Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Tenth Planet (Arco #29)

estrelas 4

‘It’s all over’. That’s what you said. No, but it isn’t. It’s far from being all over. I must get back to the Tardis immediately! I must go now… I must go at once. […] Ah yes, thank you. Keep warm.

Últimas palavras do 1º Doutor

Equipe: 1º Doutor, Ben, Polly
Espaço-tempo: Estação de Rastreamento Espacial Snowcap, Antártida, dezembro de 1986

Realizado em 1966, quando Plutão ainda era considerado o 9º planeta do nosso Sistema Solar, The Tenth Plant narra a história da descoberta de um “décimo” grande corpo celeste, um gêmeo da Terra que abrigou, durante muitas Eras, seres como nós.

O planeta em questão se chamada Mondas, e era o lar dos Cybermen, vilões clássicos de Doctor Who que aparecem pela primeira vez neste segundo arco da 4ª Temporada, o arco de despedida do Primeiro Doutor.

A TARDIS se materializa na Antártida, próximo a uma estação de rastreamento espacial chamada Snowcap, liderada por um General de ideias extremas. Ben e Polly, juntamente com o Doutor, são colocados em uma salinha para posterior interrogação, mas como todo mundo está extremamente ocupado na base e não existe, de fato, uma prisão no local, eles ficam nessa salinha ou em um quarto, esperando a boa vontade do General para interrogá-los rapidamente.

Mas os viajantes nunca são considerados uma total ameaça pelos cientistas, militares e operadores da Snowcap. Como os Cybermen são a verdadeira ameaça do arco, os viajantes acabam tendo pouca atenção ou culpa por tudo. A preocupação maior está ligada ao enfrentamento com os ex-humanos (ou algo parecido) e seu ataque à Terra.

A tentativa dos Cybermen, nesse arco, é drenar a energia do nosso planeta para Mondas, que está morrendo. No enfrentamento com o Doutor e com a ajuda de Ben, Polly e o pessoal de Snowcap, os ciborgues são vencidos, mas o Doutor acaba pagando o preço. Desde o início do arco ele estava reclamando de fraqueza e, como a função dos Cybermen nessa história era conseguir energia para seu planeta, fica mais ou menos indicado que eles tomam uma quantidade enorme de energia do Doutor, cujo corpo já estava fraco pela velhice, e, por isso, vai tendo sua energia vital diminuída a ponto de precisar regenerar-se ao fim do último episódio.

Os Cybermen desse arco são absurdamente toscos. Se compararmos com outro vilão clássico, os Daleks, perceberemos que os Cybermen evoluíram mais no sentido externo do que em sua concepção geral de modificação do ser humano “fraco e cheio de sentimentos” para uma configuração robótica, propriamente dito. Enquanto os Daleks tiveram algumas poucas estruturas físicas alteradas completamente (refiro-me a mudanças como a do Human-Dalek ou dos engraçadíssimos Daleks coloridos), os Cyberman tiveram uma grandiosa alteração físico-tecnológica no decorrer das décadas, o que, de um modo muito favorável, nos indica a constante busca dessa raça alienígena pelo aprimoramento técnico, exatamente como nós fazemos.

O plot do arco é denso e, mesmo que escanteie o Doutor em detrimento de seus companions, funciona muito bem dentro do que propõe.

Parece piada dizer que apenas o último episódio do arco (o episódio em que há a regeneração) é uma reconstituição. Felizmente, a cena em que o Doutor se regenera permaneceu intacta, assim como alguns segundos de filmagens dele saindo da prisão da nave dos Cybermen e indo para a TARDIS. A transformação para o novo corpo acontece de forma relativamente rápida e com um grande clarão de luz branca na tela. Chegava o fim da era William Hartnell, o “Doutor avô”. E a BBC acabava de lançar em Doctor Who outro elemento que permitiria a vitalidade da série pelas décadas seguintes: a mudança do ator principal.

The Tenth Planet (Arco #29) – 4ª Temporada

Roteiro: Gerry Davies, Kitt Pedler
Direção: Derek Martinus
Elenco principal: William Hartnell, Michael Craze, Anneke Wills, Robert Beatty, David Dodimead, Dudley Jones

Audiência média: 6,75 milhões

4 Episódios (exibidos entre 08 e 29 de outubro de 1966).

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.