Foram elegíveis para esta lista, apenas: as temporadas de séries e as minisséries que foram OFICIAL E LEGALMENTE lançadas no Brasil em 2025 em qualquer meio, seja televisão aberta, seja cabo ou streaming. Para ser considerada como sendo lançada em 2025, o que vale é a data em que a temporada atual da série ou a minissérie ACABOU, mesmo que ela tenha começado antes de 2025. Como corolário, temporadas de séries e minisséries que tenham começado em 2025, mas que não tenham acabado no mesmo ano, só serão elegíveis para a lista do ano que vem.
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Correndo o risco de parecer disco arranhado, continuo aumentando a cada ano meu consumo de séries de televisão, de longe a mídia que mais tem tomado meu tempo de lazer. Este ano, acabei vendo muitas séries de catálogo, parte de um “projeto” interno do site de termos mais críticas de tv shows antigos, mas ainda assim deu para conferir muita coisa boa que saiu no ano de 2025. Bora pra lista!
10º – Alien: Earth – 1ª Temporada
Noah Hawley | Disney+ | 12 de agosto a 23 de setembro de 2025

Noah Hawley poderia ter feito uma série com xenomorfos caçando e sendo caçados por humanos, com alguns sintéticos aqui e ali. Esse seria o caminho lógico e mais fácil para qualquer tipo de obra dentro desse universo. No entanto, Noah Hawley é Noah Hawley e ele dificilmente se acomoda ao que está pronto diante dele, até porque, se formos realmente parar para pensar na franquia Alien como um todo, sua fórmula básica só gerou dois filmes acima de qualquer suspeita, o primeiro, de 1979, que é um horror espacial e o segundo, de 1986, que é, em essência, um filme de guerra. Tudo o que veio depois ficou à sombra dos clássicos de Ridley Scott e James Cameron e mesmo quando o próprio Scott resolveu retornar a esse universo, ele meteu os pés pelas mãos justamente ao tentar fazer mais do que apenas mais uma repetição do que havia feito antes.
9º – A Diplomata – 3ª Temporada
Debora Cahn | Netflix | 16 de outubro de 2025

A terceira temporada de A Diplomata segue caminhando entre a tragédia política e a farsa conjugal, com os Wylers cada vez mais distantes. O ponto de partida é puro caos institucional. O presidente Rayburn está morto (de certa forma, uma pena, porque gostaria de ter visto mais de Michael McKean no papel, mas a reviravolta é boa, se ainda, talvez, exagerada e espalhafatosa demais). Grace Penn (Allison Janney) assume o cargo e Hal Wyler (Rufus Sewell) é convidado a ser o novo vice-presidente dos Estados Unidos, uma provocação tão absurda quanto perfeitamente coerente com a lógica da série. É a ironia máxima de A Diplomata: o sistema premia quem sobrevive ao desastre com uma promoção.
8º – Gen V – 2ª Temporada
Craig Rosenberg, Evan Goldberg, Eric Kripke | Prime Video | 17 de setembro a 22 de outubro de 2025

O segundo ano de Gen V teve que lidar com a trágica morte Chance Perdomo, que viveu Andre Anderson na primeira temporada, partindo da decisão de não escalar um novo ator para viver o personagem e a estratégia deu muito certo, pois não só Andre não foi esquecido ao longo dos oito episódios, como ele ganhou status de herói e seu sacrifício foi efetivamente utilizado como gatilho narrativo para algumas situações, especialmente o sentimento de culpa de Marie Moreau por ter fugido da prisão da Vought sem voltar para ajudar os que ficaram. O foco da série em si, ou seja, Marie ser uma super de categoria especial de poderes, nada menos do que a mesma de Homelander, como fruto de experiências secretas, poderia ser básico demais, na linha do personagem messiânico que salvará todo mundo, algo usado por vezes demais por aí.
7º – The Pitt – 1ª Temporada
R. Scott Gemmill | Max (HBO) | 09 de janeiro a 10 de abril de 2025

Essa abordagem proporciona ao público uma visão mais diversa do que realmente significa trabalhar em um hospital, fazendo com que a série não apenas entretenha, mas também conscientize sobre a realidade enfrentada pelas equipes médicas. Assim, ao unir uma narrativa profundamente pessoal com uma representação autêntica da ambientação hospitalar, The Pitt se estabelece como uma série essencial que merece ser vista. A combinação da direção habilidosa, uma trilha sonora marcante e personagens complexos proporciona uma experiência que é rica em emoção e reflexão. As séries de drama médico sempre foram um ponto de atração para um público apaixonado por histórias que mesclam o cotidiano da medicina com a complexidade das relações humanas. Assim, dentre as várias produções que emergiram nas últimas décadas, e, caro leitor, não são poucas, está produção se destaca como uma obra que promete não apenas capturar a atenção dos espectadores, mas também oferecer uma vivência realista do ambiente hospitalar. Produzida pela plataforma Max, a série combina um drama intenso com casos médicos intrigantes, ambientados no frenético cenário de um pronto-socorro. Encabeçada por um enredo eficiente ao mixar desafios profissionais e dilemas pessoais, The Pitt consegue não apenas entreter, mas também sensibilizar o público sobre as realidades enfrentadas por aqueles que dedicam suas vidas ao cuidado de outros.
6º – Invencível – 3ª Temporada
Simon Racioppa, Robert Kirkman, Cory Walker, Ryan Ottley | Prime Video | 06 de fevereiro a 13 de março de 2025

