Lista | Top 15 – Melhores Álbuns Nacionais de 2018

Fim de ano chega e é de praxe: chegam também as famosas listas. Pois seguindo a tradição, como fazemos desde 2015, listamos aqui os melhores álbuns nacionais de 2018 (a lista dos álbuns internacionais você pode conferir aqui). Vale lembrar que não há ranking ou ordem de preferência na lista, apenas fazemos questão de listar e recomendar o que consideramos os 15 melhores discos desse ano que chega ao fim. Em um ano pesado como este, a música nacional nos ajudou a deixar tudo mais leve, tendo espaço tanto para debater temas pautados no Brasil durante o ano, quanto para justamente servir como escape em meio a tanto estresse. Confira, logo abaixo, nossa lista, que vai desde a música brega ao rock! Aproveitem e compartilhem conosco suas opiniões nos comentários!

Confira também a lista dos anos anteriores: 2015, 2016, 2017

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Sinto Muito – Duda Beat

Duda Beat foi a melhor descoberta nacional que tive em 2018, figurando sem dúvida alguma entre as grandes revelações do ano. Sinto Muito, seu álbum de estreia, possui uma autenticidade enorme. Por mais que existam artistas fazendo um som similar, sua personalidade é gigantesca e dominante ao apresentar uma fusão de indie pop com música brega nordestina que resulta em verdadeiras pérolas da música pop. Bédi Beat, Bixinho e Back To Bad são hinos de sofrência para serem dançados e cantarolados até ficar cansado e rouco na pista de dança. Além disso, estamos diante de uma produção de qualidade absurda – os beats do disco são excelentes e bastante engenhosos, assegurando o que considerei uma das minhas produções nacionais preferidas.

Estilo: Indie Pop, Brega
Música preferida: Bixinho

Fundação – E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante

A música instrumental brasileira vai em vento e polpa nos dias de hoje. O que falta é apenas mais atenção do público para com essas bandas, só isso. E o fascinante E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante é um dos maiores representantes deste cenário no Brasil – ou melhor, no mundo. O post rock que a banda paulista anda fazendo poderia facilmente figurar entre os maiores do mundo atualmente, principalmente se tratando de um gênero que muitos afirmam estar caindo de popularidade. Fundação, primeiro álbum do grupo após uma série de excelentes EPs, é uma completa catarse emocional onde instrumentos guiam o ouvinte por terras de pura experiência sensorial.

Estilo: Post Rock
Música preferida: Quando o Vento Cresce e Parece que Chove Mais

Bluesman – Baco Exu do Blues

Esse definitivamente foi o ano de Baco Exu do Blues, alcançando um nível absurdo de popularidade estrondosa como um relâmpago. Dentro do cenário do rap nacional o rapper já era bastante elogiado, principalmente por seu bom disco Esú, mas foi com Bluesman que o fenômeno foi criado. O maior mérito da obra é saber ir além do rótulo e ser um pouco de tudo: é rap, pop, rock, R&B e, claro, blues. É bem provável que passe a ser lembrado como um dos discos de rap nacional mais influentes dos últimos anos. Baco já se estabelece como uma das maiores figuras da atual música brasileira com seu rap direto, impactante, verborrágico e de grande eficiência.

Estilo: Rap
Música Preferida: Flamingos

Todo Mundo Vai Mudar – Dingo Bells

É até difícil falar do Dingo Bells. Uma banda tão jovem exalando um som que parece ter tanta experiência. O primeiro álbum do grupo gaúcho, Maravilhas da Vida Moderna, que figurou na nossa lista de 2015, já apresentava um grupo que sabia fazer um uso inteligente do rock, MPB e soul, soando como uma versão moderna do Clube da Esquina (eu não sei que elogio seria maior que esse). E eis que a segunda obra do grupo, Todo Mundo Vai Mudar, corrobora todo o nível absurdo de qualidade revelado em sua estreia. Se você ainda não ouviu, eu não sei o que está esperando pra ouvir essa que afirmo com tranquilidade: uma das melhores coisas que surgiu na música brasileira dessa década.

Estilo: Pop rock, Soul
Música preferida: Sinta-se em Casa

Relax – Kassin

Um dos maiores produtores do Brasil logicamente lançaria um material digno de melhores do ano. Não foi surpresa alguma deparar com a qualidade absurda de Relax, terceiro disco solo de Kassin. É difícil rotular o disco ou sequer descrevê-lo, exceto por sua inegável aura pop bastante calcada nos anos oitenta. Mas a salada de synths, arranjos extremamente harmônicos, composições criativas e refrões chicletes que o produtor faz é extraordinária. Atualmente o termo “genial” é usado com enorme descuidado por aí, mas a inteligência musical e histórico de Kassin é tão enorme que o adjetivo lhe cai bem.

