Home FilmesCríticasCatálogos Crítica | Doze Homens e Uma Sentença (1957)

Crítica | Doze Homens e Uma Sentença (1957)

por Marcelo Sobrinho
835 views (a partir de agosto de 2020)

Sou uma daquelas pessoas que defendem que, mesmo que o roteiro de um filme não seja tudo, ao menos sem um bom roteiro, um filme não é nada. Uma das críticas mais polêmicas que escrevi para o Plano Crítico – a de Dunkirk – se pautou essencialmente sobre esse princípio e não foi bem compreendida por muitos, embora eu tenha feito uma longa argumentação a respeito. Na outra ponta da questão, podemos encontrar um seleto grupo de filmes em que o roteiro é a grande arma, carregando nas costas quase todo o processo de narração. Doze Homens e Uma Sentença, um dos grandes clássicos da história do cinema e o longa-metragem mais destacado de Sidney Lumet, é para mim o maior desses exemplos. Ouso ir além e dizer que é o mais extraordinário roteiro que a sétima arte já produziu, ainda que não se possa ignorar a qualidade da direção de Lumet e as grandes interpretações do elenco (com destaque sempre a Henry Fonda). Mas seria possível dirigir tão bem e o elenco estar tão afinado sem um material prévio tão eficiente? Pergunta meramente retórica que nos conduz de volta à minha tese inicial.

O caso de Doze Homens e Uma Sentença é bastante especial pois o próprio formato do filme já exige o mais inspirado dos roteiros. Como manter o interesse do público pelo caso que os doze homens debatem em uma mesma sala ao longo de 96 minutos de projeção? Como evitar que toda a argumentação a favor ou contra o réu se tornasse fácil ou repetitiva? Como não cair na esparrela de transformar a discussão em mero embate maniqueísta, em que um único homem bondoso tenta salvar um jovem inocente de uma justiça cruel e insensível? Como se vê, não faltaram armadilhas no caminho que o filme escolheu para si mesmo e o mais impressionante é que o roteiro de Reginald Rose consegue evitar cada uma delas. Penso que a questão precípua de Doze Homens e Uma Sentença passa bem longe de tudo isso. No começo, o espectador está tão envolvido quanto os próprios jurados com a resposta que parece ser o mote do longa-metragem – o menino é culpado ou inocente? Mas o trabalho do roteiro em afastar-se dessa simples resposta é magistral e o público compreende isso à medida que a narrativa avança.

O filme não nega seu gênero. Na abertura, a câmera de Lumet executa um tilt para cima para demonstrar a imponência da fachada do tribunal, com suas portentosas colunas, o que metaforiza a própria grandiosidade da Justiça e seu poder sobre os homens. A seguir, executa outro tilt, esse para baixo, abandonando a magnanimidade da Lei para vislumbrar os homens que a executam, com toda a sua falibilidade. Sim, é óbvio que estamos dentro do gênero de tribunal e a direção não só nos insere logo nele como o faz de modo brilhante. Mas a questão é que Doze Homens e Uma Sentença é poderoso o suficiente para transcender seu próprio gênero e, assim, se debruçar sobre um tema ainda maior. O longa-metragem de Lumet estuda muito mais a relação dos homens com suas crenças do que propriamente busca resolver o caso criminal em questão. Esse não é um filme sobre o veredito final, mas sobre os homens que o produzem e, especialmente, sobre o modo como o produzem. Uma obra muito mais sobre os meios do que sobre os fins.

