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Crítica | Jurassic Park (Topps Comics)

por Ritter Fan
269 views (a partir de agosto de 2020)

A franquia Jurassic Park ainda não foi muito explorada nos quadrinhos. A primeira editora a obter uma licença foi a hoje extinta Topps Comics, do grupo Topps, mais conhecido nos EUA por suas cartas temáticas colecionáveis. Conseguindo atrair grandes nomes da Nona Arte para encabeçar uma adaptação do longa de Steven Spielberg no mesmo ano de lançamento, a editora manteve a licença entre 1993 e 1997, com a última publicação sendo justamente a minissérie do segundo filme. Mais tarde, a partir de 2010, foi a vez da IDW que, porém, publicou apenas três acanhadas minisséries.

Retornando para a Topps, não se pode dizer que a editora não aproveitou o hype em cima do filme de 1993, já que suas edições chegaram às lojas americanas enquanto o filme ainda estava nos cinemas e trazendo no roteiro Walter Simonson, na arte Gil Kane e nas tintas George Pérez, uma trinca invejável, capaz de atrair leitores só pelos nomes estampados nas capas. No entanto, os nomes, sozinhos, não são garantia de qualidade. Há outros fatores a serem levados em consideração e o principal deles é a liberdade para criar, algo que não parece ter sido o mote da licença ou, no mínimo, vontade da editora.

Provavelmente não querendo arriscar absolutamente nada, o que Simonson e companhia fizeram foi menos uma adaptação e mais uma transposição quase exata da película para as páginas das quatro edições que compuseram a minissérie. Por um lado, há que se louvar a Topps por permitir um número avantajado de páginas para cada uma delas – 36, algo incomum em HQs -, mas, por outro, o que a equipe criativa fez com elas foi materializar o filme em papel. Sei que muita gente quer exatamente isso, ver adaptações que são transcrições sem imaginação do material fonte, sem nenhuma tentativa de inovar ou arriscar e, nesse caso, a minissérie é bem-sucedida. O filme inteiro está lá, sem tirar nem por, com apenas pequenas variações aqui e ali para fins de fluidez da narrativa.

É uma leitura divertida, claro, mas, do lado da arte, Kane fez o mínimo que podia, com as tintas de Pérez pouco ajudando. Pelo menos não houve tentativa de fotorrealismo ou mesmo de utilizar as imagens dos atores nas HQs. Os personagens ainda são plenamente reconhecíveis, especialmente Ian Malcolm, mas sua feições são próprias das revistas, talvez até por imposição da licença, nunca saberemos com certeza. Também provavelmente nunca saberemos se a transposição exata do filme para os quadrinhos se deu por força do contrato celebrado entre a Universal e a Topps, mas é uma pena saber que existem artes conceituais de sequências não produzidas para o longa que poderiam muito bem ter inspirado páginas extras para a aventura jurássica na Ilha Nublar como costumava acontecer com as melhores adaptações cinematográficas para os quadrinhos, tendo como maior exemplo disso a célebre versão da Marvel para Star Wars.

Talvez o elemento artístico que mais detraia do todo sejam as cores de Tom Smith que são berrantes demais, o que acaba diminuindo a imersão e transformando a adaptação em uma HQ mais genérica de super-heróis em que as cores chamativas fazem parte da estrutura desde sua origem. Ainda que Jurassic Park sem dúvida seja um filme para o público infanto-juvenil, os quadrinhos poderiam ter pelo menos tentado seguir a paleta de cores do longa já que a ideia não era inventar e sim copiar. No entanto, justamente nesse aspecto, o que foi feito de certa forma traiu o espírito da história, tirando um pouco da seriedade da história.

A leitura da adaptação em quadrinhos de Jurassic Park é muito mais uma curiosidade do que algo que o fã deva perseguir por seu valor intrínseco. Está tudo lá, mas exatamente por estar tudo lá, sem tirar nem por, é que o trabalho de Simonson, Kane e Pérez cai naquela vala comum das HQs de filmes que são até legais, mas imediatamente esquecíveis.

Jurassic Park (EUA – 1993)
Contendo:
Jurassic Park #1 a 4
Roteiro: Walter Simonson (baseado em roteiro de Michael Crichton e David Koepp, por sua vez baseado em romance de Michael Crichton)
Arte: Gil Kane
Arte-final: George Pérez
Cores: Tom Smith
Letras: John Workman
Editora original: Topps Comics
Datas originais de publicação: junho a agosto de 1993
Páginas: 144

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