Home QuadrinhosOne-Shot Crítica | Tex #200: O Ídolo de Cristal

Crítica | Tex #200: O Ídolo de Cristal

por Luiz Santiago
96 views (a partir de agosto de 2020)

Nas colinas ao norte do Skeleton Valley, o feiticeiro navajo de nome Hatuan é alertado por seus gatos selvagens e por seu irmão corvo de que sua cabana está sendo cercada. Este é o início de uma verdadeira trilha de sangue que se fará em torno de um ídolo de cristal nesta segunda edição comemorativa de Tex, escrita por Gianluigi Bonelli e desenhada por Aurelio Galleppini. Rapidamente o autor nos revela a intenção dos invasores hualpais: há um ícone hopi chamado kacinah escondido naquela cabana espiritual, um ícone de madeira que em seu interior guarda o almejado ídolo de cristal, objeto místico que trará poder ao feiticeiro e à tribo que o possuir. Movida pela ambição, essa tribo procura um atalho para a glória. Mas parece que Manitu não tinha isso em mente para eles não.

O texto mescla de maneira bem interessante as crenças dos hualpais no poder destrutivo do ídolo que roubam e sua determinação para conseguir colocar as mãos em tal objeto. É uma missão perigosa e claramente feita sob medo, mas que acaba tendo um resultado momentaneamente positivo para os ladrões, que mal sabem o que os espera pela frente. No corte narrativo após esse ataque, na reserva onde Tex vive, vemos a chegada do corvo do feiticeiro Hatuan e a partir daí o Águia da Noite, Kit, Carson e Jack Tigre entram de verdade na história, sendo designados para recuperar o tal ídolo das mãos dos hualpais.

A ação inicial desse especial acontece de forma sólida e chamativa, mantendo o público interessado no que está acontecendo e principalmente pelo encadeamento que será dado à trama, claramente erguida como uma história de perseguição. Quando os mocinhos entram em cena e começam a perseguir os hualpais, a gente não tem muita ideia de como a arte irá representar com bastante violência os embates contra os navajos (ou seja, o lado de Tex) e a alta contagem de corpos no fim da edição, mas isso acontece, e um sentimento misto de alegria pela vitória dos mocinhos e lamento pelo massacre ocorrido surge como um ponto de crítica interessante em nossa leitura.

O Ídolo de Cristal é uma aventura forte desde os seus primeiros quadros e mostra como a ambição desenfreada de um grupo pode colocar toda a sua aldeia — e as aldeias ao redor — a perder. O roteiro emprega bem os quatro protagonistas, inclusive com pequenas missões em dupla muitíssimo bem arquitetadas, fazendo com que alguns planos de ação sejam completados ou aprimorados através da intervenção do parceiro ao lado, especialmente do meio para o final. Uma comemoração sangrenta, mas bastante divertida da série regular de Tex.

Tex #200: O Ídolo de Cristal (L’idolo di Cristallo) — Itália, 1977
No Brasil:
Tex – O Ídolo de Cristal (Vecchi, 1980), Tex – Edição Especial Colorida n°1 (Globo, 1990), Tex Coleção n°252 (Mythos, 2008), Tex Edição Histórica n°100 (Mythos, 2017).
Roteiro: Gianluigi Bonelli
Arte: Aurelio Galleppini
Capa: Aurelio Galleppini
116 páginas

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