O mais emblemático filme de Sidney Lumet, que ganharia uma refilmagem quarenta anos depois, é uma verdadeira aula sobre argumentação e lógica. O roteiro vai pouco a pouco expondo os procedimentos mais perniciosos que se usam para se defender uma ideia. Eles vão desde o apelo ao bem (quando um jurado exclama “Eu só quero colocar um assassino na cadeia!”) até o flagrante uso do viés de confirmação (quando os jurados se agarram desesperadamente às evidências que sustentam sua tese, mas ignoram de forma deliberada aquelas que a desmontam). Quando todas essas tentativas se esgarçam e começam a falir, as certezas tão mal-ajambradas dos doze homens começam a dar lugar a falas inteiramente novas, como a de outro jurado, que se defende: “Não acho que eu tenha que ficar fiel a um ou outro lado. Só estou fazendo perguntas.”. Aparece assim algo medular em Doze Homens e Uma Sentença. Algo que transformará aqueles homens de modo brutal e irreversível. Surge a consciência da dúvida.

A direção de Lumet é certeira quanto a isso. A câmera trata com relevância muito maior os momentos em que os personagens expressam suas dúvidas e reticências sobre suas próprias teorias acerca do crime do que aqueles em que tentam reafirmar suas certezas ensaiadas. É possível notar como o cineasta utiliza planos fechados e muitos travelling in para identificar no rosto dos doze homens como essas dúvidas ora os iluminam ora os corroem. Os primeiros close-ups só surgem quando o jurado mais velho, o primeiro a concordar com o personagem de Henry Fonda, expressa que também não tinha certeza sobre a culpabilidade do réu. O momento surge para ele como uma revelação. Uma epifania. Também uma das cenas mais extraordinárias do longa-metragem é registrada em um longo primeiro plano, quando o jurado mais resistente às próprias incertezas desaba em choro ao finalmente assumi-las. Aqui a atuação de Lee J. Cobb traz à tona um dos momentos mais pujantes e inesquecíveis de toda a história da sétima arte.

O que torna o roteiro de Doze Homens e Uma Sentença tão fabuloso é justamente o fato de permitir que a narrativa se torne mais quente e cativante a cada novo jurado que assume uma hesitação e uma insegurança. É interessante também que o cenário os ajude a confessar isso. O ambiente, inicialmente estável e ordeiro, vai se convertendo em um palco onde os homens batalham não apenas entre si, mas especialmente consigo mesmos. O resultado desse gládio interior é o que a câmera sempre arguta do diretor nos revela – papéis espalhados por toda a mesa e cigarros apagados por toda parte, como impurezas deixadas para trás após consumada a transformação. O processo por que passam os homens ao longo da projeção se assemelha a uma febre, que os purifica de suas verdades postiças. Não à toa, no auge de toda a discussão, todos eles aparecem suados, exauridos e já com as roupas completamente amarrotadas (antes perfeitamente alinhadas). A obra é concluída com uma espécie de convalescença.

Doze Homens e Uma Sentença é um filme essencialmente sobre o difícil exercício da razão. Sobre como a necessidade de certezas absolutas corrompe a clareza de pensamento e justifica as piores ações. Mais do que isso, o longa-metragem revela a sedução que é analisar o mundo por meio de uma só lente, amputando-o de sua complexidade (que tanto nos incomoda, pois nos confunde e nos desafia). E em um filme que vai tão além do gênero de tribunal, o risco maior não é somente o de a Justiça se comportar como uma seita de devotos (em uma leitura mais óbvia), mas o de nós, homens comuns, fazermos o mesmo em nome do que quer que seja.

Doze Homens e Uma Sentença (12 Angry Men) – EUA, 1957
Direção: Sidney Lumet
Roteiro: Reginald Rose
Elenco: Henry Fonda, Lee J. Cobb, E. G. Marshall, Joseph Sweeney, Ed Begley, Edward Binns, George Voskovec, Jack Klugman, Jack Warden, John Fiedler, Martin Balsam, Robert Webber
Duração: 96 minutos

 

Você Também pode curtir

24 comentários

Thiago Delapola 24 de outubro de 2020 - 10:29

Esse é o melhor filme que já assisti. O roteiro é espetacular (concordo que seja o melhor da história do cinema) e a direção e atuações complementam a obra de uma maneira tão maravilhosa que não poderia descrever de outra forma. Uma Obra-Prima!

