser co-criador e co-autor é a estrela do show, Taboo contará com oito episódios, distribuídos pela BBC One e pelo FX.

A trama principal está localizada em Londres, em 1814. O misterioso James Keziah Delaney (Hardy) chega à cidade no dia da morte de seu pai e espanta a todos, pois imaginavam que este herdeiro do Sr. Delaney estava morto há anos, após seu navio ter naufragado na costa da África. Em dez anos, James não havia sido visto por ninguém na região, desde a sua partida. E agora, de volta, ele parece determinado em fazer dos negócios de seu pai uma sólida iniciativa comercial. Além de manter a todo custo as terras de Nootka Sound, na costa do atual Canadá.

O roteiro de Steven Knight aposta mais no mistério e todas as histórias em torno de James Delaney do que em narrações isoladas de tramas a seres desenvolvidas. A aposta, claro, não poderia ser melhor. Tom Hardy faz uma atuação brilhante como um homem perturbado (mas que disfarça muito bem), que viajou bastante, viu e fez muitos horrores e parece não querer deixar que nada entre em seu caminho para que se estabeleça como alguém de relevo na sociedade britânica daquele início de século XIX. A cena final dele com a prostituta, o encontro com ou velho que cuidou de seu meio-irmão ou a bárbara sequência com os funcionários da Companhia das Índias são grandes exemplos dessa amedrontadora determinação.

Existem muitos eventos históricos aludidos ou expostos no texto, todos bem representados “internamente”, mas não nomeados, o que me pareceu cautela demasiada do roteirista. A guerra entre Reino Unido e “Estados Unidos” que é citada, não é a guerra de independência das 13 colônias (que foi entre 1775 e 1783). A Guerra citada pelo chefe da Companhia Britânica das Índias Orientais, Sir Stuart Strange (interpretado pelo ótimo Jonathan Pryce) é a Guerra Anglo-americana de 1812, que se estenderia até 1815 e redefiniria uma parte do território americano, fortaleceria a União e colocaria em cena questões sobre a fronteira com o Canadá. Isso em conta, entendemos por quê as terras de Nootka Sound são importantes para a Companhia e por quê a resistência de James em vendê-las encoleriza Sir Stuart Strange.

Estabelecido o drama pessoal, que sabemos envolver vingança, amores passados (incesto?) e outros mistérios relacionados ao tempo de James na África, além de alguns negócios duvidosos de seu pai, o roteiro executa com precisão os impactos da chegada inesperada desse “fantasma” e os primeiros movimentos e ameaças feitas nos bastidores. A organicidade e fluidez do texto é tamanha, que os 55 minutos do episódio piloto se passam em uma velocidade inacreditável. E terminamos querendo mais.

Valem aqui os destaques para os figurinos e para a direção de arte, duas das mais delicadas criações nesse primeiro capítulo, obedecendo não só a específicos detalhes reais e históricos como também dando uma boa visão da Inglaterra a caminho da Segunda Revolução Industrial, dali a 46 anos. As cenas na cidade e no cais são excelentes, com ótimo desenho de produção e bom arranjo geográfico, que percebemos ser uma constante em todo o episódio, graças à montagem exemplar. Como introdução a esse novo universo televisivo, Shovels and Keys funciona muito bem e tem o mérito de gerar no espectador a ânsia pelos próximos episódios. Bem vindos, senhoras e senhores, a Taboo.

Taboo – 1X01: Shovels and Keys (EUA, Reino Unido, 7 de janeiro de 2017)
Criadores: Chips Hardy, Tom Hardy, Steven Knight
Direção: Kristoffer Nyholm
Roteiro: Steven Knight
Elenco: Tom Hardy, Edward Fox, Martin Wimbush, Larrington Walker, Oona Chaplin, Jefferson Hall, Jonathan Pryce, Nicholas Woodeson, Richard Syms, Peter Yapp, Jo Cameron Brown, Paul Bigley, Andrew Greenough, Tim Plester
Duração: 55 min.

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27 comentários

Junito Hartley 12 de janeiro de 2017 - 01:23

Serie foda, gostei do clima da serie e da ambientação, interessante que o Tom Hardy ja gosta de fazer esses papeis do cara caladão.

Responder
Junito Hartley 12 de janeiro de 2017 - 01:23

Serie foda, gostei do clima da serie e da ambientação, interessante que o Tom Hardy ja gosta de fazer esses papeis do cara caladão.

Responder
Luiz Santiago 12 de janeiro de 2017 - 01:29

E o bom é que ele não força a barra, fazendo apenas caras e bocas. Ele realmente nos faz crer naquela personalidade.

Responder
Luiz Santiago 12 de janeiro de 2017 - 01:29

E o bom é que ele não força a barra, fazendo apenas caras e bocas. Ele realmente nos faz crer naquela personalidade.

Responder
Rafa Silveira 11 de janeiro de 2017 - 16:21

Esse episódio foi muito bom. Eu tava ansioso pela série por gostar muito do trabalho do Tom Hardy, e por essa estréia já deu pra notar que não vai decepcionar.

Na crítica, só senti falta de uma menção à possibilidade de elementos sobrenaturais na série. O James aparentou ser alguém com crenças diferentes – vide o enterro do pai – e a conversa com Brace, o mordomo, foi insinuante.