Estilo: MPB, Pop
Música preferida: Estrada Errada

Amor É Isso – Erasmo Carlos

Sempre admiro velhos artistas que sabem se reinventar ou simplesmente remodelar seu som para novas gerações. E o tremendão vem sabendo fazer isso com maestria visto seus álbuns lançados nessa década, Sexo (2011) e Gigante Gentil (2014). Mas em Amor É Isso talvez um passo maior tenha sido dado. Apesar de conter a clássica essência romântica dos álbuns do cantor, temos aqui canções surpreendentes, como por exemplo a ótima parceria com Emicida em Termos e Condições – faixa que discursa de forma sagaz o impacto das redes sociais – além de outras composições feitas por artistas da nova safra da música brasileira. Uma obra excelente de Erasmo Carlos que permite que, seja você um velho fã ou um millenial curioso, mergulhe de ponta e faça grande proveito.

Estilo: Rock, MPB
Música preferida: Termos e Condições

Tônus – Carne Doce

Pessoalmente, não houve nenhum álbum, nacional ou internacional, que tenha provocado um impacto tão grande em mim como foi Tônus, terceiro disco dos goianos do Carne Doce, em minha primeira audição. Se trata de uma obra que beira a perfeição em termos líricos e instrumentais, onde a banda sabe colocar nos arranjos – que vale ressaltar, possuem linhas de guitarra e baixo espetaculares – uma riqueza enorme de sentimentos escancarados nas letras e interpretações impecáveis da vocalista Salma Jô. Muita banda atualmente faz música com discurso social e crítico, mas poucas eu vi fazer com a mesma maturidade, leveza e sabedoria que o Carne Doce. Um debate inteligente sobre o valor da mulher na sociedade, com discursos sobre sexo que sabem ser tanto elegantes quanto informais. Este que aqui escreve terminou de ouvir Tônus com lágrimas no rosto. A melhor experiência musical que tive em 2018.

Estilo: Rock psicodélico, MPB
Música preferida: Golpista

Além – Kiai

Eu havia me esquecido que ouvi essa obra e por pouco ela não entra aqui, afinal, havia descoberto logo no início do ano e praticamente desconhecia o grupo. Temos aqui o primeiro registro de estúdio da banda gaúcha Kiai, um belíssimo álbum que contou com cerca de 4 anos de produção e que percorre o jazz e o post rock com influências da música brasileira exalando uma leveza e sensibilidade gigantesca, chegando a tocar os sentimentos mais íntimos do ser humano. Mais do que um grupo de ótimos instrumentistas, temos aqui um grupo que toca com paixão e sutileza. Além é a palavra certa para definir uma obra que não possui limites ou proporções dimensionáveis.

Estilo: Jazz, Post Rock
Música preferida: A Sala

A Pele do Futuro – Gal Costa

Sabe o que eu disse ali em cima sobre velhos artistas saberem se reinventar? Pois acontece novamente aqui, dessa vez com Gal Costa, que crava um certeiro álbum bastante calcado na black music setentista, mas com uma roupagem completamente moderna. Desde os embalos disco retrô da deliciosa Sublime, passando pela belíssima balada nostálgica de Palavras no Corpo, até observar as parcerias tanto com a velha guarda – Maria Bethânia na tocante e belíssima Minha Mãe – quanto com novos artistas do cenário nacional – Marília Mendonça na excelente Cuidando de Longe. É um disco que ouvirá mil vezes e o resultado final sempre será o mesmo: um grande sorriso estampado no rosto perante uma obra que sabe, acima de tudo, emocionar e divertir.

Estilo: Soul, MPB
Música preferida: Sublime

Lapso – Menores Atos

Animalia, o primeiro álbum do Menores Atos, é sem dúvidas um dos álbuns de rock nacional que mais ouvi até hoje. A responsabilidade de entregar uma obra a altura era grande e poderia facilmente ser passível de decepção. E, bem, se não recebemos algo do mesmo nível que o primeiro disco, no mínimo temos em Lapso um espetacular disco de rock que não deve em nada ao grande talento do grupo. Post hardcore e emo executado com paixão e fúria, transmitindo sonoridades e letras que evocam um ser humano em carne viva. Se trata de um compilado de canções de denso e honesto lado sentimental, tudo em meio a riffs pesados e refrões marcantes.

