Foram elegíveis para esta lista, apenas: as temporadas de séries e as minisséries que foram OFICIAL E LEGALMENTE lançadas no Brasil em 2025 em qualquer meio, seja televisão aberta, seja cabo ou streaming. Para ser considerada como sendo lançada em 2025, o que vale é a data em que a temporada atual da série ou a minissérie ACABOU, mesmo que ela tenha começado antes de 2025. Como corolário, temporadas de séries e minisséries que tenham começado em 2025, mas que não tenham acabado no mesmo ano, só serão elegíveis para a lista do ano que vem.
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HANDERSON ORNELAS
Esse ano minha experiência com séries de TV foi ainda mais ampla que ano passado. Conforme fui montando essa lista, eu mesmo fui ficando surpreso com a variedade de coisas em minha lista de assistidos e vindo de tantos streamings diferentes. Mas, tal como em 2024, inegavelmente tenho minha predileção pelo nível de qualidade que continua sendo entregue na HBO Max – e que por sinal, no momento que escrevo esse texto, me preocupa bastante a recente notícia da aquisição da Warner pela Netflix.
Bem ao modo “produtividade do entretenimento” que o mundo moderno fez criarmos de hábito, seguem minhas credenciais de séries em 2025: assisti cerca de 44 séries, sendo 40 elegíveis a essa lista, lançadas oficialmente no Brasil em 2025. O restante se resume a temporadas de The Leftovers, Nathan For You, reality shows que descobri em atraso e algumas séries de 2024 que não tinha assistido. Quanto a 2025, tivemos um ano bastante interessante para o mundo das séries. Aqui vai encontrar desde as mais badaladas desse ano (as queridinhas Andor e Severance, que nem estão tão altas na lista) até gratas surpresas (A Namorada Ideal, Efeitos Colaterais) e também a manutenção da genialidade de alguns dos meus criadores televisivos preferidos (vide Vince Gilligan e Nathan Fielder na lista). Então, o que segue abaixo pode confiar que é só alta qualidade – na minha lista eu confio.
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10º – Andor – 2ª Temporada
Tony Gilroy | Disney+ | 22 de abril de 2025

Assim como fiz na crítica da primeira temporada, vou tentar trazer uma visão mais abrangente e holística da segunda temporada do prelúdio de Rogue One, uma vez que meu colega Ritter Fan abordou os detalhes do seriado nas críticas por episódio, então seguir a mesma linha de raciocínio – até porque concordamos em absolutamente tudo sobre a obra – seria redundante. Obviamente que a opinião mais geral sobre essa segunda temporada terá a mesma trajetória de pensamento, mas quem sabe com um sabor diferente em termos de análise e do que Star Wars: Andor significa para o passado e o futuro da franquia. Já pensando nisso, vou evitar explicações e contextos do segundo ano para mergulhar direto no que quero abordar: a experiência de rever SW após Jedha, Kyber, Erso. Imagino que muitas pessoas assistiram Rogue One depois da conclusão da série, mas recomendaria, também, a revisitação à trilogia original.
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9º – Ruptura – 2ª Temporada
Dan Erickson | Apple TV | 17 de janeiro de 2025

Na reta final, temos uma descida ao inferno. Diversos momentos chamam a atenção durante o clímax, como as transições de externos e internos nas salas e no elevador; o inesperado uso de violência física e gore, mas que se mostrou apropriado dentro do drama e do suspense, especialmente nas sequências com o Sr. Drummond; a já exaustivamente elogiada parte técnica da produção, com outro trabalho cuidadoso de Ben Stiller; e, claro, o reencontro de Mark e Gemma, em uma das sequências mais bonitas de toda a série. Em uma determinada crítica, citei minha suspeita de que a obra tem inspiração na lenda de Orfeu e Eurídice. Para quem não conhece, o mito acompanha Orfeu tentando salvar sua amada do submundo. Após descer ao mundo dos mortos, Hades e Perséfone concedem o desejo de Orfeu para levar sua esposa de volta, mas com a condição de que o mesmo não olhasse para Eurídice até chegarem ao mundo superior (he, he). Infelizmente, Orfeu fica desconfiado e olha para trás, condenando-a ao submundo, o qual ele se junta a ela depois de morrer. Penso ser óbvio o paralelo para a escolha do Mark interno, que decide ficar no inferno com quem verdadeiramente ama – o desespero de Gemma é palpável, com a mesma facilmente se tornando a figura mais trágica da série. A decisão pode ser considerada egoísmo, autonomia, amor, justa ou injusta, mas com certeza faz sentido dentro do arco do personagem, que anda de mãos dadas com sua amada em direção ao caos, quem sabe para liderarem uma revolução – dessa vez real – dentro da Lumon.
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8º – Efeitos Colaterais – 1ª Temporada
Joe Bennet & Steve Hely | HBO Max | 2 de fevereiro de 2025

