Crítica | O Ventre Negro da Tarântula

Com três Bond girls no elenco (Claudine AugerBarbara BachBarbara BouchetO Ventre Negro da Tarântula é um assustador giallo que acompanha o sensível Inspetor Tellini (Giancarlo Giannini), que investiga uma série de assassinatos nas redondezas de um SPA, todos marcados por algum tipo de perversão sexual e fortes detalhes de crueldade. Seguindo um peculiar comportamento animal, da vespa que paralisa a aranha com uma picada e deposita os seus ovos no ventre do aracnídeo, o assassino do filme tem como modus operandi o seguinte: ataca suas vítimas para lutar com elas — posteriormente sabemos que isso lhe dá prazer –, em seguia as paralisa com uma agulha de acupuntura e depois cortam a barriga dessas mulheres com uma adaga.

Dirigido por Paolo Cavara, o longa cultiva, em todo o primeiro ato, uma interessante sequência de pistas e estranhos motivos que possivelmente estão ligados ao assassino, dando material para que o espectador julgue os personagens e, a partir dessas pistas, tente encontrar o culpado. Todavia, o processo de apresentação é bastante lento e não muito coerente a longo prazo, especialmente na segunda metade da obra, tendo o Inspetor Tellini como um dos problemas dessa estruturação narrativa. Sua relação matrimonial, inicialmente reticente, vai pouco a pouco assumindo um trôpego destaque na fita e, em dado momento, o roteiro prefere adicionar uma crise profissional ao personagem a ter que desenvolver a sua relação entre vida pessoal e pública, o que certamente seria mais difícil, porém, mais interessante.

Giancarlo Giannini está bem no papel, mas as alterações pelas quais seu personagem passa e o seu estranho distanciamento em relação aos assassinatos não ajudam o espectador a comprar de todo a investigação, que perde força à medida que nos aproximamos do final, algo mortal para qualquer suspense. Até a música de Ennio Morricone parece minada aqui, tendo um forte e amedrontador tema (com um tempero sexy gerado pelo sussurro das cantoras), mas sem um destaque realmente impressionante em outros momentos.

A direção tenta chamar a atenção através de novas mortes e de grandes cenas de perseguição (uma delas é particularmente bem dirigida), mas o efeito conseguido com esses momentos passa rápido, uma vez que o roteiro está comprometido pelo tratamento questionável dado ao Inspetor e pela abordagem cada vez mais falha da busca pelo assassino. Falta foco em uma porção de cenas, as pistas na segunda metade do filme são praticamente jogadas e se não fosse a real identidade do giallo que permanece em alta (direção de fotografia e arte, principalmente), o resultado final estaria bem mais comprometido. Trata-se de um filme com uma premissa interessante, uma proposta aterradoramente chamativa, mas um desenvolvimento tardio e conclusão não muito elogiáveis.

O Ventre Negro da Tarântula (La tarantola dal ventre nero) — Itália, França, 1971
Direção: Paolo Cavara
Roteiro: Marcello Danon, Lucile Laks
Elenco: Giancarlo Giannini, Claudine Auger, Barbara Bouchet, Rossella Falk, Silvano Tranquilli, Annabella Incontrera, Ezio Marano, Barbara Bach, Stefania Sandrelli, Giancarlo Prete, Anna Saia, Eugene Walter, Nino Vingelli, Daniele Dublino, Giuseppe Fortis
Duração: 89 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.