Crítica | Marvels: Epílogo

Como parte das comemorações
dos 25 anos de Marvels:

Como história em si:

Marvels, magnífica colaboração entre Kurt Busiek e Alex Ross, marcou época e fincou-se como uma das grandes obras-primas da Nona Arte. A graphic novel de 1994 foi seguida de uma versão alternativa, sombria e aplicando a Lei de Murphy batizada de Ruínas, por Warren Ellis já no ano seguinte, mas só ganhou uma continuação de verdade em 2008, depois de anos e anos de planejamento e falsos começos. No entanto, apenas Busiek voltou para Marvels: Olho da Câmera, o que inevitavelmente retirou o brilho da segunda minissérie, já que a arte realista de Ross foi um elemento imprescindível para o sucesso da obra original.

Mas Marvels perdurou, mantendo-se na mente dos leitores dos quadrinhos ao longo das décadas e sendo republicada constantemente em encadernados em diversos países do mundo, inclusive no Brasil. O ano de 2019 marca, portanto, os 25 anos dessa literal maravilha e a Marvel Comics tratou de preparar as festividades, publicando um encadernado “remasterizado” com capa cartonada, outro encadernado tamanho gigantes em capa dura, além de cada uma das quatro edições originais com capas novas de Alex Ross (e diversas capas variantes) com anotações dos autores e muito material extra. Mas tudo isso foi apenas preparação para o ponto alto da festa: a volta da parceria de Alex Ross e de Kurt Busiek em uma história desse “universo Marvels” que ganhou o singelo subtítulo Epílogo.

Como todo mundo deve saber, Ross, há muito tempo, deixou de desenhar quadrinhos, aplicando sua arte apenas a um sem-número de capas de HQs, o que é sem dúvida uma pena considerando seu talento inigualável. Portanto, Marvels: Epílogo marca a volta de Alex Ross às efetivas páginas dos quadrinhos, mesmo considerando que essa historieta em si tenha, apenas 16 páginas em uma publicação que totaliza 36, já que dedica 20 delas a uma longa e ótima entrevista com a dupla de artistas e muitos esboços de Ross. É, para todos os efeitos, uma comemoração dos 25 anos de Marvels e não uma história que tenha valor em si mesma.

Nela, vemos Phil Sheldon e suas duas filhas no Rockefeller Center, em Nova York, no exato momento em que uma luta entre os X-Men e os Sentinelas começa. Em termos históricos, Ross e Busiek inserem seus personagens em X-Men #98, de abril de 1976, escrita por Chris Claremont, com arte de Dave Cockrum e, em termos cronológicos dentro do “universo Marvels”, a narrativa acontece entre as edições #2 e 3 de Olho da Câmera. A narrativa, portanto, é quase que puramente visual, com pouco para Busiek fazer de verdade a não ser transferir, aqui, o deslumbramento que Phil sentia pelas “maravilhas” para suas duas filhas adolescentes, em uma bela passagem de tocha, mas que não tem muito mais para contar.

O destaque, portanto, fica mesmo com a arte de Alex Ross que recria, sob outros ângulos, a de Cockrum, focada nos então novíssimos X-Men. É interessante notar que Cockrum havia inserido diversas referências escondidas em sua HQ, tendo sido essa uma das razões da escolha especificamente desta para ser a base do Epílogo. Com isso, vemos, dentre outros, Nick Fury e a Condessa Valentina Allegra de Fontaine, o Doutor Destino patinando, o próprio Cockrum passeando e até mesmo Superman e Lois Lane, com Ross fazendo absoluta questão de repetir esses easter-eggs para tornar a leitura ainda mais divertida e enriquecedora.

Além disso, mesmo que não obedecendo a cronologia original de maneira absolutamente perfeita, a dupla introduz – para fins do “universo Marvels” – o Nova (Richard Ryder) no finalzinho da história, o que automaticamente chamou minha atenção considerando o quanto gosto do personagem. É apenas um dénouement para a história principal, mas a lembrança é simpática mesmo assim.

Marvels: Epílogo é uma obra difícil de julgar. Como o retorno de Alex de Ross para as páginas dos quadrinhos e como parte da comemoração dos 25 anos de Marvels, a mini-história é sensacional e muito bem-vinda. Mas, fora desse contexto, ela parece não muito mais do que um pedaço solto de algo maior.

Marvels: Epílogo (Marvels: Epilogue, EUA – 2019)
Roteiro: Kurt Busiek
Arte: Alex Ross
Letras: John Roshell, Richard Starkings
Capa: Alex Ross
Editoria: Tom Brevoort
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: 24 de julho de 2019
Editora no Brasil: ainda não publicado no Brasil
Páginas: 36

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.