Efeitos Colaterais pode até começar de maneira mais singela, mas a temporada não demora a acertar o passo e a ganhar a estrutura de outras séries e filmes que lidam com uma grande história de conspiração, paranoia e obsessão que coloca seu protagonista entre paredes que vão aos poucos se fechando ao seu redor, mas sem perder uma veia de humor e ironia, sem deixar de trabalhar cada um de seus personagens e, claro, sem deixar registradas suas críticas econômicas e sociopolíticas. Não é uma série que se aproxime em inventividade da que Bennett colocou no ar anteriormente, mas há muito o que ser apreciado nesse seu segundo esforço criativo e será interessante acompanhar os caminhos que ele pretende seguir.
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7º – White Lotus – 3ª Temporada
Mike White | HBO Max | 16 de fevereiro de 2025

Caminhando sem pressa, por vezes arrastando-se, a terceira temporada de The White Lotus consegue reerguer um pouco do interesse sobre uma série que, tenho para mim, deveria ter sido mesmo apenas uma minissérie. O passeio pelo mundo hoteleiro bancado em boa parte pela rede Four Seasons sem dúvida oferece bons momentos aqui e ali muito em razão dos elencos inspirados e da fotografia cuidadosa, mas a pegada ácida e ferina que Mike White demonstrou ter em 2021 não mais existe na mesma intensidade, mais parecendo que ele absorveu ensinamentos budistas demais ao longo dos anos ou, talvez, que ele mesmo tenha suavizado a abordagem para não ferir as suscetibilidades de seu chique patrocinador de locações milionárias.
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6º – Hacks – 4ª Temporada
Lucia Aniello, Paul W. Downs, Jen Statsky | HBO Max | 10 de abril de 2025

O que não funcionou foi o episódio final da temporada. A série, cuja renovação para um quinto ano foi anunciada antes de os episódios terminarem de ir ao ar, o que indica que isso já era internamente conhecido há algum tempo, não precisava do 10º capítulo e poderia muito bem ter acabado no cliffhanger que vemos no nono, com Deborah, demitindo-se no ar de seu emprego dos sonhos para defender Ava, ficando sem poder fazer shows de comédia por 18 meses. Infelizmente, porém, os showrunners acharam que seria interessante encerrar o ano com um episódio corrido, tonalmente perdido e bem diferente de todos os que vieram antes que parece comprimir material suficiente para pelo menos metade de uma nova temporada em uma história confusa e sôfrega que faz gato e sapato de Deborah, traindo a força da personagem que acaba se entregando a decisões pensadas e impensadas que a levam a uma esbórnia em Cingapura e um “retorno” em razão de um epitáfio publicado em revista online sobre a indústria do entretenimento. A impressão que deu foi que os engravatados donos do dinheiro exigiram um final mais exagerado e os showrunners tiveram que escrever tudo em um dia com tremenda má vontade. Não é que o derradeiro episódio estrague o que veio antes, pois ele está longe de fazer isso, mas é como ver uma outra série que por acaso conta com as mesmas atrizes nos mesmos papeis.
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5º – Adolescência – 1ª Temporada
Jack Thorne & Stephen Graham | Netflix | 13 de março de 2025

Apesar de Adolescência (2025) ser, em tese, um drama psicológico, é facilmente possível enquadrar a minissérie como uma obra de terror. De muitas formas, Jack Thorne e Stephen Graham tecem uma narrativa que não apenas chama a atenção, como também tem um caráter de denunciação, revelando um universo escondido de pais e educadores. O texto crítico e comovente da dupla encontra o casamento inusitado com a abordagem fílmica de Philip Barantini, que adiciona uma camada de tensão e de ambientação realmente fascinante de assistir, não só pela técnica em si, mas sim por como ela realça as qualidades da história, incluindo a ideia também ousada de tornar cada capítulo algo relativamente único que compõem o quadro geral de uma história que fica com a audiência muito tempo depois dos créditos.
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4º – A Namorada Perfeita – 1ª Temporada
Naomi Sheldon & Gabbie Asher | Prime Video | 10 de setembro de 2025

