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Crítica | Fear the Walking Dead – 6X08: The Door

por Ritter Fan
1.897 (a partir de agosto de 2020)

  • Há spoilers. Leia, aqui, as críticas de todos os episódios da série e, aqui, de todo nosso material do universo The Walking Dead.

Se John Dorie, inegavelmente o melhor personagem da “Fase 2” de Fear the Walking Dead, tinha que morrer, então a morte dele precisava ser bem trabalhada. Era o mínimo que se poderia esperar e, mesmo que The Door não seja perfeito, porque definitivamente não é, fiquei feliz em constatar que o ótimo e carismático Garret Dillahunt se despede da série de maneira digna e circular, trazendo peso e significado para o sacrifício do pistoleiro de bom coração que ele tão bem construiu ao longo dos anos e marcando um grande recomeço da 6ª temporada da série.

Em termos narrativos, o maior problema do episódio é termos que acreditar que Dorie realmente estava pensando em se matar, apesar de ter encontrado a felicidade ao lado de June. Sim, compreendo perfeitamente que conciliar o que aconteceu em decorrência de sua investigação para Virginia com a maneira consideravelmente ilibada com que o personagem sempre viveu sua vida não deve ser uma tarefa fácil, mas nada indicava a tendência suicida – ainda que hesitante – dele, preferindo sacrificar-se por princípio no lugar de usar suas habilidades para lidar com as pessoas que o manipularam e que o mantiveram separado de sua amada. E isso fica particularmente mais saliente quando ele coincidentemente (outro problema do episódio, ainda que menor) encontra Morgan ferido e descobre o plano do ex-combatente zen de fundar uma nova comunidade lá na represa seca.

Outro ponto de incômodo é que o momento fatídico pareceu-me uma improvável repetição de eventos passados, quase um déjà vu mesmo, com uma jovem, no caso Dakota, matando a sangue-frio, com uma arma de fogo, personagem importante da série. Será que teremos uma nova Charlie, agora protegida por Morgan, autointitulado melhor amigo de John, da mesma forma que Charlie passou a ser protegida por Alicia, irmã de Nick? Será que a jovem também encontrará redenção, mesmo que ela tenha matado uma, duas vezes por razões mais do que mesquinhas e tendo salvado Morgan com uma explicação que simplesmente não consegui engolir? Bem, reservarei meu julgamento final sobre isso depois que essa trama for efetivamente abordada pela temporada. Pelo momento, apenas a sensação de “falha na Matrix” é que realmente incomodou e que poderia ter sido evitado pelos showrunners Andrew Chambliss e Ian Goldberg, que escreveram o roteiro.

Não sei até que ponto podemos perdoar as questões acima para então tirarmos do episódio aquilo que ele realmente tem de bom, até porque, na medida em que escrevo, vou tendo mais e mais reticências sobre a forma como tudo foi executado (até essa frase aqui, a avaliação estava em 4 HALs…). No entanto, por seu turno, construir um texto que, em uma penada só, faz com que John Dorie retorne à sua cabana, atire em desmortos que aparecem de tempos em tempos em sua porta trazidos pelo rio que impedem seu suicídio, relembre seu pai, use duas portas para manter os monstros à distância e, ao final, acabe ele mesmo zumbi e levado pelo rio até a porta de sua cabana para ser achado por June em uma subversão da forma como os dois se conheceram e se apaixonaram é o que torna o episódio realmente valioso. Percebe-se muito claramente que Chambliss e Goldberg foram muito cuidados com a narrativa circular, que retorna até o magnífico Laura, para por um fim a John Dorie, quase que como uma homenagem ao personagem e o reconhecimento do valor que ele trouxe à série.

Mais até do que isso, essa é uma história de redenção, ainda que em escala pequena. John pode ter agido de maneira egoísta no início, não mais querendo se envolver no novo sonho de Morgan, mas Morgan, talvez no melhor momento do episódio, deixa muito evidente a importância que o caubói entristecido tem para ele e para as pessoas ao seu redor. Relembrar a maneira como os dois se encontraram em What’s Your Story e deixar muito clara que John se tornou a luz que guiou Morgan até sua nova família em momento em que ele estava justamente deixando a anterior para trás foi um golpe sentimental de mestre que pode até parecer novelesco, mas que reenquadra a série – a partir de sua 4ª temporada, claro – ao colocar Dorie em seu centro. Ora, mais uma vez direi: se era para matar um personagem tão bom, então que no mínimo reconhecessem o valor dele e é isso que os showrunners inegavelmente fizeram.

O que me resta, agora, é esperar que a morte de John Dorie (que alívio estranho eu senti quando ficou evidente que ele morrera e que não iriam “glennificar” o personagem) tenha real significado para a temporada e para a série como um todo, evitando que seja apenas um momento feito para chocar e nada mais. Da mesma forma, fica a torcida para que Dakota não seja simplesmente transformada na nova Charlie, porque seria no mínimo ridículo. E, finalmente, claro, sempre há a esperança de que Fear the Walking Dead esteja finalmente caminhando para seu encerramento, pois, sendo egoísta como Dakota, se eu já não tinha muito prazer em assistir essa série para além de escrever as críticas e conversar com vocês, caros, leitores, agora sem John Dorie é que terei mesmo que fazer um esforço supremo para perseverar.

Fear the Walking Dead – 6X08: The Door (EUA, 11 de abril de 2021)
Showrunner: Andrew Chambliss, Ian Goldberg
Direção: Michael E. Satrazemis
Roteiro: Andrew Chambliss, Ian Goldberg
Elenco: Lennie James, Alycia Debnam-Carey, Maggie Grace, Colman Domingo, Danay García, Garret Dillahunt, Austin Amelio, Alexa Nisenson, Rubén Blades, Karen David, Jenna Elfman, Colby Minifie, Demetrius Grosse, Michael Abbott Jr., Zoe Margaret Colletti, Devyn A. Tyler, Christine Evangelista, Peter Jacobson, Cory Hart, Raphael Sbarge
Duração: 51 min.

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