Crítica | Star Wars: Galaxy’s Edge

Espaço: Black Spire Outpost, em Batuu (história principal), I’vorcia Prime Preserve, Mygeeto, Jedha, Moraband (histórias dentro da história principal)
Tempo: 34 d.BY

Quando a Disney adquiriu a Lucasfilm em 2012 por pouco mais de quatro bilhões de dólares em dinheiro e ações, ela tinha um plano que ia muito além de mais filmes da franquia Star Wars. Uma grande parte desse projeto de futuro era a construção de uma “terra” dedicada ao universo criado por George Lucas dentro de um de seus parques de diversão, o que foi oficialmente anunciado em 2015. Corta para 2019, mais precisamente 31 de maio, e a gigantesca expansão (a maior já feita, com nada menos do que 14 acres), batizada de Galaxy’s Edge (algo como Fronteira da Galáxia, em tradução livre) tornou-se realidade na Disneyland, em Anaheim, na Califórnia, sendo seguida da inauguração, em 29 de agosto, de uma exata reprodução no Hollywood Studios, parte do Walt Disney World Resort, em Orlando, Flórida.

Como uma pequenina parte do gigantesco esforço de divulgação dessa inédita e, ao que tudo indica, completamente imersiva experiência, a Marvel Comics, também adquirida pela Disney e que vinha publicando, desde 2015, um sem-número de revistas do novo Universo Expandido de Star Wars, lançou a minissérie Star Wars: Galaxy’s Edge em cinco edições que tem como objetivo trazer de vez Batuu (o novo planeta onde o parque é ambientado) para o cânone da franquia. Com Ethan Sacks no roteiro e Dono Sánchez-Almara na arte, o resultado é peculiar, por estranhamente pouco explorar justamente a nova localização desse universo invadida por terráqueos loucos para deixar seus rins por lá, mas ao mesmo tempo trazer uma narrativa simpática e expansiva que apresenta personagens inéditos e faz bom uso de clássicos outros.

A estrutura narrativa faz uso de uma história maior, que permeia toda a minissérie, mas que serve de porta de entrada – ou desculpa – para que pequenas e variadas histórias sejam contadas. Como pano de fundo, temos o colecionador de Batuu, o ithoriano Dok-Ondar sendo abordado por um trio de foras-da-lei liderados pela humana Kendoh em um complexo plano de assalto que envolve espionagem e muitas reviravoltas. A Primeira Ordem também entra na equação perseguindo Kendoh e estabelecendo a linha temporal da minissérie, que se passa algum tempo após os eventos de Os Últimos Jedi.

A cada edição, então, somos levados a uma “história dentro da história”, com Dok-Ondar, incansável falastrão e orgulhoso de sua coleção, contando como adquiriu determinadas relíquias que mantém expostas em seu antiquário. Com isso, somos primeiro levados à I’vorcia Prime Preserve em uma aventura com Han Solo e Chewbacca atrás de um Sarlacc bebê, outra com Greedo tentando recuperar o sabre de luz de Ki-Adi-Mundi em Mygeeto, depois Hondo Ohnaka (personagem introduzido em The Clone Wars) ajudando o colecionador a roubar uma escultura de cristal Kyber de um templo de Jedha e, finalmente, nas duas revistas finais, uma bela ação estilo Indiana Jones com a Doutora Aphra (personagem criada para os quadrinhos) e seus adoráveis androides assassinos em Moraband para recuperar uma espada Sith que não é um sabre de luz.

É por isso que mencionei mais acima que a minissérie aproveita muito pouco o espaço para apresentar a nova “atração” dos parques da Disney, já que grande parte da ação, bem mais que a metade, se passa em outros lugares, com personagens mais conhecidos do público em geral. E, ainda por cima, são essas histórias que realmente chamam a atenção não só por serem auto-contidas, como também por serem melhores do que a que envolve Dok-Ondar, Kendoh e a Primeira Ordem. Cada uma delas captura muito bem o estilo de seus personagens principais, com Sacks conseguindo muito bem imprimir ritmo e dinâmica a tudo que se passa fora de Batuu. Por outro lado, a narrativa que seria a principal não só é confusa pela quantidade de reviravoltas, como deixa o leitor um pouco na mão ao final, já que um pequeno mistério sobre os pais de Dok-Ondar permanece em aberto, possível a ser respondido em visitas ao parque, já que a Disney não é conhecida por dar ponto sem nó. No lado da arte, Dono Sánchez-Almara faz um ótimo trabalho em retratar os personagens tão queridos desse universo, como também em criar os novos personagens para as páginas dos quadrinhos. Além disso, ele tem um belo controle narrativo visual das sequências de ação, o que mantém a fluidez das historietas sempre constante e agradável.

Star Wars: Galaxy’s Edge é, sem dúvida, uma publicação caça-níquel descompromissada que só os leitores mais mergulhados em tudo que é Star Wars se interessarão de verdade. No entanto, nessa categoria de caça-níquel, confesso que a minissérie é uma das melhores justamente por não ter grandes ambições além de contar divertidas pequenas histórias desse incansavelmente explorado universo. Bem, pelo menos essa é a forma mais barata e fácil de se conhecer Batuu!

Star Wars: Galaxy’s Edge (EUA, 2019)
Roteiro: Ethan Sacks
Arte: Will Sliney
Cores: Dono Sánchez-Almara
Letras: Travis Lanham
Editoria: Mark Paniccia, Tom Groneman
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: 24 de abril de 2019, 22 de maio de 2019, 26 de junho de 2019, 31 de julho de 2019 e 28 de agosto de 2019
Páginas: 116

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.