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Crítica | The Flash – 7X02: The Speed of Thought

por Luiz Santiago
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  • Há SPOILERS deste episódio e da série. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

The Speed of Thought começa com um momento solene, lembrando o sacrifício de Nash em All’s Wells That Ends Wells, praticamente abrindo a porta para fechar o episódio de modo enigmático e com cara cíclica, mostrando o Harrison Wells da Terra-1 sendo revivido depois que foi morto por Thawne. Pois é. Parece que não vamos ficar longe de Tom Cavanagh por muito tempo, não é mesmo?

Eu achei boa a ideia dos roteiristas em começar o capítulo com uma cena solene, lembrando mais um caído que fez parte do Time Flash. Isso prepara o público para uma interessante consequência não prevista em relação à Força de Aceleração artificial, que dá a Barry uma absurda intensidade cognitiva, mas em compensação, retira dele o fator emocional. Com esse padrão lógico em evidência, o personagem perde o referencial do coração — aludido como algum tipo de fraqueza em tempos de crise, logo após o memorial a Nash — e isso o torna praticamente um robô, agindo sob previsões objetivas que não levam em consideração as reações impulsivas e emocionais que tornam quase todos os seres humanos imprevisíveis em cenários críticos.

Ver um herói descer a esse tipo de inferno causa um estranho prazer, vocês não acham? Todo enredo que eu vejo com esse tipo de abordagem, fazendo mocinhos agirem de moto anti-heroico ou mesmo vilanesco, me faz ter um grande interesse pelo desenvolvimento da história, e isso se deve especialmente a dois grandes fatores já batidos (mas muito eficientes, se bem trabalhados) no gênero: a luta do “emocionalmente esvaziado” contra seus amigos e o caminho de volta desse indivíduo para aquilo que era antes, normalmente depois de um ato que ele precisa consertar, agora novamente dotado de suas faculdades emocionais.

Grant Gustin mais uma vez mata a pau a sua representação para essa faceta de Barry. No episódio passado ele deu um belo show assumindo características dos Wells de diferentes Terras, e aqui ele vai progressivamente se “robotizando“, mudando a entonação, diminuindo as expressões faciais e andando de forma mais dura. No final do episódio, o ator ainda faz uma ótima passagem desse estágio para aquele que conhecemos bem de seu personagem, mostrando que com bons roteiros e uma direção eficiente, muita coisa pode ser conseguida. Agora peguem esse mesmo conceito e vejam como ele muda de tonalidade quando analisamos o bloco de Eva.

Um leitor me perguntou nos comentários do episódio passado se eu gostava da personagem, e eu disse que ela tinha um poder e um ambiente interessantíssimos, cabendo aos roteiristas saber trabalhar bem isso. Em outras palavras, eu gosto da personagem sim, mas é daquelas que acho bastante difícil de se acertar o tom, algo que posso exemplificar de diferentes formas nesse episódio. Primeiro, em termos de atuação. A atriz Efrat Dor não tem dificuldades em mostrar Eva assustada, perturbada ou com ares maléficos, embora esse último estágio sempre me pareça um tantinho forçado em tomadas mais longas. Mas vejam como a personagem ganha cores diferentes em cenas como a que Eva conversa com Millie; ou a cena da entrevista; ou acena em que ela está sentada dizendo que este não é o seu mundo. Exposições muito diferentes da personagem, não é mesmo? Em termos dramatúrgicos, isso é ótimo. Mas… como é que isso casa, em linhas gerais, no episódio?

Esse é o ponto em que entra a dificuldade que citei anteriormente. Fica fácil gostar de Eva quando a gente vê cenas em que a atriz abre o leque da personagem. Mas após a grande revelação que tivemos no outro episódio, o que vemos de Eva aqui parece quase um anticlímax. A impressão que deu é que insistiram em colocar cenas filmadas antes só para não perder o trabalho, e com isso quebraram um certo ritmo de andamento para a personagem. Mesmo que não seja algo dramaticamente mortal, certamente incomodou e nos colocou na gangorra de dificuldade para lidar com Eva todo o tempo. Se eu gosto da forma como ela aparece em uma cena, na outra eu já estou torcendo o nariz e perguntando “por quê, meu Deus, por quê?“.

Em contrapartida o texto avança bem com o drama do mundo do espelho, fazendo uma ligação fluída entre o pensamento rápido de Barry, sua perda de emoções e as respostas para as perguntas em relação ao caso. Fica muito claro que parte desse desenvolvimento foi apressado, mas sinceramente eu prefiro assim do que o outro tipo de problema, que é exagerar no tempo de desenvolvimento e desaguar em fillers chatíssimos.

Depois desses dois capítulos exibidos, fico pensando como seria bom que a 6ª Temporada realmente tivesse seguido o seu rumo e terminado com esse drama que agora assistimos. Ele é bom o bastante para aquela linha de histórias. Aqui, mantém a sensação de estranheza na gente, mas diverte e intriga. Agora com Cisco e Caitlin voltando de supetão — e sem nenhum tipo de piscadela explicativa para esse retorno — a atmosfera de time volta a aparecer e nos acostumamos com o novo encadeamento das coisas. Que venha o novo Wells para ajudar em mais um mistério e o choroso Barry querendo consertar mais uma cagada que ele fez esse problema gerado pela falta de emoção. Paradoxalmente, emoção é o que não vai faltar nessa conclusão deslocada de temporada!

The Flash – 7X02: The Speed of Thought — EUA, 9 de março de 2021
Direção: Stefan Pleszczynski
Roteiro: Jonathan Butler, Gabriel Garza
Elenco: Grant Gustin, Candice Patton, Danielle Panabaker, Carlos Valdes, Danielle Nicolet, Kayla Compton, Efrat Dor, Tom Cavanagh, Jesse L. Martin, Patrick Sabongui, Victoria Park, Natalie Sharp, Jessica Hayles, Stephanie Izsak
Duração: 43 min.

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