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Crítica | Fullmetal Alchemist – Vol. 2

por Guilherme Coral
172 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 5,0

Obs: leia também as críticas dos demais volumes do mangá, aqui.

Através de seu volume inicial, Fullmetal Alchemist nos apresenta os conceitos básicos de seu universo, nos introduzindo a Edward e Alphonse Elric, dois jovens alquimistas que desejam, acima de tudo, recuperar seus corpos para o estado original. Com uma narrativa bastante segmentada, cada qual para melhor explorar as propriedades da alquimia mostrada aqui e, é claro, para construir seus personagens centrais, Hiromu Arakawa faz desse número inicial um verdadeiro prólogo para sua história e o encerra, precisamente, no momento que os irmãos Elric chegam na Cidade do Leste.

Dito isso, apesar desta segunda edição também trazer pequenos arcos, eles estão mais conectados à trama geral e às figuras misteriosas cujos nomes espelham os pecados capitais. Com essa subdivisão em histórias menores, Arakawa consegue manter uma evidente fluidez à sua história – sentimos como se cada volume efetivamente nos trouxesse algo, temos neles histórias com início, meio e fim, mas que deixam um gostinho de “quero mais”, ao passo que, lentamente, nos inserem em um cenário maior. O que realmente se destaca nesse segundo número, porém, é a angústia provocada por ele – a autora mostra que não está de brincadeira e ninguém está a salvo, seja adulto, criança ou animal – de vez em quando a crueza desse universo nos pega de supetão e ela é tão bem posicionada na narrativa que sentimos como se levássemos um verdadeiro soco no estômago.

Nesse volume conhecemos a família de Shou Tucker, conhecido como o alquimista da trama vital. Após salvarem os passageiros do trem, no número anterior, Edward e Alphonse pedem um favor imediato a seu superior, o Coronel Roy Mustang: serem apresentados a algum alquimista que possa ajuda-los a encontrar ou construir a Pedra Filosofal, elemento capaz de reconstituir seus corpos graças a suas propriedades de catalisação. O que não sabem, porém, é que isso os colocará em uma jornada de puro sofrimento.

Demonstrando verdadeiro controle da sua obra, Arakawa, que já nos mostrara o básico, passa a se aprofundar e insere cautelosamente mais jogadores nesse complexo tabuleiro e o interessante é como sabe construir a personalidade de cada um deles a ponto que cada um soa verdadeiramente único. Evidentemente que temos alguns absurdos, como o Major Armstrong, que funciona como um alívio cômico muito bem inserido. Essa diferenciação é graças, também, à aparência de cada um – a tenente Hawkeye, por exemplo, é um encaixe perfeito entre mente e corpo, ao passo que podemos ver a preocupação em seu olhar, que reflete muito bem a seriedade da personagem.

Dito isso, o traço da própria autora já demonstra sinais de uma maior familiaridade com sua própria obra. Cada quadro muito bem simboliza a atmosfera da narrativa naquele ponto, sentimos toda a urgência de cada situação. Além disso, a arte está mais refinada, apresentando um número maior de detalhes e uma limpeza maior em cada página, tornando esta uma leitura fácil e dinâmica, que, mais ainda que no primeiro volume, implora para que continuemos lendo até seu desfecho.

Ao terminarmos a segunda edição de Fullmetal Alchemist já temos a nítida impressão que estamos diante de algo diferente, uma história tão bem contada que chega a ser espantoso como a autora não cometera sequer um deslize desde seu início. Com um controle excepcional de seu roteiro e arte, Hiromu Arakawa já se destaca no universo dos mangakas e somente nos deixa mais ansiosos para o próximo volume.

Fullmetal Alchemist – Vol. 2 – Japão, 2002
Roteiro: Hiromu Arakawa
Arte: Hiromu Arakawa
Editora (no Japão): Square Enix (originalmente Enix)
Editora (no Brasil): Editora JBC
Páginas: 192


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15 comentários

Eddie Eddie 14 de maio de 2018 - 11:32

Galera nos comentários, cuidado com spoilers. Li o segundo volume no fim de semana e tive a mesma sensação do soco no estômago com a história da quimera. Pensei que a autora ia em outra direção, uma saída mais fácil e NÃO.Ela fez justamente o caminho inverso. Sensacional e PERTURBADOR!

Responder
Nergal 5 de novembro de 2016 - 09:10

Cara… Que soco no estômago… Esta trama da quimera… PQP!!! Eu não estava levando muito a sério FMA, agora estou juntando os cacos da minha concepção prévia! PQP!!!!!

Responder
Nergal 5 de novembro de 2016 - 09:10

Cara… Que soco no estômago… Esta trama da quimera… PQP!!! Eu não estava levando muito a sério FMA, agora estou juntando os cacos da minha concepção prévia! PQP!!!!!

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Wagner Pires 27 de agosto de 2016 - 23:18

FMA, aquele mangá/anime que te faz rir muito e na página seguinte te faz chorar muito…. a história da Nina nesse volume, e do Hughes mas pra frente….T_T

Responder
Wagner Pires 27 de agosto de 2016 - 23:18

FMA, aquele mangá/anime que te faz rir muito e na página seguinte te faz chorar muito…. a história da Nina nesse volume, e do Hughes mas pra frente….T_T

Responder
Guilherme Coral 28 de agosto de 2016 - 11:46

Só tenho uma coisa a dizer sobre o Hughes:

Responder
Guilherme Coral 28 de agosto de 2016 - 11:46

Só tenho uma coisa a dizer sobre o Hughes:

Responder
Handerson Ornelas. 26 de agosto de 2016 - 22:55

Os acontecimentos dessa edição me traumatizaram, vou te dizer…

Até hoje, vez ou outra acordo de madrugada tendo pesadelos com essa menina-quimera

Essa é só uma das razões pra FMA ser uma das maiores obras que já conheci.

Responder
Guilherme Coral 27 de agosto de 2016 - 00:34

Cara, nunca me esqueci dessa parte também. FMA é absurdamente bom. Se não viu o anime FMA: Brotherhood, VEJA. A animação é foda e a trilha sonora é uma obra de arte à parte.

Responder
Guilherme Coral 27 de agosto de 2016 - 00:34

Cara, nunca me esqueci dessa parte também. FMA é absurdamente bom. Se não viu o anime FMA: Brotherhood, VEJA. A animação é foda e a trilha sonora é uma obra de arte à parte.

Responder
Handerson Ornelas. 27 de agosto de 2016 - 01:38

Claro que vi! É meu anime preferido e bem melhor que a primeira versão do anime!

Responder
Handerson Ornelas. 27 de agosto de 2016 - 01:38

Claro que vi! É meu anime preferido e bem melhor que a primeira versão do anime!

Responder
Guilherme Coral 28 de agosto de 2016 - 11:45

É meu anime preferido também e com certeza muito melhor que a primeira versão! Nunca vou me esquecer da luta final pqp. ;-;

Responder
Guilherme Coral 28 de agosto de 2016 - 11:45

É meu anime preferido também e com certeza muito melhor que a primeira versão! Nunca vou me esquecer da luta final pqp. ;-;

Responder
Handerson Ornelas. 26 de agosto de 2016 - 22:55

Os acontecimentos dessa edição me traumatizaram, vou te dizer…

Até hoje, vez ou outra acordo de madrugada tendo pesadelos com essa menina-quimera

Essa é só uma das razões pra FMA ser uma das maiores obras que já conheci.

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