Crítica | Dampyr: Os Rebeldes

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Esta 14ª edição de Dampyr, intitulada Os Rebeldes, se assemelha bastante à estreia do personagem na Bonelli, em O Filho do Vampiro. Nas duas ocasiões, Harlan Draka está em um ambiente de guerra, espaço onde duas naturezas violentas se chocam: a dos militares em um contexto de embate civil e a dos vampiros numa trilha de sangue e dominação.

O roteiro de Mauro Boselli nos leva para as montanhas do Cáucaso, nas ruínas de Djovkhar e nas aldeias vizinhas, onde Os Especiais — soldados que matam, indiscriminadamente, combatentes e civis — seguem em uma insana busca por inimigos que estão dilacerando integrantes do grupo de maneira misteriosa. No meio de toda essa barbárie, uma equipe dos Médicos Sem Fronteiras tentam salvar vidas. E como bem coloca a sinopse oficial da história, nas passagens subterrâneas da cidade destruída, “Os vampiros de Djovkhar” vigiam na escuridão…

Boselli tem um estilo muito particular de trabalhar histórias de ação com forte apelo dramático (às vezes até melodramático) e doses emotivas, sem perder o foco. Aqui, ele faz isso de maneira exemplar. Seu texto só demora um pouquinho para engrenar, mas quando isso acontece, o leitor está completamente dentro dessa luta pela vida, observando como funcionam as coisas nas cidades cercadas por guerrilheiros de diferentes ideologias e com resultados péssimos para todos, roubando a infância e a vida de muitas crianças, despedaçando corpos, extinguindo famílias. E diante disso o autor fez muito bem em não dar toda a atenção que se esperava à presença dos vampiros. Aliás, eles têm sim atenção, mas o roteiro conduz essa presença de uma forma inesperada, mostrando quem são, de verdade, os monstros nesse terreno.

Há uma boa quantidade de referências a momentos anteriores da saga, desde citação a Caleb Lost até pequenas referências a aventuras e ações dos personagens em conflitos semelhantes. Os vampiros dessa região são denominados upyr e é em torno dessa lenda que Harlan, Tesla e Kurjak trabalham, sendo ajudados, no final, por um grupo de combatentes mirins. É uma cena triste, pesada e emocionante ao mesmo tempo, algo que a arte de Stefano Casini consegue capturar muito bem, especialmente nas cenas de enfrentamento.

Manual do Vampirólogo nesta edição também traz informações bacanas sobre a mitologia dos vampiros, falando sobre o mais antigo texto do gênero (um texto babilônico sobre os etimmé, demônios noturnos sugadores de sangue), sobre os aluka (literalmente, chupa-sangue) para os hebreus e alguns outros nomes de criaturas da noite. Com uma cruel reflexão sobre aquilo que chama atenção na mídia e o que a mídia despreza quanto às “tragédias humanitárias”, Os Rebeldes consegue ao mesmo tempo criar algo horrendo e que faz jus a um quadrinho intitulado Dampyr, tudo isso fugindo das obviedades. Mais uma excelente história desta série de lutas contra o mal nem sempre sobrenatural.

Dampyr #14: Os Rebeldes (I ribelli) — Itália, maio de 2001
Editora original: Sergio Bonelli Editore
No Brasil: Editora 85 (2018)
Roteiro: Mauro Boselli
Arte: Stefano Casini
Capa: Enea Riboldi
100 páginas

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.