Crítica | Gotham – 5X04: Ruin

  • Contém spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos episódios anteriores.

Ruins é verdadeiramente um episódio sobre os escombros de uma cidade agora composta pela fumaça do que Gotham, enquanto utopia, poderia ter sido aos olhos dos sonhadores. O que restou são as cinzas da esperança que sempre esteve no coração de vários personagens, mas que fora enfim extinguida pelo incêndio no Haven. Selina (Camren Bicondova) se entregou à vingança, assassinando Jeremiah (Cameron Monaghan). Gordon (Ben McKenzie) perdeu o apoio dos cidadãos da Gotham que restou, porque impediu a execução de Zsasz (Anthony Carrigan). Ninguém mais acredita, pois, quando acreditaram, seus entes tão queridos morreram incinerados.

“Quer que eu faça um discurso?”, pergunta Jim ao seu parceiro Harvey Bullock (Donal Logue), como se os monólogos engrandecedores ainda fossem uma opção, ao mesmo tempo que o roteiro do episódio mostra-se espirituoso com a própria estrutura da série. Gordon, portanto, se rende a esse momento que já virou marca do protagonista – e considerável clichê narrativo -, tentando impedir o júri proposto por Copplebott (Robin Lord Taylor) de condenar Zsasz pela explosão do Haven, um crime que não cometeu. Mas a recusa do povo pela absolvição serve como a última negação da esperança, que clamações anteriores de Jim tentaram prevenir que, por fim, morresse.

O que acontece é tão impactante – mesmo que Ruin, enquanto ritmo, não saboreie a tensão latente ao acontecimento – que Gordon sugere, após salvar Zsasz, um combate à moda faroeste entre os dois. O curioso é que a moral do faroeste é tão deturpada quanto a moral dessa nova Gotham. Uma pena que James Stoteraux e Chad Fiveash, os roteiristas, não tenham escrito nada mais sentimental para o personagem, que apenas se rende ao álcool e a paixão de Barbara (Erin Richards), culminando no beijo entre o antigo casal. Um desperdício de carga dramática, ainda mais por conta da inócua morte do garotinho que estava virando uma espécie de sidekick de Jim.

As interações entre Gordon, Bullock e o Pinguim, em uma posição de ameaça que sempre se consolida – com na cena da delegacia sendo invadida -, mas sempre de um modo sarcástico e convincente, são alguns dos melhores momentos do texto – e Anthony Carrigan é um bom retorno ao elenco. O GCPD está realmente impotente, coisa que Gotham consegue transportar para o espectador. O desenvolvimento da sub-trama do Charada (Cory Michael Smith), por outro lado, é surpreendente, pois quebra as próprias expectativas de um envolvimento gratuito entre o coadjuvante e Lucius Fox (Chris Chalk). Edward Nygma não pode acreditar mais em si mesmo.

Enquanto o arco do Charada é o que mais nos surpreende – e, ainda assim, poderia ter investido mais no mistério da idosa que sabia do envolvimento do antagonista com o incêndio -, o de Selina é o que mais nos decepciona, mesmo sendo crucial, porque resolve-se com o assassinato de Jeremiah. As sequência soam extremamente atropeladas. O palhaço é morto com uma secura interessante, sem tempo para cerimônias, que é muito condizente com a jornada da Gata. Mas a única sequência que temos, “importante” nessa trama paralela, é uma dança que remete à cena icônica entre o Coringa e a Arlequina, aqui sendo ecos das suas versões originais dos quadrinhos.

Gotham – 5X04: Ruin (EUA, 24 de janeiro de 2019)
Showrunner: Bruno Heller
Direção:
Nathan Hope
Roteiro: 
James Stoteraux, Chad Fiveash
Elenco: 
Ben McKenzie, Donal Logue, Robin Lord Taylor, David Mazouz, Cory Michael Smith, Camren Bicondova, Erin Richards, Chris Chalk, Alex Morf, Cameron Monaghan, Anthony Carrigan, Francesca Root-Dodson
Duração: 
44 min.

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.