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Crítica | Primal – 3X04: Presa dos Selvagens

Mira, Fang e os Fanguinhos estão de volta!

por Ritter Fan
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  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

Mesmo ignorando o epílogo do último episódio da segunda temporada de Primal, em que vemos a filha de Spear adolescente com os Fanguinhos já crescidos, o que não tenho problema alguma em fazer, Presa dos Selvagens me deixou coçando a cabeça em termos de linha temporal e espacial e olha que eu normalmente não ligo para esse tipo de coisa. Minha dúvida maior não é em que momento o episódio se passa, pois é evidente que estamos falando de algo como não mais do que nove meses depois da morte de Spear (desconsiderando a cena inicial do enterro, obviamente) pela barriga avantajada de Mira e pelo crescimento dos filhotes de Fang, mas sim como é que, nesse meio tempo, Spear foi revivido pelo vudu do feiticeiro. A caverna em que Spear estava sepultado então não era na aldeia de Mira? E os eventos dos três primeiros episódios se deram em relativamente pouco tempo e substancialmente nos arredores de onde o feiticeiro foi morto? Tive a impressão pelo ritmo narrativo e pela escala do que foi mostrado que houve muito mais tempo e muito mais distância. Ah, quer saber? Deixa para lá… Melhor aproveitar o episódio sem queimar a mufa com detalhes que, em última análise, não importam muito, ainda que não custasse uma clareza maior por parte de Genndy Tartakovsky.

Presa dos Selvagens, portanto, procura fazer a ponte entre o final pré-epílogo de Ecos da Eternidade e tudo o que vimos até agora na nova temporada com Spear zumbificado, mantendo o foco em Mira, Fang e sua prole, depois que a aldeia de Mira é atacada por monstruosos entelodontes que, não sem mérito, têm o apelido de porcos do inferno, que capturam alguns aldeões, incluindo uma criança que brinca com os Fanguinhos e que vemos ser admoestada por Fang quando ela, sem querer, imita Spear. Até a chegada dos delicados javalis que seriam osso duro de roer até para Obelix, a abordagem é de luto e pesar pela morte de Spear e uma lenta adaptação ao novo status quo tanto por Mira quanto por Fang, ambas sofrendo pelo ocorrido, em clássicas sequências de calma antes da proverbial tempestade que acaba desaguando em uma equipe liderada por Mira que sai em busca das presas dos entelodontes. Só um parêntese para retornar ao assunto do primeiro parágrafo, diferente dos episódios anteriores, o roteiro e o ritmo da história, aqui, faz a jornada do grupo parecer curtíssima, de algumas horas, o que realmente faria sentido diante da situação, mas que não combina com a distância que Spear parece ter percorrido até esse ponto.

Apesar de ser um pouco repetitivo em relação ao gigantesco leão cinza de juba preta de Reino do Luto, a introdução de uma líder albina e gigantesca da vara de estelodontes é um momento aterrador, especialmente quando a vemos fazer um lanchinho de humanos logo antes de se deitar para oferecer suas tetas cheias de leite ao que parecem ser seus filhotes. Esse é um momento Primal puro que acho que até foi curto demais, com a narrativa logo retornando para Mira e seu grupo encontrando os corpos do feiticeiro que zumbificou Spear e dos guerreiros com máscara de caveira que foram aniquilados por ele e, depois que ela tem um pesadelo premonitório, um ataque dos porcos do inferno em quantidade muito maior do que a que vemos na caverna. O breve ritual de fogo feito pelos colegas de Miral no cajado do feiticeiro foi interessante e pode ter implicações futuras se o objetivo for fazer Spear retornar ao que um dia foi, mas o ataque em si, apesar da violência usual, pareceu-me consideravelmente menos visceral e inspirado do que o que já vimos na série. Faltou a sensação efetiva de ameaça, pois os guerreiros que compõem a equipe de busca são meras buchas de canhão sem nenhum tipo de personalidade, com Mira, Fang e Fanguinhos em momento algum realmente ficando em perigo.

E, no final, bem mais mais cedo do que eu esperava, sendo sincero, vemos o aguardado retorno de Spear à sua amiga T-Rex e amante humana (minha dúvida é se ele lembra que ela é amante dele…) que serve de cliffhanger para o episódio que marcará a metade da temporada. Eu já disse várias vezes que não sei o que esperar de Tartakovsky nessa temporada, mas Presa dos Selvagens parece indicar um caminho mais… simplificado… para a narrativa que, porém, eu espero que seja só finta e que ele tenha algo consideravelmente mais interessante e ousado do que a reunificação de Spear ao seu núcleo. A única coisa que eu espero que ele evite é a expansão equivocada da mitologia como ele fez na temporada anterior (os vislumbres no pesadelo de Mira me deixaram inquietos nesse sentido, confesso). De resto, vale tudo!

Primal – 3X04: Presa dos Selvagens (Primal – 3X04: Prey for the Wicked – EUA, 1º de fevereiro de 2026)
Criação: Genndy Tartakovsky
Direção: Genndy Tartakovsky
Roteiro: Darrick Bachman, Genndy Tartakovsky
Elenco: Aaron LaPlante, Laëtitia Eïdo, Debra Wilson, Dave Fennoy, Tre Mosley, Phil LaMarr
Duração: 23 min.

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