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Crítica | Perry Rhodan – Livro 10: Batalha no Setor Vega, de K. H. Scheer

por Luiz Santiago
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Grande Ciclo: Via Láctea — Ciclo 1: A Terceira Potência — Episódio: 10/49
Principais personagens: Perry Rhodan, Reginald Bell, Crest, Thora, Betty Toufry, Tako Kakuta, John Marshall, Chaktor, Thort.
Espaço: Terceira Potência/Galáxia (Deserto de Gobi). Planeta Vênus. Planeta Rofus (9º planeta de Vega, com a capital Chuguinor).
Tempo: Maio de 1975

Batalha no Setor Vega estabelece uma mudança muito grande na condução das narrativas do Perryverso. A primeira dessas mudanças é o avanço de três anos no tempo em relação ao último título da saga, Socorro Para a Terra, um quase-noir que encerrou a luta da Terceira Potência contra os Deformadores Individuais. E então saltamos de julho de 1972 para maio de 1975, com todas as coisas importantes desse período acontecendo em elipse e sendo apenas citadas por K. H. Scheer no decorrer do volume, à medida que essas informações se fazem necessárias.

Eu normalmente não lido muito bem com uma grande quantidade de elipses, mas acho que o caráter dos livros da série Perry Rhodan permitem um melhor suporte para esse recurso. O fato de esses livros funcionarem individualmente tem seus prós e contras, é claro (sendo o pior contra o fato de haver repetições contextuais que soam irritantes para quem está acompanhando a saga cronologicamente — o que não acontece com quem pega um volume qualquer sem ter lido o que veio antes), mas quando falamos de um grande número de elipses, esse tipo de publicação acaba conseguindo melhores resultados.

Nessa linha, há que se elogiar a forma como Scheer soube equilibrar os eventos de 1975 com tudo o que se construiu ao longo dos três últimos anos. O salto temporal poupou os autores de mergulharem em narrações sobre o crescimento territorial da Terceira Potência, do estabelecimento da capital do país (Galáxia), além de seu status de relações internacionais, riquezas e avanços industriais e tecnológicos. Como apontei antes, é bastante irritante a repetição de alguns dados contextuais já observados nos outros livros, mas este é um dos ossos desse tipo de série (e só para fazer uma relação externa, muitas vezes encontramos o mesmo padrão em HQs com publicação mensal, onde os autores repetem certos dados para localizar bem o leitor que tenha chegado àquela historia diretamente, sem passar pelo que veio antes).

Embora eu não tenha gostado da forma como Rhodan é retratado no início do livro — com uma aura de grande salvador que, pra ser sincero, sempre rondou o personagem, mas aqui parece extrapolar alguns limites — acabei achando muito interessante a colocação do personagem e de seus amigos em uma batalha no setor de Vega, a estrela mais brilhante da Constelação de Lira. E esta viagem é o outro grande elemento de mudança que esse livro traz. Até então, a saga procurara estabelecer a presença da Terceira Potência na Terra, a visita e pequena exploração a Vênus e outras pequenas paradas, passagens ou testes na Lua, Marte e Plutão. Todavia, nenhuma dessas aventuras (nem Base em Vênus, livro no qual depositei grandes esperanças e saí relativamente decepcionado) chegou perto do sabor de ópera espacial que Batalha no Setor Vega nos trouxe.

Pincelando as conquistas dos anos anteriores com uma grande movimentação captada pelos aparelhos da Terceira Potência instalados em Plutão, o autor acaba levando Rhodan e parte de sua equipe para um hiper-salto dimensional e nos faz conhecer os ferrônios (de constituição genericamente humana, mas com pele azul) e os tópsidas (homens-lagarto), que estão em guerra. Para citar uma referência visual posterior e que teve sementes inspiradoras aqui em Perry Rhodan admitidas pelo próprio George Lucas, é válido dizer que a segunda parte do livro me lembrou muito certas obras literárias do Universo de Star Wars. A busca por um planeta seguro para aterrissar, o conflito espacial entre raças diferentes e uma interessantíssima dinâmica entre o lado dos mocinhos escondendo um segredo são coisas que saltam aos olhos e nos fazem sorrir de cumplicidade.

Mesmo com uma primeira parte consideravelmente inferior à segunda, Batalha no Setor Vega termina com um saldo bastante positivo e consegue tornar-se uma importante marca para o Universo de Perry Rhodan, tanto pelo salto de tempo quanto pela colocação dos terráqueos e dos dois arcônidas da Terceira Potência numa aventura fora do Sistema Solar. Um livro com uma segunda metade instigante, bem conduzida (inclusive dando a oportunidade para todo mundo atuar com suas habilidades, até mesmo a pequena Betty Toufry — o que torna o uso de Anne Sloane em Base em Vênus ainda mais risível) e com um cliffhanger quase tão bem articulado quanto o da inesquecível Missão Stardust.

A Good Hope não passa de um destroço incapaz de voltar ao Sistema Solar. Perry Rhodan está consciente disso. Mas sabe que os tópsidas possuem uma espaçonave que corresponderia aos planos que tem em mente. Portanto, Perry Rhodan concebe um plano incrivelmente arrojado e ataca de surpresa com seus mutantes. A próxima aventura da saga intitula-se MUTANTES EM AÇÃO.

Perry Rhodan – Livro 10: Batalha no Setor Vega (Raumschlacht im Wega-Sektor) — Alemanha, 10 de novembro de 1961
Autor: K. H. Scheer
Arte da capa original: Johnny Bruck
Tradução: Maria Madalena Würth Teixeira
Editora no Brasil: Ediouro (1976)
171 páginas

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