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Crítica | A Menininha (2020)

por Leonardo Campos
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O estabelecimento da atmosfera no terror brasileiro A Menininha é básico e já conhecido por qualquer pessoa que seja consumidor de narrativas para entretenimento. Um casal, provavelmente em crise conjugal, vai passar um final de semana numa região distante e, ao chegar, se deparam com forças sobrenaturais que colocam as suas vidas em risco. Essa, como tantas outras recentemente, é uma das tentativas da indústria brasileira para fincar o terror como gênero próprio da cultura brasileira, mesmo que o feixe de referências do cinema estrangeiro seja uma constante. Sob a direção de Anderson Côrrea, criação e produção de Carla Albuquerque e texto de Beto Ribeiro, o filme de 98 minutos, lançado em 2020, traz tudo aquilo que os interessados em terror gostam: vultos, sussurros, assombrações e outros elementos do gênero, intercalado com um elenco que, infelizmente, fica devendo no quesito emoção.

A história, também, por mais que seja uma tentativa de capitalizar em torno do terror em nosso território, peca pela fragilidade do texto, haja vista os diálogos clichês e rasos, juntamente com as situações um tanto óbvias. Na trama, Rebeca (Lia Antunes) e Júnior (Fernando Rocha) buscam o endereço de uma casa escolhida para curtirem o final de semana romântico. O que eles não esperavam, no entanto, era o enfraquecimento do GPS, o sumiço do sinal de celular, as situações ominosas que ocorrem a todo instante, somada ao local que não apresenta um cidadão sequer para a retirada de informações que resolvam o problema básico da dupla, isto é, encontrar a tal casa. Depois que conseguem resolver esse pequeno conflito, outras crises se estabelecem.

A noite cai com as suas trevas. Pavorosamente vazia, a cidade ressoa perigo por todos os seus lados. Eles discutem, se desentendem, debatem sobre trivialidades e logo são surpreendidos por um caseiro e seu acompanhante, um rapaz mudo com feições misteriosas. Somado ao encontro inesperado com esses supostos anfitriões, o casal também precisa lidar com a presença de uma entidade sobrenatural, a tal menininha do título, interpretada com eficiência por Giovanna Albuquerque de Sá, personagem que ganha mais presença com a inserção dos efeitos visuais da equipe de Leonardo Campos. Tentativa honesta, mas ainda frágil de investir no entretenimento de terror, espaço de grande nicho na contemporaneidade, produzida pela Medialand, conteúdo que integra a série Muito Além do Medo. Dramaticamente problemático, ao menos há alguns elementos visuais que fazem de A Menininha um material cinematográfico interessante.

Com bom uso da luz, a direção de fotografia de Daniel Arcanjo estabelece um clima acinzentado na narrativa, num trabalho de captação de imagens que também colabora com o constante jogo de luzes e sombras dos espaços concebidos pela direção de arte e cenografia da equipe de Carla Albuquerque, acompanhados da trilha sonora produzida pela Oppuz Music. Ademais, A Menininha é um terror que repele os mais exigentes por entretenimento, despreocupados com ensaios sobre a linguagem do terror em nossa cinematografia. De fato, por ser uma tentativa muito frágil e pecaminosa em requisitos tão básicos, a produção deixa a desejar, no entanto, contribui para o fortalecimento de um gênero cada vez mais firme na cultura brasileira, antes distribuidora exclusiva de produtos internacionais. Ainda há muito o que se desenvolver neste campo de produção e a tentativa em questão não é o ideal, confesso, mas tenta se aproximar, o que já é muito bom.

A Menininha — Brasil, 2020
Direção: Anderson Côrrea
Roteiro: Beto Ribeiro
Elenco: Fernando Rocha, Lia Antunes, Giovanna Albuquerque de Sá
Duração: 90 min.

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