Crítica | O Galante Aventureiro (1931)

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Antes de mais nada, é preciso deixar bem claro que o presente “Galante Aventureiro” tem como título original The Cisco Kid e foi lançado em 1931. Aqui no Brasil temos um outro título idêntico, dado a The Westerner, filme de William Wyler lançado em 1940. Este “Galante” de 1931 é, na verdade, a sequência do longa-metragem No Velho Arizona, o primeiro filme sonoro gravado em locações e o primeiro importante filme com o personagem Cisco Kid, inspirado na obra de O. Henry e que se tornou um ícone cinematográfico, especialmente durante a década de 1940.

Assim como In Old Arizona, The Cisco Kid tem direção de Irving Cummings e traz novamente Warner Baxter no papel principal (ele ganhara o Oscar em 1929 por interpretar o personagem) e Edmund Lowe vivendo o Sargento Mickey Dunn, o militar mulherengo que mais uma vez é nomeado para perseguir e capturar o famoso bandido Cisco Kid. Como se trata de uma sequência — embora o roteiro de Alfred A. Cohn não torne o filme dependente do anterior, existem inúmeras referências à outra aventura –, muita coisa em relação ao personagem principal já está dada, tanto que o filme tem apenas uma hora de duração e consegue contar uma história de maneira quase que totalmente sólida e o desenvolvimento de Cisco Kid não está entre os seus pontos negativos.

O interesse amoroso que mais uma vez liga o homem da lei e o fora-da-lei é Carmencita (Conchita Montenegro), mas existe uma curiosa guinada no texto para a introdução de Sally (Nora Lane) a viúva dona de um rancho e mãe de dois filhos que acaba salvando a vida de Cisco e também entrando na jogada de amor. Ambas as relações se desenvolve de maneira notadamente estranha, especialmente quando se trata do Sargento Dunn, quase sempre deslocado ao longo do filme, com exceção da cena final, uma das mais marcantes em termos de exemplificação moral para os dois personagens e filmada de maneira simples e eficiente por Irving Cummings. Este elemento positivo se estende para uma parte das cenas de contexto, cavalgadas pelo deserto e cenas na cidade ou em interiores, mas nenhuma delas supera o bom uso da câmera que o diretor empreendera em No Velho Arizona, e o mesmo podemos dizer do uso do som, bem mais descuidado na presente obra.

O curioso de um western como este é que mesmo havendo umas incômodas falhas, o espectador não consegue se desligar da obra, gostando bastante do resultado final pelo caráter de movimento, moral de um personagem do Velho Oeste e questões sociais e individuais que ultrapassam o gênero e ganham um caráter realista, mesmo que temporariamente. Divertido e inteligente nas escolhas em relação à continuação, O Galante Aventureiro (1931) mostra que existe um elemento ético muito mais forte do que a lei e o dever quando se trata de ações cotidianas que afetam diretamente pessoas injustiçadas ou em real necessidade ou desespero. Uma reafirmação do caráter similar ao de Robin Hood para este “querido malfeitor” de forte sotaque e reconhecível canção-jargão.

O Galante Aventureiro (The Cisco Kid) — EUA, 1931
Direção: Irving Cummings
Roteiro: Alfred A. Cohn (baseado na obra de O. Henry)
Elenco: Warner Baxter, Edmund Lowe, Conchita Montenegro, Nora Lane, Frederick Burt, Willard Robertson, James Bradbury Jr., John Webb Dillion, Charles Stevens, Chris-Pin Martin, Douglas Haig, Marilyn Knowlden, Rita Flynn
Duração: 60 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.