Responder
Rafa Silveira 11 de janeiro de 2017 - 16:21

Esse episódio foi muito bom. Eu tava ansioso pela série por gostar muito do trabalho do Tom Hardy, e por essa estréia já deu pra notar que não vai decepcionar.

Na crítica, só senti falta de uma menção à possibilidade de elementos sobrenaturais na série. O James aparentou ser alguém com crenças diferentes – vide o enterro do pai – e a conversa com Brace, o mordomo, foi insinuante.

Responder
Luiz Santiago 11 de janeiro de 2017 - 20:05

@rafasilveira:disqus, eu não gosto de especular em territórios sem muita pista. Não estou muito certo de que se tratam de eventos sobrenaturais ou apenas alucinações (vindo do tempo em que ele passou na África) aliadas à mente perturbada do personagem. Mais adiante, à medida que ficar mais claro, vamos cavucar mais esse buraco.

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SuzukaDriver90 10 de janeiro de 2017 - 23:50

Essa série é transmitida no Brasil pelo FX?

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Luiz Santiago 11 de janeiro de 2017 - 05:11

Infelizmente, ainda não. Sem data definida pela emissora. Mas não deve demorar a ter.

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Raoni De Lucia 10 de janeiro de 2017 - 09:31

Vou procurar hoje pra assisstir!

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Luiz Santiago 11 de janeiro de 2017 - 05:11

E aí, gostou?

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Raoni De Lucia 11 de janeiro de 2017 - 08:26

Cara, que série! Ambientação, fotografia, figurino, a atuação do Tom Hardy monstruosa, aquela sensação de mistério durante todo o episódio, que passa realmente muito rápido, se manter o nível do primeiro episódio temos uma ótima mini-série surgindo.

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Luiz Santiago 11 de janeiro de 2017 - 10:21

Não é? A ambientação é incrível, muito fiel à época e com um roteiro na medida, que dá a quantidade de informações corretas para nos manter curiosos. Eu embarquei tranquilamente nessa! Torcendo para que o nível seja mantido!

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Raoni De Lucia 11 de janeiro de 2017 - 10:27

Com certeza já embarquei também, por muito menos embarquei naquele barco pirata furado que foi Damien rsrs (e ainda assisti até o final aquela bomba nuclear) você vai fazer as críticas de todos os episódios? Ou da série inteira?

Luiz Santiago 11 de janeiro de 2017 - 10:47

HAHAHAHHAHAHAHAHAH você é um guerreiro!!!

Vou fazer por episódio! Essa merece! 😀

Raoni De Lucia 11 de janeiro de 2017 - 10:27

Com certeza já embarquei também, por muito menos embarquei naquele barco pirata furado que foi Damien rsrs (e ainda assisti até o final aquela bomba nuclear) você vai fazer as críticas de todos os episódios? Ou da série inteira?

Alex Alves 10 de janeiro de 2017 - 08:36

Achei o trailer interessante junto com a nova série do Jason Mamoa mas agora com essa crítica irei dar uma conferida, é um alento nesse janeiro triste de séries rsrs.

Responder
Luiz Santiago 10 de janeiro de 2017 - 13:43

Esse é o tipo de série que vai dando as cartas na medida certa. O ritmo desse piloto é dentro daquilo que sabemos dos pilotos: apresentação e tal, mas tem um quê a mais. Há muita sugestão legal em torno do personagem do Tom Hardy que simplesmente nos prende à série…

Responder
Clayton Lucena 9 de janeiro de 2017 - 22:43

Agora sim! ainda não vi mas já fiquei empolgado!

Responder
Clayton Lucena 9 de janeiro de 2017 - 22:43

Agora sim! ainda não vi mas já fiquei empolgado!

Responder
Luiz Santiago 9 de janeiro de 2017 - 22:54

É uma baita história! Depois diga o que achou!

Responder
Clayton Lucena 10 de janeiro de 2017 - 09:20

Pow ai vc me quebra falando isso! e as séries atrasadas vão continuar atrasadas rsrsrsrsr!

Responder
Luiz Santiago 10 de janeiro de 2017 - 13:41

Eu sei bem essa sensação. Tenho várias atrasadas aqui!

Responder
Clayton Lucena 11 de janeiro de 2017 - 15:13

Que episódio foda! Tom Hardy esta demais e como vc falou a ambientação e os figurinos são um colírio para os olhos!

E o que foi aqueles flashbacks ???? quero saber logo o que aconteceu com ele!
Já quero o segundo episódio pra ontem!

Abraços man.

Luiz Santiago 11 de janeiro de 2017 - 20:06

Essas “visões do passado” são ótimas! Aquela cena do navio, dele trancando os negros no porão, foi forte! Mal posso esperar para ver esse passado também!

Clayton Lucena 11 de janeiro de 2017 - 15:13

Que episódio foda! Tom Hardy esta demais e como vc falou a ambientação e os figurinos são um colírio para os olhos!

E o que foi aqueles flashbacks ???? quero saber logo o que aconteceu com ele!
Já quero o segundo episódio pra ontem!

Abraços man.

Clayton Lucena 10 de janeiro de 2017 - 09:20

Pow ai vc me quebra falando isso! e as séries atrasadas vão continuar atrasadas rsrsrsrsr!

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