Crítica | Dylan Dog: O Retorno do Monstro

PLANO CRITICO DYLAN DOG O RETORNO DO MONSTRO

Em algum lugar em Gales, em maio de 1971, vários assassinatos brutais acontecem. Logo nas primeiras páginas de O Retorno do MonstroTiziano Sclavi nos apresenta esse terrível cenário de morte (um massacre, na verdade), que servirá de guia para o desenvolvimento desta oitava aventura de Dylan Dog.

Depois de vemos os corpos mutilados de diversas maneiras na casa da família Steele, atravessamos 16 anos e chegamos ao tempo presente (1987, no caso, ano em que a edição foi publicada), em Londres, com Dylan sendo contratado por uma sobrevivente para investigar o tal “retorno do monstro”. Isso quer dizer que Damien, o condenado pelo massacre de 71, fugiu do hospital psiquiátrico onde estava internado. Um hospital de onde era impossível fugir… a não ser que o interno não fosse humano — conceito parcialmente abordado no texto, mas de maneira pouco eficiente ou informativa, deixando muitas dúvidas e buracos sobre o elemento “mutante” desse personagem.

No aspecto puramente ligado ao giallo, a história é interessante e até divertida. Como sempre acontece nas boas tramas do gênero esperamos que mais mortes aconteçam a qualquer momento, mas aqui, o roteiro equilibra esse lado dentro de uma perspectiva mais séria e que só entenderemos no final, adicionando um certo sabor gótico à saga (com aquele ideal de maldição inquebrável) e finalizando o tormento de mais uma Steele sofrendo de cegueira… e possivelmente de algo que pode evoluir para uma atitude mais descontrolada e mortal.

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O processo de investigação é bastante simples, mais teórico do que prático e infelizmente o papel de Groucho na história é mal trabalhado, sem contar que ele é rapidamente retirado da trama, sem maiores explicações ou conexões interessantes com o que está acontecendo. Seria melhor, nesse caso, se o personagem não tivesse aparecido efetivamente, apenas citado; ou que tivesse participado “à distância” dos planos de Dylan para colher provas e buscar outros documentos sobre o massacre do passado, a fim de entender a ameaça do presente.

Gosto bastante da arte de Luigi Piccatto na parte final da história, com todas aquelas armadilhas no castelo sobre o qual a mansão dos Steele foi construída. É o tipo de labirinto, busca e fuga que deixa a trama mais interessante. E mesmo que aí faltem elementos que poderiam elevar a qualidade da história — o espaço é tão bacana e tão cheio de possibilidades, que o leitor lamenta o não-uso do castelo para incrementar o significado, causas ocultas ou outras forças quaisquer em torno do massacre –, o leitor aproveita cada momento da correria do detetive. Uma investigação simples de Dylan Dog para um crime terrível e com um final de ares cinematográficos. Não é uma história exemplar, mas é uma boa história.

Dylan Dog #8: O Retorno do Monstro (Il ritorno del mostro) — Itália, maio de 1987
Editora original: Sergio Bonelli Editore
No Brasil: Record (1992), Conrad (2002)
Roteiro: Tiziano Sclavi
Arte: Luigi Piccatto
Capa: Claudio Villa
100 páginas

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.