Responder
Dan Oliver 20 de dezembro de 2018 - 19:49

Concordo com cada uma das suas palavras. Revendo o filme agora na minha mente pensei se não daria uma excelente peça teatral, já que o espaço é muito bem delimitado.

Responder
Eder Kleim 20 de dezembro de 2018 - 19:53

Já existe. Aqui em São Paulo esteve em cartaz por muitos anos. Excelente!

Responder
Rafael Lima 20 de dezembro de 2018 - 19:49

Acho que mesmo que o roteiro não fosse tão bom quanto é (e ele é irretocável) seria plenamente possível sim, que Lumet desse o show de direção que deu, e que Fonda e Cia fizessem essa atuação magistral.

“Doze Homens e Uma Sentença” é um daqueles filmes que eu chamo de “filme completo”, pois tudo funciona. Que ambiente sufocante e praticamente vivo é o daquela sala. Que desenvolvimento brilhante de personagens. Que atuações fantásticas. Enfim, pra mim é um filme de superlativos.

Responder
Marcelo Sobrinho 20 de dezembro de 2018 - 06:15

Obrigado pelo elogio! Exatamente como disse o colega aí abaixo. Já foi transformada em teatro.

Responder
Marcelo Sobrinho 20 de dezembro de 2018 - 06:05

Rafael, acho que a alma desse filme é o roteiro. Acho irreal imaginar que os resultados da direção e das atuações fossem tão bons se toda a argumentação, todos os diálogos e todos os momentos críticos que cada personagem vive ali dentro da sala não fossem tão redondos.

Responder
Rafael Lima 20 de dezembro de 2018 - 21:50

É um ponto de vista. Mas acredito que um roteiro brilhante não ajude uma direção medíocre. Mas uma direção brilhante pode fazer maravilhas por um roteiro medíocre.

Como dizia um antigo professor, roteiro é roteiro. Filme e filme.

Não desmereço com essa observação o brilhantismo do roteiro de Reginald Rose, já que sem ele, o filme não seria tão brilhante quanto é. Mas a direção do Lumet não depende dele pra ser excelente, ao meu ver.

Responder
Marcelo Sobrinho 21 de dezembro de 2018 - 11:20

Eu só disse que fica muito mais fácil dirigir um filme com um roteiro assim tão brilhante. Vejo relação sim entre as possibilidades de direção e roteiro em si. Mas estou achando essa polêmica bem vazia. O mais importante da minha crítica DEFINITIVAMENTE não é isso. Aparece nos parágrafos seguintes.

Responder
Rafael Lima 21 de dezembro de 2018 - 13:20

E eu concordo com todo o restante da sua crítica, que devo acrescentar, foi muito bem escrita. Só acho equivocada a noção defendida (que sendo uma parte do texto, é passível de críticas e consequente troca de ideias saudáveis na sessão de comentários) de que a qualidade do trabalho do diretor depende do roteiro aqui. Mas não quero polemizar em um caráter negativo não. Cada um deu a sua opinião e bola pra frente.

Responder
Marcelo Sobrinho 21 de dezembro de 2018 - 13:55

Eu não acho que depende como em uma “regra de três”, Rafael. Só disse que quando um grande diretor tem um baita roteiro em mãos para dirigir, acho que ele tem um trabalho mais tranquilo. Pode se jogar e fazer um grande trabalho de direção. Não precisa tirar leite de pedra, coisa que acho bem mais difícil de realizar. Só isso. Não sei qual o problema nessa ideia.

Rafael Lima 22 de dezembro de 2018 - 15:14

Nesse sentido, eu concordo. Um excelente roteiro facilita muito o trabalho do diretor. Não há nenhum problema na ideia posta desta forma.