No momento que vi Olivia Cooke e Robin Wright estamparem a foto de divulgação de A Namorada Perfeita na Prime Video, a série já tinha ganhado minha atenção. Mas eu não esperava que a qualidade da série iria tão além de somente ótimas atuações. Ambas as atrizes estão absolutamente carismáticas e brilhantes nos papéis de nora e sogra que competem de forma doentia pela atenção do filho. Entretanto, a excelência da série está principalmente em um texto que sabe calibrar muito bem um drama com pitadas de thriller psicológico. É, acima de tudo, entretenimento televisivo de primeira, que não deixa o telespectador descolar da tela e nem precisa menosprezar sua inteligência.
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3º – Task: Unidade Especial – 1ª Temporada
Brad Ingelsby | HBO Max | 7 de setembro de 2025

Mesmo assim, Task: Unidade Especial é mais uma bela criação de Brad Ingelsby que subverte o thriller policial, transformando-o em um verdadeiro drama com elementos investigativos, abrindo espaço para o máximo aproveitamento do elenco e para o estudo de personagens que, de suas respectivas maneiras, vivem à margem do que normalmente se espera de bandidos e policiais. Agora é aguardar o próximo projeto cinematográfico e/ou televisivo de um nome que vem com cada vez mais constância abrindo seu espaço no firmamento das grandes mentes criativas modernas.
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2º – Pluribus – 1ª Temporada
Vince Gilligan | Apple Tv | 7 de novembro de 2025

Na ponta oposta, temos o paraguaio Manousos Oviedo vivendo uma vida espartana nos anos 80 (porque, vamos combinar, tudo ali berra anos 80, inclusive e especialmente o aparelho de VHS com tampa-elevador para a fita), recusando-se a aceitar qualquer tipo de contato com os pluribus, o que significa passar fome enquanto esgota todas as frequência de seu rádio, com apenas uma que permanece misteriosa e que, não tenho dúvida, terá função narrativa mais para a frente. Ao receber a fita VHS de Carol, ele toma a decisão que eu cheguei a mencionar e imediatamente descartar em minha crítica de Por Favor, Carol de dirigir até Albuquerque e, ainda por cima, em um carro vintage conversível que não parece funcionar muito bem. Será interessante acompanhar essa jornada que, para ser minimamente crível e não ocupar muito tempo, terá que contar com algumas várias elipses ou algum outro tipo de expediente. O ponto mais relevante é que, agora, é difícil enxergar a série sem a conexão de Carol com Manousos, pois, ao que tudo indica, os caminhos que eu achava que haviam sido encontrados para a história tomar forma novamente chegaram em um beco sem saída. Mas, claro, Gilligan sabe o que faz, pelo que só nos resta aguardar enquanto apreciamos essa iguaria televisiva.
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1º – O Ensaio – 2ª Temporada
Nathan Fielder | HBO Max | 20 de abril de 2025

O que mais repito como indicação a qualquer um para assistir O Ensaio é sempre a mesma coisa: não existe nada igual na TV. A série de Nathan Fielder mistura ficção e documentário de forma que te desafia a entender o que de fato é real. Enquanto a brilhante primeira temporada era imersa em sua premissa de pessoas ‘ensaindo’ situações que desejassem enfrentar, nesta segunda temporada Nathan aproveita o mesmo conceito para mergulhar fundo na segurança aeroespacial – e vai bastante além disso. Parece bizarro – e realmente é. Evanescence, Capitão Sully, acidentes de avião e reality show de talentos, de alguma forma a mente de Nathan Fielder conseguiu fundir tudo isso, com direito a um plot twist inacreditável. É o melhor tipo de comédia possível: é genial, absurdo, idiota e filosófico ao mesmo tempo. Mas, acima de tudo, é uma série que examina o comportamento humano como poucas obras conseguem.
