Crítica | Elfos – Livro 5: A Dinastia dos Elfos Negros

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Quinto livro da série ElfosA Dinastia dos Elfos Negros (2014) fecha o primeiro ciclo de histórias de apresentação desses povos. No Universo da Soleil Productions, existem cincos raças élficas, a saber, os Azuis, os Silvestres, os Brancos, os Meio-Elfos e os Negros. No ciclo que aqui se fecha, nós temos a apresentação do último desses povos, os mais isolados, odiados e perseguidos por todos os outros, até mais que os Meio-Elfos, se levarmos em consideração aquilo que forma a essência dos irascíveis, violentos e maldosos Elfos Negros. Mas para isso, precisamos entender o por quê desse “estágio final odioso” para o povo. E esta é uma explicação que o roteiro de Marc Hadrien (pseudônimo de Christophe Arleston) nos dá de maneira aplaudível, sem muita exposição didática e sempre deixando algo não dito, uma surpresa, quase uma ameaça em relação ao futuro. Roteiros assim sempre tendem a ser mais ricos em termos de construção do personagem. Esta história é uma prova.

A premissa para a existência dos Elfos Negros foi a que mais me encantou, dentre todas as cinco raças desse Universo. É uma condição preocupante, porque esses indivíduos podem nascer de cor azul, branca, verde, vermelha ou cinza, mas ainda assim ser ser um Elfo Negro em seu interior. Esta é uma condição genética. Todos os elfos nascem com um gene que pode direcioná-lo para esse tipo de raça, mas apenas alguns desenvolvem esse gene — após alguns indícios de violência e frieza durante os primeiros anos da infância, como vemos acontecer com o pequeno Gaw’er, um Elfo Azul que é recrutado por acaso, quando um Elfo Negro percebe sua essência. O roteiro, mais uma vez, não deixa se levar por explicações e nem dá mais informações do que o necessário. Nós entendemos perfeitamente que os Elfos Negros adultos conseguem identificar outros, independente da cor que tenha nascido ou da idade em que esteja.

A arte e as cores de Ma Yi também colaboram para essa ambientação interessante. Seus painéis maiores são muito bonitos, todos cheios de detalhes e, na primeira parte da aventura, faz bonitas referências ao modo de se vestir, portar e ao ambiente em torno dos Elfos Azuis que vimos lá em O Cristal, pelos desenhos de Kyko Duarte. À medida que a trama avança e começa o treinamento de Gaw’er (renomeado Gaw’yn após chegar à Cidadela Slurce, a Fortaleza dos Elfos Negros), as cores vão se escurecendo e mais uma vez a bela concepção artística faz todo o papel de entrega de uma sociedade fortemente ligada à luta, à magia negra e aos muitos tipos de violência. Em adição a isso — e eis aí outra coisa que chamou a atenção, há o fato desses indivíduos sofrerem uma mutação genética ao longo da vida, alterando sua aparência e seu comportamento. Definitivamente o povo mais complexo e melhor introduzido nessa série.

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Infelizmente, na reta final da história, o texto de Hadrien dá uma inexplicável caída para ações óbvias ou abruptas demais. Mesmo colocando isso como parte da trama, através do diálogo entre Gaw’yn e seu mestre — o autor sabia que estava se distanciando da força com que guiou o roteiro até aquele momento –, o efeito é negativo para a história. Perdemos a conexão com o lugar mais interessante de todo o volume e não há uma compensação imediata e nem uma tentativa do autor em criar um gancho que mantivesse a trama interessante, sombria e forte, como foi até ali. Terminamos com Gaw’yn tendo que cumprir uma missão inicialmente dada a seu mestre e pronto. O roteiro nos deixa com um gosto bastante amargo e o que salva o tomo, de certa forma, é o interessantíssimo desenvolvimento desse povo e a maneira como o texto e a arte foram criando os meios capazes de nos deixar interessados pelos mistérios desses macabros elfos. Torço para que no próximo ciclo, na edição dedicada a eles, estejamos de volta a Slurce ou a um lugar similar. Esse atmosfera sombria e cheia de segredos mortais é o tipo de coisa que me encanta e que certamente combina com tudo o que os Elfos Negros representam.

Elfes – Tome 5: La Dynastie des Elfes Noirs (França, 2014)
Editora original: Soleil Productions
Roteiro: Marc Hadrien (pseudônimo de Christophe Arleston)
Arte: Ma Yi
Cores: Ma Yi
Letras: Studio Charon
Capa: Olivier Heban
55 páginas

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.