Depois de um segundo ano cheio de melancolia em torno dos personagens lidando com os efeitos do ataque de Nolan, a terceira de temporada começa com um tom similar, mas dessa vez focado em Mark tentando superar o assassinato de Angstrom. Eventualmente, porém, a narrativa ganha outros contornos, mostrando pouco da trama sobre a Guerra Viltrumita e trazendo diversas histórias autocontidas que gradualmente levam o protagonista a questionar seus ideais e sua moralidade. A discussão com Cecil; a escolha difícil com Titã; e, principalmente, as aparições dos antagonistas Powerplex, Angstrom e, por fim, Conquest, fazem com que Mark vire uma página perigosa em sua jornada em torno da regra de não matar. Para além do excelente desenvolvimento do protagonista, temos ótimos arcos para Eve e Oliver, e, em menor medida, para Debbie e Cecil (que protagoniza o melhor episódio da temporada). Entendo o criticismo sobre os núcleos desgarrados, mas penso que a animação segue mantendo uma qualidade consistente, mesmo em desvios narrativos e oscilações técnicas, chegando ao clímax frenético com o antagonista que pavimenta um novo caminho para Mark, para bem ou para mal.
5º – Adolescência (2025)
Philip Barantini | Netflix | 13 de março de 2025

Apesar de Adolescência (2025) ser, em tese, um drama psicológico, é facilmente possível enquadrar a minissérie como uma obra de terror. De muitas formas, Jack Thorne e Stephen Graham tecem uma narrativa que não apenas chama a atenção, como também tem um caráter de denunciação, revelando um universo escondido de pais e educadores. O texto crítico e comovente da dupla encontra o casamento inusitado com a abordagem fílmica de Philip Barantini, que adiciona uma camada de tensão e de ambientação realmente fascinante de assistir, não só pela técnica em si, mas sim por como ela realça as qualidades da história, incluindo a ideia também ousada de tornar cada capítulo algo relativamente único que compõem o quadro geral de uma história que fica com a audiência muito tempo depois dos créditos.
4º – Pluribus – 1ª Temporada
Vince Gilligan | Apple TV+ | 07 de novembro a 24 de dezembro de 2025

No balanço geral, a primeira temporada de Pluribus é uma obra ambiciosa, intelectualmente provocadora e sustentada por uma protagonista extraordinária. Entendo certas reclamações de ritmo irregular, certa redundância temática e escassez de arcos dramáticos mais dinâmicos, mas aprecio o tom narrativo em um panorama televisivo saturado de distopias ruidosas e vazias, em que Pluribus se destaca por escolher o silêncio, a empatia e o desconforto como armas narrativas de uma premissa fascinante, uma trama de queima lenta, personagens bem desenvolvidos e uma história que ainda promete muito.
3º – Ruptura – 2ª Temporada
Dan Erickson | Apple TV+ | 17 de janeiro a 21 de março de 2025

Sei que alguns vão torcer o nariz para a metade não pintada no finalzinho da nota, mas vou explicar a razão de que o segundo ano de Ruptura teve uma pequena queda de qualidade. Mas primeiro, falemos das partes boas. O showrunner Dan Erickson claramente fez algumas mudanças de abordagem, deixando um pouco de lado a sátira da primeira temporada para mergulhar na profunda tragédia romântica de Mark e Gemma, com inspirações – na minha visão – ao Mito de Orfeu, e se entregando cada vez mais ao surrealismo, com episódios estupendos como Woe’s Hollow e Chikhai Bardo marcados na História das telinhas. A expansão para uma narrativa que aborda o lado externo com afinco funciona, agregando ao suspense, aos mistérios e ao tom de conspiração/investigação que a trama ganha à medida que Mark e companhia desafiam a Lumon e seu culto. E ainda que a sátira seja mais escanteada, o humor ácido é mantido, bem como os temas sobre identidade e doutrinação, mas com o encaminhamento mais pessoal e emocional, e menos de labuta.
2º – Dept. Q – 1ª Temporada
Scott Frank, Chandni Lakhani | Netflix | 29 de maio de 2025

Scott Frank e Chandni Lakhani conseguiram algo que vem ficando cada vez mais raro na televisão: transformar um material literário já consolidado numa produção que tem identidade própria, mas não anula a essência do original — neste caso, A Mulher Enjaulada (2007) suspense do escritor dinamarquês Jussi Adler-Olsen. Em Dept. Q, muda-se o cenário de Copenhagen para Edimburgo e cria-se um universo investigativo onde cada elemento técnico e dramático se afunila com muita precisão para formar uma trama diferente e de enorme qualidade. Como showrunner, Scott Frank se mostra bastante maduro aqui, equilibrando múltiplas camadas de eventos investigativos (uma de suas marcas, como vimos em O Gambito da Rainha) sem empacar na coesão que sustenta os fundamentos detetivescos.
1º – Star Wars: Andor – 2ª Temporada
Tony Gilroy | Disney+ | 22 de abril a 13 de maio de 2025

Para mim, existe Star Wars antes e depois de Andor. Em um modelo de histórias cada vez mais interessadas em fan-service e autorreferências, Tony Gilroy seguiu o oposto: transformou Star Wars: Andor em referência; ressignificando tudo que veio antes e acompanhando como um sombra tudo que vai vir depois. Talvez esse não seja o SW que George Lucas gostaria e com certeza não é o SW que a Disney quer entregar, então é um milagre que essa produção tenha ganhado a luz do dia. Stellan Skarsgård disse que a série é “Star Wars para adultos” e, apesar de entender como a frase possa parecer diminuir o que veio antes, entendo perfeitamente o que o ator quer dizer: a produção é um passo maduro para a evolução da franquia. Infelizmente, não sei se veremos algo assim novamente, mas, felizmente, pudemos apreciar enquanto durou. De uma coisa eu sei: quem assistiu essa obra nunca mais vai ver esse universo do mesmo jeito.
