Crítica | Black Lightning – 1X11: Black Jesus: The Book of Crucifixion

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Há SPOILERS do episódio e da série. Leia, aquias críticas dos outros episódios e, aquias críticas das HQs.

Uma forma muito boa de um roteiro criar no espectador uma grande tensão, é trabalhar com injustiças sociais ou quaisquer conceitos que possam ser discutidos sob mais de um ponto de vista, tornando o enredo envolvente dentro de seu próprio núcleo. E é exatamente nisto que o texto de Melora Rivera faz neste Black Jesus: The Book of Crucifixion, onde vemos Jefferson acusado de ser traficante, uma das formas que a ASA encontrou para levá-lo preso e confirmar se ele era o Raio Negro ou não. Este é o tipo de narrativa que qualquer ação em falso do personagem pode colocar tudo a perder.

De certa forma, trata-se de um episódio um tantinho atípico da série, mas isso não significa que ele é ruim. Ao contrário. Quando a vice-diretora Kara (Skye P. Marshall) coloca em prática o plano de armar para Jefferson o tráfico da droga Green Light na escola, dá-se início a uma interessante tentativa de Tormenta e Gambi livrá-lo das acusações — além de uma quase-revelação de Rajada, sob pressão. A proposta acaba funcionando e, novamente, faz com que os personagens aumentem a sua camada de desenvolvimento. Ainda assim, o capítulo entrega menos do que deveria a respeito das cobaias mantidas pela Agência Secreta do governo, um tratamento que nos faz temer pelos dois episódios que ainda virão, pois se anuncia uma certa correria, o que deve ser imperdoável para uma série com 13 episódios para avançar em sua narrativa principal.

Mas existem algumas formas de fugir da correria na conclusão. E a chave está nisso que o diretor Michael Schultz (também de Black Jesus) nos trouxe aqui. Criar uma história que se conecte às raízes dramáticas de todo o serial (sem aquela bobagem aleatória e sem sentido, pelo menos até agora, de Lala — e digo mais: a não ser que se trate de algo que ligue com perfeição todos os episódios ou a jornada do personagem, este será o grande tropeço da temporada), colocar os personagens em cena tendo versões distintas de si mesmos e dar algumas dicas sobre o que deve estar acontecendo não, é algo fácil de se dirigir, já que as variantes dramáticas são muitas e é preciso ter cuidado para não tornar o episódio uma saga de caminho único. Schultz no entanto, assume a “ação” como gênero principal e vai colocando aos poucos os momentos de drama pessoal e os momentos familiares, que, exceto pelas cenas em que os personagens estão comendo (todas me parecem muito frustrantes), funcionam bem.

Pensando que falta pouco para o término da temporada, ficamos esperando aqui algumas coisas que já fazem sentido serem cobradas: onde está Tobias e como se dará sua relação final com Os 100?; o que está acontecendo com Lala? — novamente: será preciso um baita esforço narrativo para fazer essa bobagem se tornar algo bom e/ou interessante –; e os poderes de Jennifer?; e o futuro de Gambi e da ASA?; como será dado o desfecho para as cobaias? Todas as dúvidas ligadas a blocos trabalhados em maior ou menor qualidade ao longo do ano. Tendo sido renovada para uma Segunda Temporada na primeira semana de abril de 2018, qualquer que seja o caminho utilizado pelos criadores agora terá um impacto a longo prazo. Que não façam feio para este primeiro ano da série e nem joguem uma bomba para o próximo ano. Oremos.

Black Lightning – 1X11: Black Jesus: The Book of Crucifixion (EUA, 2018)
Direção: Michael Schultz
Roteiro: Melora Rivera
Elenco: Cress Williams, China Anne McClain, Nafessa Williams, Christine Adams, Damon Gupton, James Remar, Skye P. Marshall, Crystal Lee Brown, Anthony Reynolds, Regina Ting Chen, Kyanna Simone Simpson, Vanessa Aranegui, Josh Henry, Tommy Kane
Duração: 43 min.

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.