Crítica | Arrow – 8X01: Starling City

  • spoilers. Leiam, aqui, as críticas das temporadas anteriores.

Quem acompanha minhas críticas das temporadas de Arrow aqui no site sabe que tenho poucas coisas boas a dizer sobre a série que inaugurou o Universo Televisivo DC da CW e, por isso, podem estranhar críticas por episódios do que promete ser o derradeiro ano do Arqueiro Verde como o conhecemos. Não obstante, aqui estou a pedidos de leitores e também em reconhecimento à desbravadora de mares que realmente essa série é. Ajuda muito que a temporada final terá apenas 10 episódios e será toda ela bem amarrada ao grande crossover anual Crise nas Infinitas Terras. E, claro, a insuportável Felicity Smoak não aparecerá, o que sempre é um bônus…

E não tenho como começar de outra maneira que não pelo conceito da prometida adaptação de uma das mais importantes maxisséries em quadrinhos da DC Comics. Sinto uma certa tristeza ao pensar que Crise poderia – deveria! – ser a culminação do Universo Cinematográfico DC, mas que a clássica HQ está sendo “gasta” em uma versão para as telinhas que, a julgar pelos crossovers anteriores, deixará a desejar e parecerá mais algo que fãs poderiam fazer melhor com iPhone e cosplay. Não revirem os olhos não, pois vocês sabem, mas não querem reconhecer, que a CW faz um trabalho abaixo da média em praticamente todas as suas séries e que os crossovers são fan services puros feitos na base de roteiros pobres e mal-ajambrados que arrumam qualquer desculpa para reunir os diversos heróis e vilões que povoam esse universo em uma história que é tudo, menos coerente. A única diferença é que Crise ganhará mais tempo de maturação por ocupar (acho que) toda a temporada de Arrow e episódios soltos de The Flash e potencialmente outras séries, o que promete vantagens narrativas, o que me deixa cautelosamente otimista.

Dita a verdade que ninguém quer ler, Starling City nos reapresenta a Oliver Queen que, agora, é um trotador do multiverso a mando do Monitor, misteriosa figura que já ganhou destaque no crossover anterior, Elseworlds. Sua primeira parada (ou pelo menos a primeira parada que vemos) é a Terra-2, em que ele finge ser o Oliver que ficou 12 – não cinco – anos em Lian Yu, retornando para casa mais sábio e com uma agenda muito específica: roubar um MacGuffin para seu chefe.

Com isso, um novo status quo nós é apresentado a toque de caixa, com Malcolm Merlyn casado com sua mãe (que ainda vive), Thea morta por overdose, Tommy vestindo o traje do Arqueiro Negro e Adrian Chase o de Capuz, por sua vez fazendo par com a Canário Negro dessa Terra. A correria é hilária, com direito a algo como 10 reviravoltas óbvias por minuto, diálogos que são de trincar os dentes de tão ruins (criticar por episódio torna isso ainda mais evidente e doloroso) e momentos constrangedores como toda a interação de Oliver com Tommy graças às latitudes dramáticas semelhantes às de maçanetas dos dois ou a “adaptação” de Oliver à vida na cidade grande depois desse tempo todo distante. Diria que o único personagem que consegue ser minimamente interessante é Chase, pois Josh Segarra sabe passar de maneira inadvertidamente hilária toda a sua indignação por ter um copiador de “seu” uniforme andando pela cidade (porque claro, Oliver tem que se fantasiar de Arqueiro, com direito a máscara e tudo, para roubar o que tem que roubar).

Mas não é só de Terra-2 que vive o episódio, pois os flashforwards para 2040 que atrapalharam a temporada anterior estão de volta com força total e na mesma velocidade frenética das sequências no presente. Vemos Mia Smoak fazer biquinho, Connor Hawke dar ordens para o vazio e Zoe Ramirez aparecendo de vez em quando em frente às câmeras sem saber muito bem o que fazer, todos em uma missão para salvar um empresário das garras do Exterminador desse tempo, John Diggle Jr. em uma história cuja única graça é constatar o quão sem graça é.

Em ambos os momentos espaço-temporais a ação é genérica, com coreografias que se repetem ad nauseam, uma fotografia sombria, mas brilhante que tenta dar gravidade às sequências, só conseguindo realmente tornar tudo escuro (e brilhante). Como se isso não bastasse, a desconexão entre as histórias continua exatamente como na temporada anterior, o que narrativamente é um tiro no pé e péssima técnica de roteiro. Sim, tenho consciência de que os showrunners, alguma hora, durante a Crise, reunirão as linhas temporais ou algo para o mesmo efeito, já que, a julgar pelo final do episódio e pelo tema da HQ de 1985-1986, haverá a eliminação de muitos – se não todos – universos paralelos, restando apenas um ou dois com personagens de Terras diferentes “morando juntos” na mesma Terra sobrevivente. Mas isso não é desculpa para termos mais uma temporada inteira que conta histórias soltas, desconectadas e perdidas, com a única reunião temática sendo a sempre repetida e nunca alcançada salvação da cidade.

Starling City parece indicar que a temporada será na base do “universo paralelo da semana”, com Oliver Queen, John Diggle e Canário Negro (da Terra-2) servindo de lacaios para assuntos aparentemente aleatórios do Monitor enquanto a segunda geração de heróis, lá em 2040, bate cabeça com uma história própria que continua a cansada narrativa da temporada anterior. Ou seja, nada de verdadeiramente novo sob o sol. Ó vida…

Arrow – 8X01: Starling City (EUA, 15 de outubro de 2019)
Showrunners: Marc Guggenheim, Beth Schwartz
Direção: James Bamford
Roteiro: Beth Schwartz, Marc Guggenheim
Elenco: Stephen Amell, David Ramsey, Katherine McNamara, Ben Lewis, Joseph David-Jones, LaMonica Garrett, Katie Cassidy, Charlie Barnett, Rick Gonzalez, Juliana Harkavy, Colin Donnell, Josh Segarra, John Barrowman, Susanna Thompson
Duração: 42 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.