Crítica | Guerras Infinitas: Soldado Supremo

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas das demais edições da saga.

Guerras Infinitas pode até ser uma saga legítima (reservo meu julgamento para quando ela acabar), mas é obviamente irresistível a monetização máxima de tudo pela Marvel Comics. Se a primeira saga propriamente dita da história dos quadrinhos tinha como objetivo expresso e desavergonhado vender “bonequinhos”, então não é surpresa que a mais recente ande pelo mesmo caminho, fazendo com que Gamora, a grande vilã até agora, ao final da terceira edição, crie um universo “de bolso” que é uma amálgama ou warp do que existe, ou seja, de forma parecida a de seu pai, que queria acabar com metade da vida no universo matando a outra metade, ela reduz a população do universo “juntando” dois seres vivos em um só. O resultado é a criação de super-heróis “fundidos”.

Essa é a deixa para que alguns tie-ins com os nomes mais relevantes do resultado dessa fusão fossem publicados. O primeiro a sair e também a acabar é Soldado Supremo, a amálgama de Stephen Strange, o Doutor Estranho, com Steve Rogers, o Capitão América. A série principal já havia nos dado um gostinho desse “novo” super-herói, mas, aqui, em breve duas edições, ele ganha uma história de origem completa que, se não traz muitas novidades, pelo menos diverte com os nomes criativos usados ao longo da história.

Todo mundo conhece – ou deveria conhecer – a espetacular história de origem do Capitão América (vocês podem não gostar do herói, mas têm que reconhecer a qualidade imbatível dessa origem). O americano franzino que faz de tudo para alistar-se no exército para lutar na 2ª Guerra Mundial, mas que, em razão de seu físico debilitado, é rejeitado, aceitando, por desespero, ser o cobaia de uma experiência que acaba transformando-o no super-soldado que conhecemos ganha uma nova roupagem em que a mudança chave é a troca da ciência pela magia. É, quase que passo-a-passo, a mesma origem a que estamos, inclusive com o componente do “herói fora de seu tempo”, mas reprisando os eventos-chave tendo como pano de fundo a transformação de Stephen Rodgers em um literal “soldado supremo” que usa encantamentos no lugar de escudos e armas, com direito a um uniforme que é a versão barroca do clássico do Capitão América, em uma inspirada criação de Mike Deodato Jr. que, na minissérie, ganha os traços de Adam Kubert.

Como disse, o que faz valer a história é a criatividade nos “novos” personagens. Além do Capitão mágico, temos a fusão de Dum Dum Dugan com Nick Fury, formando Dum Dum Fury como líder do Comando Selvagem de Hoggoth, que conta também com Bucky Wong (claro, a fusão de Bucky Barnes com Wong). O grande vilão, no passado, é Dormammu Vermelho (não preciso dizer qual é a fusão aqui, não é?) e, no presente, M.O.R.D.O.C. ou Mental Organism Ritually Designed for the Occult (Organismo Mental Desenvolvido Ritualisticamente para o Oculto, em tradução livre), que reúne M.O.D.O.C. com o Barão Mordo e que usa como objeto mágico o Olho de Agamodin (sim…). Ou seja, é um festival de bobagens feitas para que o leitor levante sobrancelhas e aponte os dedos para as brincadeiras que Gerry Duggan e Kubert esmeram-se em inserir a cada página, abrindo um sorriso aqui e ali pelas sandices no clássico estilo O Que Aconteceria Se… de ser.

Soldado Supremo, portanto, é uma minissérie bem “mini” que deve ser lida de maneira descompromissada, apenas pelos “chistes” que Duggan escreve e pela bela arte de Kubert. É episódica, já que trata apenas dos grandes momentos da vida do personagem-título que ecoam as histórias principais do Capitão América, e não traz nada fora do comum de verdade. Melhor do que isso, o tie-in não é necessário para a compreensão da história principal, o que por si só é um alívio para os leitores. Aliás, com exceção da página final, que faz conexão com Guerras Infinitas, todo o restante pode ser compreendido por quem quiser ler apenas esta minissérie. Mas não tenham dúvidas de que o inevitável “bonequinho” do Soldado Supremo terá alto potencial colecionável!

Guerras Infinitas: Soldado Supremo (Infinity Wars: Soldier Supreme, EUA – 2018)
Contendo: Infinity Wars: Soldier Supreme #1 e 2
Roteiro: Gerry Duggan
Arte: Adam Kubert
Cores: Matthew Wilson
Letras: Clayton Cowles
Editoria: Jordan D. White
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: novembro e dezembro de 2018 (data de rua: setembro e outubro de 2018)
Páginas: 46

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.