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Crítica | Ataque dos Titãs (Attack on Titan) – 4X04: De Uma Mão à Outra

por Kevin Rick
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De Uma Mão à Outra

  •  spoilers. Leiam, aqui, a crítica dos episódios anteriores.

De Uma Mão à Outra é o último episódio antes do hiato, e como já esperado de capítulos lançados antes de pausas, na velha jogada de marketing, De Uma Mão à Outra é composto por 20 minutos de muita elaboração subsequentes, com um quê de enrolação narrativa e um tremendo cliffhanger. Confesso que me decepcionei um pouco com a escolha cautelosa da Mappa para segurar a audiência na virada do ano e no pequeno intervalo sem lançamento, especialmente por já terem usado Eren como gancho no terceiro episódio, mas consigo entender o critério habitual usado.

Por causa da precaução do estúdio, não se têm muito o que dizer do quarto episódio da temporada final, que é basicamente uma reiteração de temáticas usadas anteriormente com a adição de um tom mais cômico e descontraído antes da comum tragédia que estamos acostumados na série. Isso não significa que o novo capítulo seja fraco, muito longe disso, pois o roteiro continua encontrando novas maneiras de apresentar essa diferença racial em Marley. Gosto bastante dos dois núcleos usados por Isayama para continuamente dialogar sobre o preconceito, sendo o primeiro deles as crianças Titãs, juntamente com os atuais Titãs, novamente utilizados na verdade, mas com uma exposição mais descompromissada. A cena dos garçons é provavelmente a mais carregada de significados, afinal, os possíveis futuros candidatos à heróis militares de Marley são tratados como mero serventes, que sequer podem ter o direito de errar na noite burguesa dos esnobes marleyanos. São críticas sociais já vistas, mas é interessantíssimo a exibição de um desfecho – até aqui, claro – com uma nota mais otimista para os infantes. A própria divisão do término do episódio após o festival, posteriormente com um pós-crédito, fomenta o fechamento de ciclo dos personagens que protagonizaram a história até aqui. Claro que é um fechamento entre aspas, mas o belíssimo teor esperançoso é um ótimo contraste com a tristeza que veio antes e a calamidade na posteridade. Nada que é bom dura muito tempo em Attack on Titan

Dito isso, o segundo núcleo, que também é a melhor trama do episódio, ocorre ao redor da família Tybur, uma casa de nobres Eldianos, os únicos com o tal “sangue de demônio” acima até mesmo dos ricaços de Marley. É mais um artifício intrigante usado pelo autor, demonstrando como o discurso de ódio é apenas uma desculpa para a sustentação do status quo de linhagens abonadas financeiramente e de um governo tirânico que preocupa-se apenas com seu poderio bélico. E dentro dessa nova abordagem, acredito ser notável as ideias do comandante do esquadrão de guerreiros, Theo Magath, que em sua curta aparição, apresenta visões curiosas da sociedade marleyana na sua tese crítica à sua própria nação.

Esses quatro episódios representam muita bem o “outro lado” da guerra milenar que estamos lentamente descobrindo fatos históricos e motivações. A temporada anterior nos apresentou à terrível sociedade marleyana, mas o início da temporada final funciona como um mini-arco, reunindo um tremendo estudo identitário e estrutural da nação “inimiga”, navegando muito bem na veracidade e melancolia de eventos ancestrais com a realidade atual, que, aliás, é também formidavelmente exposta num curto diálogo de Eren com um certo senhor que carrega cicatrizes passadas. Justamente por ser um episódio “ponte”, repetindo temáticas e preparando ações futuras, esse capítulo de Attack on Titan sofre de ritmo e impulso narrativo, mas faz seu trabalho de preparação perfeitamente.

Attack on Titan – 4X04: De Uma Mão à Outra (進撃の巨人, Shingeki no Kyojin – 手から手へ / Te kara Te e, Japão, 28 de Dezembro de 2020)
Criado por: Hajime Isayama
Direção: Tetsuaki Matsuda
Roteiro: Hajime Isayama, Hiroshi Seko
Elenco:  Takehito Koyasu, Yoshimasa Hosoya, Ayane Sakura,  Natsuki Hanae, Toshiki Masuda, Manami Numakura, Yûmi Kawashima, Ayumu Murase, Masaya Matsukaze, Jirô Saitô, Tôru Nara, Yû Shimamura, Yûki Kaji, Kazuhiro Yamaji
Duração: 24 min.

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