Fora de Plano #51 | CCXP 2018: O Pop Como Nunca Antes Visto

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Este domingo acabou a quinta edição da Comic-Con Experience, evento que nesta edição de 2018 se firmou como maior festival de cultura pop do mundo, com 262 mil visitantes. É um feito gigantesco, principalmente se levarmos em consideração o curto espaço de tempo de somente 5 anos que vem sendo realizado. Se alguns anos atrás os organizadores viam como sonho elevar a categoria do evento ao nível das históricas Comic-Con de San Diego e Nova York, agora já observam como realidade.

Escrevo aqui nessa coluna para falar da experiência que tive nessa que foi minha primeira CCXP. E digo tranquilamente: recomendo fortemente a qualquer fã de cultura pop. Tive a oportunidade de participar de todos os dias de festival e, mesmo morto de cansado ao fim, com um pé mancando não totalmente recuperado de uma fratura, estampava um sorriso no rosto.

Você ouvirá de tudo, assim como eu ouvi. Vai ouvir aqueles que reclamam horrores da organização, aqueles que possuem zero paciência para as filas (e realmente é fila para tudo) e as frustrações de alguns que tentaram ver alguma atração que queriam muito e não conseguiram. Normal, isso acontece mesmo e já esperava que fosse acontecer. No entanto, não tenho nada de muito relevante a reclamar da organização, muito pelo contrário, tenho apenas a elogiar. Realizar um evento dessa proporção e conseguir passar quase isento de defeitos – ao menos para esse que aqui escreve – é a maior conquista de todas. Qualquer um proveniente de outras capitais do Brasil provavelmente sabe, como eu, como é difícil acertar tão em cheio assim fazendo um evento de um nível bem, mas bem menos elevado que a Comic-Con Experience.

No fim, colocando a parte todo o aspecto comercial e lucrativo óbvio do evento, é algo emocionante de se observar. Eu cresci consumindo cultura pop como se fosse água. Eu lia quadrinhos da Marvel antes disso virar cool, antes dessa moda invadir as prateleiras e você encontrar pessoas com camisas de Star Wars a cada metro que anda. Eu acessava o Omelete e assistia o OmeleTV na época que Hessel, Borgo e Forlani faziam aquilo quase meramente pelo objetivo de debater suas paixões. Na época que eram ninguém, apenas nerds querendo falar de nerdices. E aqui não digo isso querendo me apegar a saudosismos, pois acho brega demais, falo isso apenas para chegar a um ponto: olha o quão longe chegamos. Os geeks/nerds definitivamente dominaram o mundo, como era proclamado vários anos atrás com o hit de internet “o nerd de hoje é o cara rico de amanhã”. Mais que isso, nos tornamos referência.

E, o mais importante de tudo, é o quanto a feira desperta paixão em todos. Eu encontrei muita, mas muita gente que admiro das mídias sociais por lá. E embora tenha arrumado a cara de pau pra falar com um ou outro, preferi deixar quieto muitos deles. Porque observei em todos eles a paixão de estarem ali aproveitando aquela experiência. Por mais clichê que isso soe, era como se voltássemos a ser crianças, ou morássemos em uma terra encantada, nos refugiando de um mundo intenso que vem nos cansando cada vez mais. Debaixo do teto da São Paulo Expo, durante esses dias, todos tinham o mesmo brilho nos olhos. Eu vi no olhar de Alexandre Ottoni, AKA Jovem Nerd, o mesmo olhar de qualquer um por lá se deslumbrando com o stand de cada empresa e atração. É verdadeiramente o carnaval nerd que todos proclamam, quando chega ao fim bate uma legítima tristeza.

Maisie Williams e os criadores de Game Of Thrones disseram no painel da HBO que a CCXP era a Comic-Con preferida deles e que o público brasileiro possui uma recepção única. A Comic-Con Experience cresce vertiginosamente. E em um ano tão pesado para nosso povo, se refugiar no universo de fantasias de filmes, séries e games do festival foi uma experiência verdadeiramente épica, como diz o slogan da feira.

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, cantor de chuveiro e tocador de guitarra de ar. Seja através dos versos ácidos de Kendrick Lamar, a atitude de Bruce Springsteen, ou a honestidade de Tim Maia, por seus fones de ouvido ecoam ondas indistinguíveis. Vai do sangue de Tarantino à sutileza de Miyazaki, viajando de uma galáxia muito, muito distante até Nárnia. Desbravador de podcasts e amante de indie games, segue a vida com um senso de humor peculiar e a certeza de que tudo passa - menos os memes.