Marcelo Sobrinho 22 de dezembro de 2018 - 21:00

Rafael, creio que nossa discordância ocorra só em um ponto: você acredita que um roteiro ruim possa ser salvo por uma grande direção, gerando um produto final de grande qualidade. Eu não acredito nisso. Acho que o roteiro precisa ser no mínimo bom para que isso ocorra. Agora lhe pergunto: me cite um caso de roteiro RUIM que tenha gerado um GRANDE filme nas mãos de um diretor excepcional. Porque roteiro ruim e direção ótima existe sim. Mas o resultado final NUNCA vi ser grandioso. É EXATAMENTE isso que afirmo logo no primeiro parágrafo.

Rafael Lima 23 de dezembro de 2018 - 16:24

Sobre esse aspecto, acho que existem limites. Se absolutamente nada funciona no roteiro, dos diálogos, passando pelas construções de situação, viradas dramáticas, desenvolvimento de personagens, etc, não há diretor que salve. Por exemplo, pegando dois exemplos extremos, se entregasse o roteiro de “Plano 9 do Espaço Sideral” tal como ele é pro Kubrick, ia sair um filme melhor, mas dificilmente sairia um grande filme (acho que não sairia nem um bom filme).

Mas existem grandes filmes, que quando se para para pensar neles, possuem roteiros medíocres, e que renderam grandes filmes. “Suspiria” do Dario Argento seria um grande exemplo, por que não tem um bom roteiro (em termos de roteiro, Argento raramente acerta, na minha opinião). O roteiro não tem desenvolvimento dramático de personagens mesmo em níveis simples, a costura das situações não é grande coisa, e a narrativa é basicamente uma desculpa pras imagens de terror onírico se desenrolarem na tela, e ainda assim, é sim um filme com um resultado final grandioso, ótimas atuações, por tratar-se de uma experiência cinematográfica basicamente sensorial e pouco narrativa. Uma obra influente pra caramba até hoje com um roteiro medíocre(não simples, medíocre mesmo) por que todos os outros departamentos são tão bem afinados que fazem esse texto funcionar, e o usam só como um guia.

Claro, é um caso e uma proposta totalmente diferente de “Doze Homens e Uma Sentença”. Mas o que questionei no seu primeiro parágrafo é a afirmação de que não seria possível o Lumet dirigir tão bem o filme sem um material prévio tão bom, pois tenho certeza que seria, embora o filme provavelmente não sairia tão bom, por que assim como roteiro é roteiro e filme é filme, direção é direção, e filme é filme (embora um diretor como representante do filme, seja o maior responsável pelos erros e acertos do conjunto da obra, mesmo quando não diretamente)

Marcelo Sobrinho 23 de dezembro de 2018 - 17:21

Por se tratar de uma proposta tão diferente, não é possível dizer que o roteiro não ofereça o necessário ao filme. Ainda acho um erro de análise seu. Você precisa entender melhor o que significa um bom roteiro. Um bom roteiro para um Tarkovski é uma coisa. Para Lumet é outra. No caso de Argento, o roteiro não é insuficiente ao filme!

Rafael Lima 23 de dezembro de 2018 - 21:04

O fato de eu não concordar com você não significa que eu não entenda o que é um bom roteiro, sabe?

E é óbvio que o roteiro do Argento não é insuficiente, e bastou para o filme e a proposta dele, por que o filme funcionou, e eu nunca disse o contrário disso. O que não faz desse roteiro um exemplo de bom roteiro. Bastar ao filme é uma coisa, ser um bom roteiro é outra. O próprio Argento escreveu roteiros melhores do que Suspiria, na minha opinião, sendo que alguns desses roteiros melhores não renderam filmes tão bons quanto Suspiria, no meu entender. Se o roteiro de Suspiria fosse mais bem acabado, o filme seria ainda melhor do que é? Muito provavelmente. Se um diretor menos habilidoso que o Argento dirigisse o filme com o mesmo roteiro, o filme teria a mesma qualidade que tem? Decididamente não.

