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Crítica | The Expanse – 5X07: Oyedeng

por Ritter Fan
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  • Há spoilers da série de TV, mas não dos livros (mantenham assim nos comentários, por favor). Leiam, aqui, as críticas das demais temporadas.

Oyedeng, que significa “adeus” na língua dos Belters, marca o exato momento da 5ª temporada em que passa a ser perfeitamente possível vislumbrar a reunião de toda a tripulação da Rocinante, com exceção de Amos Burton. Com James Holden perseguindo a Zmeya para recuperar a protomolécula, Alex e Bobbi razoavelmente por perto recebendo a missão de seguir a Chetzemoka e com Naomi “voando” pelo vácuo do espaço justamente para entrar na Chetzemoka e evitar que a nave seja usada como isca para a destruição da Rocinante, todas as peças estão perfeitamente no lugar para que o esperando reencontro aconteça.

Mas isso, por incrível que pareça, por mais bem feito que seja a sucessão de acontecimentos que leva aos encaixes que listei, é apenas a proverbial ponta do iceberg em um episódio absolutamente emocionante que se aprofunda na história pregressa de Naomi com Marco Inaros que funciona como uma belíssima contextualização justamente para tornar o sacrifício dela ainda mais relevante e tenso. Como no episódio anterior – e como na série inteira, para dizer a verdade – o foco é na construção e desenvolvimento de personagens que coloca em primeiro plano os diálogos e os dramas e não a ação.

Mais uma vez, o roteiro de Dan Nowak é muito cuidadoso ao estabelecer todas as conexões necessárias, primeiro a de Marco com Naomi, depois de Naomi com Filip, em seguida Cyn com Naomi e depois com Marco e, finalmente, Marco manobrando Filip, tudo sempre ao redor da mesma temática de culpa, abandono e sacrifício em movimentos circulares que extraem o máximo do elenco, com grande destaque para Dominique Tipper e Brent Sexton, alguns minutos para Jasai Chase Owens mostrar a que veio e outros tantos para só confirmar que Keon Alexander é mesmo um completo canastrão e não exatamente um personagem multidimensional de verdade (o que não é, confesso, um problema sério considerando todo o contexto e sua caracterização como alguém extremamente orgulhoso e narcisista).

Além disso, muito inteligentemente, não só a ação final de Naomi é antecipada pela revelação de seu passado, como também pelo uso da injeção que ela empunha lá atrás em Churn, com Holden salvando Monica no contêiner na Tycho, mas a reviravolta que leva à morte de Cyn – e uma certa frieza, ainda que compreensível, de Naomi – é uma excelente cereja colocada nesse delicioso bolo sci-fi, tudo, claro, sendo testemunhado por um confuso Filip, um jovem que, não tenho dúvida alguma, a não ser que ele mude completamente, ficará traumatizado para o resto da vida por tudo o que já passou, especialmente em razão da forma como seu pai não tem vergonha alguma em manipulá-lo.

No entanto, se o grande destaque do episódio fica mesmo no aprofundamento do drama de Naomi, a ação não é esquecida, mesmo que ela seja muito rápida e econômica, outra marca da série e corolário do seu foco em personagens. Ver a Rocinante lidar com os mísseis lançados pela Zmeya, com direito às novas metralhadoras que envelopam a nave, foi – e desculpem-me a hipérbole – incrivelmente sensacional. E falo, aqui, desde o momento em que a Zmeya parte para o ataque, com os mísseis criando uma espiral digna de balé, até sua explosão, provavelmente com a protomolécula ejetada em alguma nave de escape ou transferida antes para outra nave, já que duvido que esse MacGuffin vá desaparecer assim tão rapidamente. Seja como for, sequências realistas como essas começam a me deixar mal acostumados com séries e filmes menos preocupados com esses tipo de detalhe, o que obviamente é um problema sério, já que The Expanse é a exceção da exceção, praticamente a única obra desde Battlestar Galactica a tentar um mínimo de verossimilhança em combates no espaço.

Tudo transcorreu tão bem que a ausência completa de Amos e a quase completa de Avasarala sequer registraram ou retiraram o brilho de Oyedeng. Não que os arcos deles não sejam importantes, mas sua localização geográfica, no momento, os coloca em desvantagem em termos de foco narrativo, ainda que eu esteja particularmente muito curioso para descobrir como a odisseia de Amos ao lado de Clarissa tangenciará a história macro, pois tenho certeza que isso acontecerá alguma hora.

Mais uma vez, The Expanse mostra toda sua categoria ao não simplesmente seguir o caminho mais fácil da ação e pancadaria e, em pleno final de temporada, investir tempo no drama da história pregressa de Naomi. E, de quebra, ficamos um pouquinho mais próximos do momento em que a Rocinante será mais uma vez tripulada por sua equipe original.

The Expanse – 5X07: Oyedeng (EUA – 13 de janeiro de 2021)
Showrunners:
 Mark Fergus, Hawk Ostby (baseado em romances de James S. A. Corey, nom de plume de Daniel Abraham e Ty Franck)
Direção: Marisol Adler
Roteiro: Dan Nowak
Elenco: Steven Strait, Cas Anvar, Dominique Tipper, Wes Chatham, Shohreh Aghdashloo, Frankie Adams, Jasai Chase Owens, Keon Alexander, Frankie Faison, Michael Irby, Anna Hopkins, Brent Sexton
Duração: 48 min.

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