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Crítica | Lupin III: Goemon, Rastros de Sangue

por Kevin Rick
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Goemon, Rastros de Sangue é uma continuação direta de A Tumba de Jigen, fazendo parte da trilogia de spin-offs mais maduros de Takeshi Koike, mas pode facilmente ser assistido isoladamente. Mantendo as mesmas temáticas do filme anterior, o diretor Koike cria mais um interessantíssimo conto dramático e intimista de um dos comparsas de Lupin III: o samurai Ishikawa Goemon. Assim como aconteceu com o pistoleiro Daisuke Jigen, a premissa estabelece uma trama simples com um adversário direto de habilidades similares, construído aqui em torno do enredo de vingança e honra, por motivos óbvios já que o personagem é um samurai, mas diferentemente de A Tumba de Jigen, que é um filme com uma pegada de mistério policial na atmosfera noir, Goemon, Rastros de Sangue é um filme quase que inteiramente focado na ação.

Eu gosto da ideia de Koike, pois continua o caminho de inovar dentro do Universo de Lupin III com o aspecto mais adulto e sombrio, mas coloca esse desenvolvimento não necessariamente na história, e sim nas lutas. Rola muito sangue e cortes de membros, e apesar da busca pelo visual de combate violentamente maduro ser extremamente interessante na proposta de Koike, acredito que o diretor poderia ter sido mais restrito, afinal, violência gráfica não necessariamente significa maturidade, e por causa disso, muito do choque sanguinário cai numa infantilização gratuita. Dito isso, para além da minha ranzinzice, Koike faz um ótimo trabalho animado com todos os blocos de ação, desde uma sequência do Goemon contra uma gangue inteira da Yakuza, naquela gostosa pegada de exagero marcial asiático, e também dos vários embates contra o grande adversário do samurai, o assassino Hawk.

O antagonista é, talvez, a melhor parte do filme, desde sua caracterização texana na roupa de caipira e os cabelos loiros, o feitio lenhador que seu corpo e feições faciais são desenhadas, até seu estilo de luta com machadinhas na base da força bruta, o personagem é uma explosão de carisma estereotipado na proposta de filme-torneio de Koike. Acaba sendo um ótimo contraponto para Goemon, um personagem quieto, basicamente preto no branco e despercebido. Os embates dos personagens são muito bem coreografados, desde o contraste da barbárie com a leveza na katana vs os machados, como também na maneira que se movimentam, o lutador mais dançante e lírico contra o animal irracional.

Enquanto filme de ação, apesar de certos problemas com o gore, Goemon, Rastros de Sangue é uma ótima experiência descerebrada, se tornando ainda mais humorística com as inserções cômicas de Lupin, Jigen e Fujiko tentando fugir de Hawk, e posteriormente com a entrada de um surpreendentemente sério e eficiente Zenigata, bastante diferente do seu habitual inspetor bobalhão. Mas aí o filme decide inserir uma jornada espiritual através de honra e disciplina de Goemon, que até rende ótimas sequências naturalistas acompanhados da trilha sonora tradicionalmente japonesa, mas o fato de Koike trazer dramaticidade para um personagem caracterizado como o estereótipo cômico da cultura samurai, não funciona no campo de maturidade narrativa que Koike quer evocar, soando ingênuo, frívolo e desinteressante.

Por fim, ainda acho o filme um interessante experimento de Takeshi Koike, que continua seu caminho de busca pela inovação e maturidade narrativa no universo de Lupin III, partindo agora de uma proposta sombria no combate. Certamente não tem o mesmo efeito de A Tumba de Jigen, mas trás um dinâmico filme de ação para Goemon, o perigoso guarda-costas de Lupin III.

Lupin III: Goemon, Rastros de Sangue (Rupan Sansei: Chikemuri no Ishikawa Goemon) — Japão, 2017
Direção: Takeshi Koike
Roteiro: Takeshi Koike, Yuuta Takahashi (baseado nos personagens de Maurice Leblanc e graphic novel de Monkey Punch)
Elenco (vozes): Kanichi Kurita, Kiyoshi Kobayashi, Akio Hirose, Miyuki Sawashiro, Kōichi Yamadera, Takaya Hashi, Daisuke Namikawa
Duração: 54 min.

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