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Crítica | The Beauty: Lindos de Morrer – 1ª Temporada

O sonhado padrão de beleza.

por Felipe Oliveira
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É notável que desde o impacto gerado por A Substância o body horror “virou” moda. Para um subgênero nichado do terror, mais produções passaram a investir na subcategoria uma vez que o longa de Coralie Fargeat furou a bolha. Nessa esteira, a FX anunciou sua próxima série, The Beauty: Lindos de Morrer, criada por Ryan Murphy em parceria com Matthew Hodgson. Em tempos em que as pessoas buscam pela estética do padrão de beleza através harmonização facial e medicamentos como ozempic e mounjaro, a premissa do show baseado nos quadrinhos de Jeremy Haun e Jason A. Hurley não poderia ser mais urgente: a beleza perfeita é algo alcançável, e várias figuras têm atingido esse padrão uma vez que nessa realidade a beleza é uma doença sexualmente transmissível. Publicada entre 2015 a 2019, a história remonta um quebra-cabeça que inicia com a investigação de dois detetives até chegar na origem do padrão estético amplamente distribuído, que convida o público a se envolver nesse mistério.

O que mais chamou atenção no anúncio sobre a série foi por Rebecca Hall ter sido escalada como protagonista e encabeçar um elenco repleto de astros, que conta, ainda, com outras participações especiais que fogem do leque de nomes recorrentes nas produções do Murphy. Assim, a atração surfava no hype de possuir um elenco de cinema e remeter a um conceito o qual Arquivo X encontra The Substance, Corrente do Mal, A Mosca e Black Mirror. Em alguns momentos, dá até para reconhecer uma influência de Estética (Nip/Tuck) em The Beauty, porém, quanto mais Murphy ensaia os rumores sobre o fim de American Horror Story, mais parece distante de acontecer uma vez que o estilo exagerado e apelativo da série está sempre presente no que o autor americano se propõe a fazer. Por mais que a premissa seja diferente do Murphy trabalha e ele espalhe diversas referências da TV e cinema, Lindos de Morrer soa como algo extraído de AHS, um derivado tentando se lançar embalado a uma crítica social sobre as consequências da busca infame pela perfeição externa.

Não dá para negar que de alguma forma The Beauty seduz: o início caótico — mostrando o que acontece com quem se submete ao procedimento misterioso de beleza — e depois como as pessoas atingem o sonhado padrão de beleza estabelece uma linha de suspense curiosa quando os detetives protagonistas interpretados por Hall e Evan Peters entram em cena, contudo, fica nítido que Murphy e Hodgson não conseguem dar conta da narrativa não linear dos quadrinhos. Na dinâmica de mostrar como diferentes personagens são afetados pela descoberta do chamado The Beauty, a dupla tira o foco do caminho mais interessante para manter o tom da série: do protagonismo de Peters e Hall. Aliás, o controle narrativo não é o único aspecto que os criadores não sabem conduzir, mas também, os títulos que utilizam como referências — que lembra até os últimos filmes de Missão: Impossível nas cenas pelas ruas de Roma. Logo, o modelo de The X-Files perde força conforme a trama avança e abre espaço para o antagonista interpretado por Ashton Kutcher.

Dos vários nomes escalados para a nova aposta de Murphy e Hodgson, certamente Kutcher é a mais fraca e aleatória. Além da ausência de carisma, o ator é apático e caricato — principalmente no videoclipe que Murphy achou que seria uma boa para apresentar o upgrade do seu “vilão” aos moldes de Glee. E para pesar ainda mais na escolha para o papel, o texto exala cafonice e superficialidade para tratar os seus temas. A exemplo dos diálogos sobre sexo para preparar o terreno sobre a beleza ser uma DST — que é contamina, deixa a pessoa com pele impecável, corpo escultural e e beleza exuberante. O papo sobre encontros, transas casuais e o contraste entre sexo e poder nunca é devidamente aprofundado, o que impede de gerar algum impacto nas discussões morais e sociais que propõe, nesse caso, ao mostrar até que a ponto a sociedade está disposta para atingir o padrão de beleza “ideal”.

Seria demais esperar que The Beauty tivesse um boca a boca semelhante a A Substância — e dá para imaginar que era o efeito que queriam quando anunciaram a série — porém, havia um premissa com potencial se Murphy não transformasse tudo que toca em American Horror Story. Ao contrário de apostar mais no horror visual, na degradação a nível quase apocalíptico ao mostrar a consequência para quem é contaminado, prefere uma estética estilizada, plástica e um texto superficial enquanto quer traçar algum comentário sobre a obsessão da sociedade pelos padrões de beleza.

The Beauty: Lindos de Morrer (The Beauty – EUA, 2026)
Criação: Ryan Murphy, Matthew Hodgson
Roteiro: Ryan Murphy, Matthew Hodgson (baseado nos quadrinhos de Jeremy Haun e Jason A. Hurley)
Direção: Michael Uppendahl, Alexis Martin Woodall, Ryan Murphy, Crystle Roberson Dorsey
Elenco: Evan Peters, Anthony Ramos, Jeremy Hope, Ashton Kutcher, Jess Alexander, Isabella Rossellini, Robert Harrington, Rebecca Hall, Ari Graynor, Rob Yang, Chanel Stewart, John Carroll Lynch, Ben Platt, Ray Nicholson, Jon Jon Briones, Isaac Powell, Joey Pollari, Maria Dizzia, Bella Hadid, Eddie Kaye Thomas,Peter Gallagher, Rev. Yolanda, Meghan Trainor, Billy Eichner
Duração: 418 min (11 episódios)

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