Crítica | The Alfred Hitchcock Hour – 1X04: I Saw the Whole Thing

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A série The Alfred Hitchcock Hour foi apenas uma sequência renomeada da série Alfred Hitchcock Presents, cabendo aí a diferença de duração dos episódios entre um momento e outro do show (25 minutos no primeiro formato e 60 minutos no segundo). Este quarto episódio da nova fase do programa, intitulado I Saw the Whole Thing, foi o único episódio do segundo formato que Alfred Hitchcock dirigiu.

Exibido pela CBS em outubro de 1962, I Saw the Whole Thing foi baseado no conto de Henry Cecil, e basicamente nos conta uma trama de tribunal, onde diversas testemunhas oculares de um acidente de automóvel com uma motocicleta são convocadas para depor na polícia e depois no tribunal contra o homem que dias depois se apresentou à polícia como sendo o motorista do carro que bateu em uma motocicleta e não parou para prestar socorro.

O caminho que Hitchcock utiliza aqui é inicialmente ágil e dramaticamente interessante, apesar de as expressões congeladas das testemunhas oculares não serem a melhor escolha visual. O importante é que já nos primeiros momentos é estabelecido o evento principal, aqueles que viram tudo acontecer e o subsequente problema de Michael Barnes (John Forsythe), que afirma não ter tido culpa e também diz ter parado diante da sinalização. A contrariedade ao que o autor do crime diz e o que as testemunhas dizem é o que sustenta o capítulo, amparado pela longa sequência de julgamento.

Os dois primeiros depoimentos são os mais interessantes considerando o seu todo: peso, cenas de ligação com o entorno e ritmo. À medida que o episódio avança, especialmente após o intervalo com a pequena fala do próprio diretor (que apresentava pequenos esquetes no início, meio e fim dos episódios da série), as coisas se perdem um pouco. Já ao cabo da trama, há um acavalamento de ações, cenas cortadas de maneira abrupta e uma resolução em elipse que é o pior e principal problema do episódio, com ares de Deus Ex Machina.

O twist, no entanto, é algo que conseguimos aproveitar — e o dilema permanece, pois imaginamos as implicações morais e legais do que se deu em todo o julgamento, mas ao mesmo tempo há algo de muito especial no contrapeso do roteiro que deixa o debate ainda mais interessante, fazendo-nos questionar não apenas os depoimentos das testemunhas oculares, a maioria tão certa de que viu algo quando na verdade estava repetindo coisas que ouviram; mas também a relevância que pode ter um famoso isentão em um caso em que se exige justiça e, claro, a própria questão em julgamento desse escritor de histórias de mistério. É um bom tema que se abre em vários ramos, mas com uma execução — pelo menos em sua segunda metade — ordinária demais para alguém do porte do Mestre do Suspense.

The Alfred Hitchcock Hour – 1X04: I Saw the Whole Thing (EUA, 11 de outubro de 1962)
Direção: Alfred Hitchcock
Roteiro: Henry Slesar (baseado no conto de Henry Cecil)
Elenco: Alfred Hitchcock, John Forsythe, Kent Smith, Evans Evans, John Fiedler, Philip Ober, John Zaremba, Barney Phillips, William Newell, Willis Bouchey, Rusty Lane, Billy Wells, Robert Karnes, Maurice Manson, Kenneth Harp
Duração: 48 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.