Crítica | Patrulha do Destino – 1X01: Pilot

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  • Há SPOILERS. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

Em fevereiro de 2018, um ano antes da estreia de Doom Patrol, Geoff Johns falava à Entertainment Weekly sobre o quarto episódio da série Titans, que ele mesmo escrevera e que estrearia no segundo semestre. Ali estavam lançadas as sementes para o que seria o “spin-off” de Titans, a Patrulha do Destino, grupo bizarro de heróis criados por Arnold Drake e Bob Haney (roteiro) e Bruno Premiani (arte), na edição #85 da revista My Greatest Adventure. Os meses finais de 2018 e o início de 2019 serviram para que a DC fizesse a divulgação do show, este, mais um projeto arriscado dessa nova fase da empresa, numa tentativa firme (e tardia, se comparada aos concorrentes) de marcar território com séries próprias em seu serviço de streaming, o DC Universe, sob tutela da DC Entertainment juntamente com a Warner Bros. Digital Networks.

O comando do show foi entregue a Jeremy Carver (também roteirista deste primeiro episódio), mais conhecido por seu trabalho como produtor de Being Human e, principalmente, Supernatural. Com uma promessa de manter a loucura das HQs (e sim, os quadrinhos da Patrulha do Destino são muito, muito loucos), a série estreou com um inesperado louvor por parte da crítica internacional e, como se não bastasse, com uma simpaticíssima recepção por parte do público, sendo todas essas reações mais do que merecidas. De fato, Pilot é a excelente introdução de um Universo, trabalhando de maneira cuidadosa certas caraterísticas da nona arte e fazendo com que tomassem o seu verdadeiro caminho na TV. Aqui, não vou dedicar tempo falando das questões óbvias que permeiam uma adaptação. Deixarei apenas a regra de ouro que jamais deve ser esquecida: adaptar não é copiar!

Um primeiro aspecto que chama a atenção aqui é o modo narrativo em off, com quebra de quarta parede, algo que adiciona um elemento humorístico e é utilizado na medida certa por parte do texto, sem se sobrepor aos eventos do episódio e ajudando a história a se organizar e se completar, especialmente quando a vida pregressa do Homem-Robô (Clifford “Cliff” Steele), da Mulher-Eslástica (Rita Farr) e do Homem-Negativo (Lawrence “Larry” Trainor) é apresentada. Nessa linha, deve-se elogiar o princípio narrativo para cada um dos flashbacks, onde vemos uma recusa do autor em seguir exatamente o mesmo padrão para voltar ao passado e onde cada ponto positivo e negativo dos futuros heróis são apresentados, em cenários com tratamentos fotográficos sob um mesmo filtro de cor, mas com saturação diferente para cada década/evento, dando uma aparência visual em tudo coerente (mas não adotando a técnica de total rompimento) em todos esses casos.

O fato de os três heróis previamente citados terem tido uma real atenção do texto não é mera coincidência ou erro, como incautos podem pensar. Rita, Cliff e Larry foram, ao lado do Chefe, a Patrulha do Destino original. Era canonicamente imprescindível que eles tivessem maior destaque em uma transposição da equipe para  TV, exatamente como aconteceu nessa estreia. A chegada de Crazy Jane vem para fechar as apresentações do lado dos mocinhos (ainda falta Cyborg, que deve vir no próximo episódio ou até mais pra frente) e sua colocação faz jus à personagem e à dinâmica de “interrupção da paz entre freaks“, o que seria uma boa denominação para a atmosfera dominante na reta final do episódio.

Assim como fora no episódio da Patrulha em Titans, a direção de arte para o cenário com essa equipe é um verdadeiro primor, tendo também a fotografia dado o tom certo de isolamento, claustrofobia e, paradoxalmente, de segurança para os Patrulheiros. Sem pesar a mão em sombras ou tons o tempo inteiro frios, o fotógrafo escolheu dar uma impressão ligada ao humor dos heróis, chegando a uma concepção geral um pouquinho diferente do que a gente está acostumado em séries, mas com um resultado altamente positivo. Depois da jornada de apresentação e da criação de um bom arcabouço de emoções para o grupo, vemos a chegada de um desafio pessoal para cada um deles (sair de casa) e o encontro com o vilão da temporada (ou um deles?), o Sr. Ninguém (Mr. Nobody / Eric Morden, interpretado por Alan Tudyk).

É muito bom ver um Universo dos quadrinhos bem retratado nas telinhas. Patrulha do Destino começa com o pé direito, tendo apenas um estranho ritmo na sequência de encerramento, e deixa claro que se os enredos da temporada forem tão coesos em relação à narrativa e ao trabalho de direção — aliás, o elenco está tinindo, entregando exatamente o que se esperava para esses tipo estranho de personagens — então teremos mais uma baita série de heróis para acompanhar. Eis a hora e a vez dos estranhos assumirem o controle.

Doom Patrol – 1X01: Pilot (EUA, 15 de fevereiro de 2019)
Showrunner: Jeremy Carver
Direção: Glen Winter
Roteiro: Jeremy Carver
Elenco: Matt Bomer, April Bowlby, Timothy Dalton, Brendan Fraser, Joivan Wade, Diane Guerrero, Vailana Antonucci, Daniel Baldock, Justin James Boykin, Jwaundace Candece, Matthew Carter, Kyle Clements, Ashley Dougherty, José Alfredo Fernandez, Monique Yvette Grant, Katie Gunderson, Riley Shanahan, Alan Tudyk, Matthew Zuk
Duração: 60 min.

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.