Crítica | O Mistério da Ilha – A Série Completa

A campanha de divulgação deixou bem claro que a lista de possíveis vítimas era extensa. 13 dias, 25 suspeitos, 01 assassino. O que acontecerá com as pessoas que decidiriam passar um final de semana idílico em Harper Island, para o casamento de um amigo, mas são surpreendidos por uma avalanche de mortes aparentemente oriundas de segredos do passado? Ao longo dos 13 episódios produzidos pelo canal CBS, tendo como base o projeto do showrunner Ari Schlossberg, mergulharemos numa trama atmosférica, mas cheia de imprecisões, tendo como foco central a estrutura slasher básica: um grupo de pessoas reunidas numa ilha são surpreendidas por uma série de crimes envolvendo-os.

Conectada com traços de Eu Sei O Que Vocês Fizeram no Versão Passado, de Louis Duncan, e O Caso dos Dez Negrinhos, de Agatha Christie, O Mistério da Ilha é narrada apor Abby Hills (Elaine Cassidy), a melhor amiga de Henry (Christopher Young), o noivo que se casará com Trish (Katie Cassidy). Como todos sabem, a ilha possui um passado obscuro. O histórico registrou que John Wakefield matou seis pessoas, sendo uma das vítimas, a mãe de Abby. Na ocasião da chegada dos convidados, alguém parece interessado em repetir os acontecimentos do passado. Sete anos se passaram e o que parecia ser algo esquecido retorna para as cobranças.

Dentre os personagens de maior destaque narrativo temos Abby, supostamente a final girl, amiga, como já apontado, de Henry e Trish, os noivos. O xerife Charlie Hills (Jim Beaver) é o pai de Abby, homem que ora aparente ser suspeito, ora vítima, indefinição que move também outros personagens que são descartados da lista de suspeitos após seus respectivos assassinatos. Quem será que está por detrás dos crimes? Temos um assassino real ou tudo não passa de horror sobrenatural? Como escapar de ser esfaqueado, levar uma flechada ou ser queimado? Um clima de pânico se estabelece entre todos, pois ninguém está livre de se tornar a próxima vítima. As chances de se deslocar são remotas, pois uma tempestade impede a saída do local, além de algumas sabotagens com os meios de deslocamento, conveniências do texto dramático para segurar os personagens e suas subtramas.

O Mistério da Ilha começa de maneira bastante lenta e com certo marasmo, mesmo tendo contabilizado 29 mortes em seus 13 episódios. A primeira parte, vagarosa, é o preâmbulo para os agitados momentos da segunda metade, dinâmica, mais sanguinária e cheia de reviravoltas. Há, inclusive, uma cultura ficcional geral que acredita no twist como uma forma de reparar os problemas narrativos no desfecho, sem lembrar que é preciso segurar o espectador desde o começo, bem como construir personagens cativantes para que possamos nos manter interessados. Sem ganchos em seu encerramento, O Mistério da Ilha funcionou bem como série de apenas uma temporada, basicamente uma minissérie, sem cair no erro de retornar com uma história que já não tinha mais nada para dizer.

Gravada em Vancouver, no Canadá, a série possui imagens interessantes para o diálogo com o subgênero slasher. Robert McLachlan, diretor de fotografia, movimenta-se e enquadra bem os espaços, delineando a sensação de solidão, pavor e horror em que os personagens estão envolvidos. Conduzidos pela trilha sonora de David Lawrence, os personagens de O Mistério da Ilha se vestem com seus figurinos bem urbanos, confeccionados por Jenni Gullet, figurinista da equipe de Mark S. Freeborn, profissional que assina o design de produção eficiente, grupo ainda formado por Rosie Marie McSherry nos cenários, todos em bom diálogo com o texto, e a direção de arte de Tony Wohlgemuth, também bem organizada em seus adereços e demais pormenores.

O Mistério da Ilha – A Série Completa – (Harper’s Island/EUA, Abril e Novembro de 2009)
Showrunners:Ari Schlossberg
Direção: Sanford Bookstaver, Rick Bota, Steve Boyum, Craig R. Baxley
Roteiro: Jeffrey Bell, Ari Schlossberg, Tyler Bensinger, Robert Levine
Elenco: Matt Barr, Christopher Gorham, Elaine Cassidy, Gina Holden, Katie Cassidy, Brandon Jay McLaren, Cassandra Sawtell, Jim Beaver, Adam Campbell
Duração:  45 min (cada episódio – 13 episódios no total)

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.