Home QuadrinhosEm Andamento Crítica | Batman: Os Três Coringas #2

Crítica | Batman: Os Três Coringas #2

por Luiz Santiago
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SPOILERS!

Batman: Red Hood’s not a criminal, Jim.
Batgirl: Yes. He is.

Assim que terminei a leitura dessa segunda edição de Os Três Coringas, fiquei tentando encontrar um verdadeiro ponto narrativo que valesse a edição. No capítulo anterior da minissérie, a despeito das já esperadas pontas soltas e narrativas apenas sugeridas, prontas para serem desenvolvidas adiante, havia um claro intento dramático, uma história acontecendo. Já aqui, o roteiro de Geoff Johns consegue de um lado manter algo muito interessante em relação à escrita para a batfamília, ao mesmo tempo que se deixa levar por diálogos estranhos como aquela rua de lamentações diretas e indiretas entre Barbara e Bruce, indo em busca do Capuz… em algum lugar.

Mas ok, a trama é sobre os Coringas, não? Sim, é! E por isso mesmo essa edição tem um grande problema. Enquanto na estreia da minissérie o autor optou por fazer uma apresentação ao mesmo tempo misteriosa e objetiva, interessante, com um final ainda mais chamativo, esta edição do meio basicamente nos colocou no andamento de uma investigação e ao alcance de algumas consequências da violência na vida de Batgirl e Capuz Vermelho, mas e aí? Uma certa “quebra” no “Paraíso dos Coringas”, como aquela cena de jantar no início da revista — interessante como proposta, mas vaga, por não ter sido explorada — pareceu-me uma tentativa de dar alguma pista ou avançar com essa história sobre os personagens, porém… nada pareceu chegar a algum lugar.

Os planos dos Coringas para enlouquecerem outras pessoas, buscarem um substituto perfeito ou algo do tipo, parece a “versão oficial” de uma ação fixa do personagem que tivemos ao longo dos anos. O grande gerador do caos, da confusão, da dor, agora com um objetivo bem preciso. Mas à parte a fantástica arte de Jason Fabok, que aqui está cheia de boas piadas visuais e medonhas demonstrações dos crimes do Palhaço, temos um intenso nó dramático que talvez dê um certo trabalho para desatar na edição final. Questões emocionais que ligam Jason Todd a Bruce e Barbara ganham aqui uma forte marca e, ao que parece, fazem parte daquilo que Johns imagina para o final. Resta a dúvida: o rapaz vai morrer de novo ou teremos um dilema ético sem resolução?

Para piorar um pouco o peso da conclusão, foi confirmado em meados de setembro, pelo próprio Geoff Johns, que esta é uma série canônica. E por mais que eu ainda mantenha a minha opinião em relação aos leitores simplesmente curtirem essa história pelo que ela é, tal confirmação gera uma responsabilidade e uma importância maior para o projeto, não acham? Porque a partir de agora não estamos falando de uma Terra paralela ou algo do tipo. E se essa mudança for mesmo levada a sério, é fato que as histórias da DC a partir daqui, dentro ou fora do selo Black Label, terão influências fortes em toda a linha de produção de aventuras envolvendo o Batman.

Torço para que o encerramento de Os Três Coringas seja pelo menos no nível da abertura da minissérie, com uma história que mostre algo novo e interessante a respeito do personagem, ou pelo menos ofereça uma leitura diferente para aquilo que já sabemos dele. Esse vazio cheio de elementos psicológicos que marcam a presente edição atrapalhou a trama, mas ainda é possível encerrá-la com algo palpável e verdadeiramente bom. Será que vai?

Batman: Three Jokers #2 (Setembro de 2020)
Roteiro: Geoff Johns
Arte: Jason Fabok
Arte-final: Jason Fabok
Cores: Brad Anderson
Letras: Rob Leigh
Editoria: Mark Doyle, Amedeo Turturro
54 páginas

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