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Crítica | American Horror Stories – 1X03: Drive In

por Kevin Rick
5651 views (a partir de agosto de 2020)

  • Há SPOILERS. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

O terceiro episódio de American Horror StoriesDrive In, acompanha a história do casal adolescente Chad (Rhenzy Feliz) e Kelley (Madison Bailey). Chad quer desesperadamente perder a virgindade, enquanto Kelley está insegura sobre sua primeira vez. Para além dessa premissa simples e sem graça, há – pasmem! – um interessante conceito da narrativa de horror do episódio antológico. Tentando fazer emendas após uma briga, Chad decide levar a moça para ver um filme de terror em um drive-in. Contudo, a obra em destaque, chamada Rabbit Rabbit, é um filme de horror que foi banido do Cinema porque tornava a audiência em assassinos demoníacos.

Apenas o fato do roteiro de Manny Coto não reciclar histórias da série original ganha alguns pontinhos na minha experiência. Todo o episódio tem uma carona de lenda urbana moderna com o teor referencial. Vemos referências ao Cinema dos anos 80, seja as películas de horror, tanto com indicações mais sutis com a obra em si, como a escalação de Adrienne Barbeau (atriz famosa de filmes de horror) e cenas e cenários clássicos do gênero (o drive-in, a sequência do carro embaçado), quanto citações diretas no ato final do diretor do filme sobrenatural. Em cima disso temos as camadas mais atuais e progressistas típicas do Ryan Murphy, especialmente a sexualização de tudo, mas, diferente do primeiro episódio, existe um vínculo bacana para isso dentro do conceito mais amplo de Coto: o horror (e atração) do proibido.

Vemos isso tanto com o filme em questão, como também o sexo, sempre evidenciados ao longo do episódio quase que em conjuntos – até temos uma cena grotesca entre dois personagens coadjuvantes fazendo sexo durante a sessão. O conceito de Coto, se não é um grande exemplo de criatividade, pelo menos apresenta um diferencial de premissa e abraça a proposta de contos semanais do show com mais fidelidade, além de criar uma ligação mais orgânica com a abordagem juvenil e sexual, aparentemente a concepção temática que veremos ao longo da série com base nos três primeiros episódios. Meu problema está justamente… em todo o resto.

O conceito é interessante e tudo mais, mas a execução é pífia. Primeiro que se um episódio de apenas 41 minutos que conta uma história completa consegue ter problemas de ritmo, então existe algo bastante errado. Grande parte de Drive In, especialmente o longo primeiro ato até chegarmos na sessão do filme, dão mais enfoque ao dramalhão desinteressante do casal protagonista do que a lenda urbana em si. Me parece uma abordagem completamente estranha querer dar espaço para desenvolvimento de personagens – ruins, diga-se de passagem – em detrimento da experiência da história de horror, que é (ou deveria ser) a prioridade dentro da proposta antológica episódica.

Notem como o clímax no drive-in é acelerado. Temos algo em torno de 20 minutos – metade do episódio! – tentando criar empatia com o melodrama pobre, e então 5 minutos – aah!!! – focado na lenda urbana. Não faz qualquer sentido estruturalmente para a nossa experiência, além da genérica direção de Eduardo Sánchez em todo o bloco; zero tensão, falta de criatividade com a utilização do cenário (eles batem o carro e depois sobem um corredor!). Fora que o ato final descamba para uma narrativa meio pop com a vingança súbita e o desfecho desconexo com a própria ideia porca de afinidade com os protagonistas.

É preciso dar mérito para o veterano John Carroll Lynch, que deixa toda aquela sequência no trailer menos ridícula com sua narração dos fatos, até com alguns contornos de metalinguagem, mas Drive In continua sendo uma sucessão de escolhas erradas de direção e roteiro que se afastam da narrativa da lenda urbana e a atmosfera do horror, para trazer um conto adolescente genérico e corrido de, claro, sexo. É uma pena, porque Manny Coto tinha uma ideia interessante com o filme proibido, e nas mãos de um cineasta mais hábil talvez teríamos um episódio mais focado no horror, mas aí são divagações minhas. Um conceito curioso, uma execução patética e um desfecho que desanima para os próximos episódios.

American Horror Stories – 1X03: Drive In | EUA, 22 de julho de 2021
Criação:
Ryan Murphy, Brad Falchuk
Direção: Eduardo Sánchez
Roteiro: Manny Coto
Elenco: Rhenzy Feliz, Madison Bailey, Ben J. Pierce, Naomi Gorssman, Leonardo Cecchi, Kyle Red Silverstone, Amy Grabow, Adrienne Barbeau, John Carroll Lynch, Brandon Papo
Duração: 41 min.

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