Estilo: Post hardcore, rock alternativo
Música preferida: Labirinto

Deus é Mulher – Elza Soares

Uma das maiores vozes e personalidades da nossa música. Elza é uma verdadeira entidade musical. É difícil deixar de observar a cantora sem vê-la por um prisma de ser divino. E isso cai perfeitamente para o título e discurso do sucessor do brilhante A Mulher do Fim do Mundo, seu álbum de 2015 que é uma das melhores obras nacionais já feitas. Aqui segue a mesma fantástica equipe do álbum anterior, somando-se algumas compositoras femininas para cobrir a única crítica possível daquele disco, que era a falta de mulheres em um disco tão calcado na imagem da mulher. Deus é Mulher é visceral, emocionante e explosiva, cobrindo alguns dos temas mais polêmicos e relevantes da atualidade: preconceito, religião, sexo e a imagem da mulher na atual sociedade. Ainda aguardo um terceiro disco para fechar uma “trilogia mulher”.

Estilo: MPB
Música preferida: Exú Nas Escolas

O Menino que Queria Ser Deus – Djonga

É com O Menino Que Queria Ser Deus que Djonga realmente se prova como um gigante, não apenas para o rap nacional, mas para a música popular brasileira como um todo. Baco e Djonga são hoje o que Emicida e Criolo foram no início dessa década. Djonga faz um rap furioso, extremamente inteligente e sagaz em referências. Alguns rappers em 2018 podem até ter conseguido um maior reconhecimento devido a um flow e refrões de cadência mais voltada ao pop, mas é difícil encontrar alguém com versos melhores do que os apresentados por Djonga aqui. Afinal, como ele mesmo diz: “Nem conhece Racionais, vai ouvir um disco meu?“. Temos aqui uma obra em que o rapper transborda sua personalidade a cada rima, uma autenticidade realmente invejável.

Estilo: Rap
Música preferida: Canção Pro Meu Filho

Sinto Muito – Mahmed

Lembra o que eu disse lá em cima sobre a música brasileira instrumental? Pois o Mahmed é mais um exemplo perfeito desse cenário que vem gerando valiosos frutos. É difícil, eu poderia fazer um esforço em descrever o som desse grupo potiguar, mas eu não conseguiria e jamais faria jus às belíssimas experiências sensoriais que a banda proporciona com sua música. Sinto Muito, segundo disco da banda, é uma espécie de limbo existencial onde qualquer ouvinte pode se refugiar do mundo e encontrar um pouco de paz, tranquilidade e conforto. É post rock e dream pop feito com maestria e delicadeza, um tipo de música que apenas gigantes da música conseguiriam fazer.

Estilo: Post Rock
Música preferida: Vazia

Ambulante – Karol Conká

Karol Conká é um grande e, ouso dizer, subestimado talento da música nacional, sabendo assumir a posição tanto de exímia rapper quanto de carismática cantora pop. A artista merece cada vez mais o holofote por seu valioso trabalho, que é de extrema eficiência desde a estética até ao som propriamente dito. Ambulante, seu divertidíssimo e aguardado terceiro disco, possui uma coleção de beats caprichados e completamente certeiros, uma produção extremamente frenética do Boss In Drama e ótimos versos encharcados de orgulho e presença firme. Um dos melhores álbuns pop de 2018, dotado das mais obrigatórias faixas para suas festinhas particulares.

Estilo: Hip-hop, Pop
Música preferida: Vida que Vale

O Que Existe Dentro de Mim – Adorável Clichê

O som que os catarinenses da Adorável Clichê fazem pode não ser a coisa mais inovadora que existe, influenciados por inúmeras bandas de shoegaze e dream pop. Só que, acima de tudo, é executado com tanta sinceridade e competência que reserva facilmente lugar nesta lista. As belíssimas letras existencialistas, nostálgicas e dolorosas são interpretadas com extrema honestidade por cima de um ótimo instrumental atmosférico que te permite viajar no tempo por diferentes memórias, seja do passado ou de seu imaginário, retomando lembranças tanto de sofrimento quanto de amadurecimento pessoal. O que Existe Dentro de Mim é um excelente álbum de estreia de uma banda que já demonstra um potencial gigantesco.

Estilo: Rock alternativo, dream pop
Música preferida: Sobre Cair de Bicicleta

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, cantor de chuveiro e tocador de guitarra de ar. Seja através dos versos ácidos de Kendrick Lamar, a atitude de Bruce Springsteen, ou a honestidade de Tim Maia, por seus fones de ouvido ecoam ondas indistinguíveis. Vai do sangue de Tarantino à sutileza de Miyazaki, viajando de uma galáxia muito, muito distante até Nárnia. Desbravador de podcasts e amante de indie games, segue a vida com um senso de humor peculiar e a certeza de que tudo passa - menos os memes.