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Crítica | Chicago Med: Atendimento de Emergência – 7ª Temporada

Investigações em torno de propinas e outras ilegalidades envolvendo a saída de médicos do hospital demarcam o sétimo ano do drama médico.

por Leonardo Campos
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A sétima temporada de Chicago Med: Atendimento de Emergência, uma das produções emblemáticas do universo criado por Dick Wolf, foi marcada por significativas mudanças na narrativa e na dinâmica entre os personagens. Exibida entre 2021 e 2022, essa temporada foi composta por 22 episódios que abordaram não apenas questões médicas, mas também dilemas éticos e pessoais que desafiaram os profissionais da saúde na fictícia Chicago. A despedida da Dra. Natalie Manning, interpretada por Torrey DeVitto desde a primeira temporada, foi um dos pontos altos da trama, refletindo a transitoriedade das relações humanas em um ambiente de trabalho intenso e emocionalmente desgastante. Sua jornada em desgaste clama pela nova caminhada para a personagem que aqui, segue novos rumos. Em paralelo, a investigação de propinas ilegais de um fabricante de equipamentos médicos trouxe à tona questões éticas críticas, colocando à prova os valores que sustentam o funcionamento do hospital e revelando um lado obscuro que poderia comprometer suas operações.

Sob a direção de Sharon Goodwin, interpretada por S. Epatha Merkerson, a série explora a luta constante para manter a integridade do hospital diante de pressões externas e internas. Sharon se vê envolvida em uma investigação intensiva que revela práticas ilegais que ameaçam não apenas a reputação do hospital, mas também os princípios éticos que ela tanto defende. Ao mesmo tempo, sua saúde começa a declinar, evidenciando o estresse e a pressão associados à sua posição. Essa dualidade entre responsabilidade e fragilidade é um tema recorrente na série, e a presença de Sharon traz um sensível equilíbrio entre liderança firme e vulnerabilidade humana, permitindo que o espectador se conecte emocionalmente com a personagem, uma das melhores do drama médico, figura que, apesar de sua força, enfrenta desafios de saúde bastante reais. As tonturas que a afetam simbolizam não apenas o desgaste físico, mas também o peso das decisões que ela deve tomar em prol do bem coletivo do hospital.

A sétima temporada também foi um catalisador para a mudança na equipe de emergência, refletindo a transição e o crescimento dos personagens. A demissão de Will Halstead (Nick Gehlfuss) e a licença de Ethan Choi (Brian Tee) após um incidente traumático adicionaram uma nova dimensão ao drama, apresentando um cenário em que a equipe precisou se adaptar rapidamente a novas realidades e desafios sem os seus membros mais experientes. Além disso, a saída de April (Yaya DaCosta) e a ausência de Natalie criaram um vácuo que exigiu que os personagens remanescentes se fortalecessem e se unissem para enfrentar as adversidades. Esse despovoamento da equipe inicial trouxe uma nova dinâmica para a série, forçando personagens como Will e Ethan a reconsiderarem suas funções e identidades dentro do hospital, enquanto os novos rostos e desafios introduzidos no enredo injetaram uma energia renovada na narrativa. Essa reinvenção da equipe refletiu uma necessidade dos roteiristas de revitalizar a série, buscando um ritmo mais dinâmico que se alinhasse a um drama médico contemporâneo.

Além do enfoque nas investigações éticas e nas questões de saúde, a série se beneficia de um enredo mais ágil e dinâmico que se distancia das tramas excessivamente dramáticas que caracterizaram a temporada anterior. As subtramas menos desenvolvidas em torno dos romances e conflitos interpessoais que antes sobrecarregavam a narrativa foram simplificadas, permitindo que o foco voltasse para os desafios profissionais e o cuidado ao paciente que são a essência do gênero. Por meio dessa escolha narrativa, a série reafirma seu compromisso com a representação autêntica do trabalho nas salas de emergência, destacando o impacto emocional e físico que a profissão causa aos médicos e enfermeiros. A abordagem das realidades difíceis enfrentadas pelos profissionais de saúde, em meio a um clima de incerteza e mudança, torna a narrativa não só envolvente, mas também socialmente relevante, ao engajar o público em um diálogo sobre a ética e a responsabilidade no setor de saúde.

Nesta sétima temporada, a estreia trouxe casos intrigantes e desafiadores que destacaram o talento da equipe médica. O Dr. Charles, interpretado por Oliver Platt, se destacou ao tratar de gêmeas que funcionavam quase como uma única unidade, revelando tanto a complexidade do caso quanto a habilidade do médico em lidar com situações emocionais delicadas. Outros casos também capturaram a atenção, como o tratamento de uma criança com anemia falciforme e a complexa dinâmica entre o marido de uma paciente, que é um importante doador do hospital, que se comporta de maneira inadequada em relação à equipe. Essa variedade de situações mostrou a tensão e os dilemas éticos enfrentados por médicos no ambiente hospitalar.

Além dos casos principais, a temporada explorou questões éticas e morais mais profundas. Um médico encontrou-se em um dilema político ao atender um paciente que tinha laços com um dos colegas, enquanto outro personagem enfrentou um encontro desconfortável ao reconhecer o pai de sua paciente, um ex-criminoso que ele havia prendido por violência doméstica. Assim, surgem suspeitas sobre se os ferimentos da menina foram acidentais. A produção também abordou a complexidade do autismo severo e as mentiras de um filho sobre os ferimentos do pai, ilustrando a difícil realidade que a equipe médica enfrenta ao tratar não apenas a doença, mas também as dinâmicas familiares e sociais que a cercam. Esses elementos, somados à habilidade dos personagens, reafirmam a riqueza dos enredos da série.

Em conclusão, a sétima temporada de Chicago Med: Atendimento de Emergência não apenas trouxe mudanças significativas na estrutura da série, como também abordou temas de relevância crucial, como ética médica e saúde mental. A investigação sob a liderança de Sharon Goodwin e a transformação da equipe de emergência refletem os desafios enfrentados tanto pelas instituições de saúde quanto pelos indivíduos que nelas trabalham. À medida que os personagens lidam com crises pessoais e profissionais, o público é lembrado da importância desses profissionais, que, muitas vezes, se sacrificam em prol do bem-estar dos outros. Com um enredo mais dinâmico e direto, essa nova fase da série conseguiu não só revitalizar sua narrativa, mas também reafirmar seu lugar no coração dos espectadores, mostrando que, em um ambiente que constantemente exige o melhor de todos, a resiliência e a ética podem prevalecer. Por fim, as mudanças impostas na história reafirmam que, ao lidar com a vida e a morte, cada decisão e cada vida poupada tem seu valor inestimável, tornando o drama médico uma poderosa reflexão sobre o ser humano e suas complexidades. Em linhas gerais, uma boa temporada.

Chicago Med: Atendimento de Emergência – 7ª Temporada (Chicago Med, Estados Unidos/2021-2022)Criação: Matt Olmstead, Dick WolfDireção: VáriosRoteiro: VáriosElenco: Nick Gehlfuss, Yaya DaCosta, Torrey DeVitto, Brian Tee, Marly Barrett, S. Epatha Merkerson, Oliver Platt, Colin DonnellDuração: 43 min. (Cada episódio – 22 episódios no total)

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