Mas a gente tá ampliando demais e perdendo o foco da discussão. Sim, é claro que cada diretor utiliza o roteiro de uma forma diferente em seus filmes. Mas se a gente for entrar nessa dai, a gente vai acabar falando de regras e convenções formais de roteiro e tensionamentos dessas regras, e vamos parar lá no Herzog, que usa roteiros totalmente informais, que sintetizam duas horas de filme em três páginas, se muito, e acho que nem você e nem eu estamos afim disso.

Focando na sua resenha, o meu ponto de discordância é esse; a qualidade do filme está sim submetida ao roteiro do filme. já a qualidade da direção do Lumet, analisada simplesmente do ponto de vista técnico, não está submetida ao roteiro do filme. Um excelente roteiro facilita uma direção brilhante? Facilita. Agora, não seria possível uma direção brilhante sem um excelente roteiro, como você defende no primeiro parágrafo? Não poderia discordar mais, como já exemplifiquei.

Marcelo Sobrinho 23 de dezembro de 2018 - 22:39

Um roteiro ruim e uma direção excelente é possível sim. Essa não é a discordância. Para mim, o resultado final é que não sairá a contento. Espero que esteja mais claro agora. É exatamente o caso do Dunkirk. Ótima direção. Mas o roteiro é ruim do ponto de vista de ser insuficiente. Para mim, bom roteiro tem necessariamente a ver com ser ou não suficiente para o filme em si. Para a proposta do filme. O roteiro precisa sustentar o filme de algum modo. Ainda que seja um roteiro comedido e econômico, é preciso oferecer arrimo. Pra mim, roteiro ruim é o que não oferece esse sustentáculo. Aquele que oferecer, eu não classifico como ruim.

Marcelo Sobrinho 22 de dezembro de 2018 - 00:05

E acrescento um dado: perceba como, ao longo da crítica, eu dou destaque ao trabalho de direção, comentando planos, enquadramentos e movimentos de câmera.

Rafael Lima 22 de dezembro de 2018 - 15:14

Aspectos muito bem explorados na crítica, de fato.

Luiz Santiago 19 de dezembro de 2018 - 17:10

Eu concordo com a argumentação de que o roteiro desempenha um papel essencial, mas o filme não chegaria nem perto do que é se não tivesse um diretor tão cuidadoso em fazer desse roteiro o espetáculo que é. Aqui, é um daqueles casos que a gente fala de EXCELENTE FILME com boca cheia, porque tudo funciona, todas as áreas casam muito bem, nenhuma boicota a outra e o produto final é um verdadeiro primor.

Responder
Marcelo Sobrinho 20 de dezembro de 2018 - 06:11

Concordo, Luiz! É como disse: dizer que esse roteiro beira a perfeição (literalmente) nada tem a ver com negar a qualidade da direção e do elenco. Pelo contrário: é a base para que a direção brilhe e o elenco arrebente. Exatamente o que acontece.

Responder
Lord Galahad 19 de dezembro de 2018 - 13:49

Um dos melhores filmes de todos os tempos. É desse tipo de filme que a pessoa assiste várias vezes e não cansa, de tão bom 🙂

Responder
Marcelo Sobrinho 20 de dezembro de 2018 - 06:11

Concordo plenamente.

Responder
Anton Chigurh 19 de dezembro de 2018 - 13:36

Tenho este filme em DVD original, e realmente é uma obra prima do Cinema. Em termos de roteiro, talvez seja a maior de todas as obras. Gosto muito também de Festim Diabólico do mestre Alfred Hitchcock.

Falando em Alfred Hitchcock, tenho um filme dele chamado Assassinato, de 1930, uma obra menos conhecida do diretor, mas que na minha opinião serviu um pouco de inspiração ao diretor Sidney Lumet para criação de sua obra prima Doze Homens e Uma Sentença.

Responder
Marcelo Sobrinho 20 de dezembro de 2018 - 06:14

Será que a inspiração aconteceu mesmo ou é apenas uma intuição?

Responder

Escreva um comentário

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Presumimos que esteja de acordo com a prática, mas você poderá eleger não permitir esse uso. Aceito Leia Mais