- Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.
Posso estar errado, mas minha impressão é que O Desague da Vida, antepenúltimo episódio da terceira temporada de Primal, é o começo de uma trinca de capítulos que encerrará o ano e, dependendo do caminho que Genndy Tartakovsky seguir, marcará o fim verdadeiro de Spear ou o recomeço efetivo da vida do protagonista. Digo isso pois, quando os créditos começaram a rolar, comecei, como de costume, a pensar no que escreveria na crítica e tudo o que conseguia pensar era o quão pouco havia para comentar ou, pelo menos, o quão pouco havia para comentar para além do que já comentei nas críticas anteriores. Não é que seja um episódio ruim, vejam bem, mas ele, especialmente em comparação com o cinematográfico O Coração do Morto-Vivo, que veio logo antes, é como seu exato oposto, algo muito mais no automático do que eu esperaria de uma temporada que vem acertando continuamente.
Para além de personagens que me pareceram beber diretamente de inspirações da cultura pop como Gollum, Hulk Gladiador, William Wallace, Avatar e Abobo (na versão do NES de Double Dragon) – ou pelo menos eu assim interpretei -, o que há de relevante é a correlação do “torneio” na cratera vulcânica e do líquido preto que é agraciado ao vencedor com o quinto episódio da primeira temporada da série, em que vemos Krog receber a bebida de um xamã simiesco e transformar-se em um monstro ensandecido que quase liquida Fang. A relação com o passado já longínquo é sem dúvida interessante e parece apontar para uma “cura” para Spear, até porque o efeito do líquido nele não parece ser tão grande assim, talvez apenas criando um vício no zumbi, mas, como eu disse, isso é algo que simplesmente precisa dos episódios seguintes para permitir que um quadro mais completo seja visto. Pelo momento, o que há é, apenas e tão somente, um esboço, algo que pode ser facilmente excelente ou péssimo; inteligente ou burro; prazeroso ou irritante.
E é notável como Tartakovsky parece ter consciência de que esse é um episódio de “começo do fim”, quase que um tampão, já que ele, diferente do que sempre fez, foca menos na violência, que é sempre muito rápida e até de certa forma suprimida, de maneira a abrir espaço para a repetição e para o tempo necessário no vilarejo para que Mira finalmente tenha sua filha, com direito a Spear descobrir o ocorrido e sentir algo por isso, o que deixa evidente para nós que a humanidade que ele vinha recobrando episódio a episódio – e pagando um preço físico por isso – ainda está lá, intacta, outra indicação de que talvez o russo queira arriscar o retorno do Spear original por obra e graça da magia da conveniência.
Ao final, o que temos é a montagem do tabuleiro para o resgate de Spear por Mira munida de mapas da região vulcânica e por Fang (muito provavelmente ao lado dos Fanguinhos) cujo faro pegou o forte cheiro de morte que cerca o neandertal. Fica a torcida para que Tartakovsky tenha um bom plano para os dois episódios finais, seja revivendo ou matando Spear de vez, pois a terceira temporada vinha, contra todas as probabilidades depois da decepção que foi o segundo ano, sobretudo a segunda metade, conseguindo retornar à glória da primeira, mesmo com a decisão ainda não facilmente deglutível de transformar Spear em um zumbi. Façam suas apostas!
Primal – 3X08: O Desague da Vida (Primal – 3X08: The River of Life – EUA, 1º de março de 2026)
Criação: Genndy Tartakovsky
Direção: Genndy Tartakovsky
Roteiro: Genndy Tartakovsky
Elenco: Aaron LaPlante, Laëtitia Eïdo, Fred Tatasciore, Jon Olson
Duração: 23 min.
