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Crítica | The Flash – 7X10: Family Matters, Part 1

por Luiz Santiago
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  • Há SPOILERS deste episódio e da série. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

Às vezes a gente acha que essa história das Forças não vai dar em lugar nenhum, mas aí vem um episódio como esse que, apesar de ter seus problemas, consegue dar um encaminhamento decente à história, mantendo bem o ritmo de animosidade entre Flash e a Força de Aceleração — toda trabalhada na vingança, na vontade de matar as suas irmãs. Eu já falei diversas vezes aqui o quanto admiro quando séries de super-heróis (que normalmente concentram um grande número de clichês do gênero), sabem variar o mínimo possível na forma como guiam um vilão ou até mesmo os mocinhos fora da linha do “absolutamente mal” e do “absolutamente bom”. Eis mais um exemplo disso aqui.

Em The Flash, o caso clássico, inclusive apontado aqui por Caitlin, é o de Frost, mas não se trata do único. A própria relação de Barry com alguns vilões meio que tinha fixado uma base desse tipo de relação para toda a temporada, e não é nenhuma surpresa constatar que Psych, ou Bashir Malik, tenha entrado para essa interessante lista, só que com um adendo que achei uma ótima sacada do roteiro: ele continua sendo uma pessoa chata, insuportável, provocadora, inconveniente. Uma ótima forma de mudar o alinhamento do personagem, mas manter as características negativas de sua personalidade, afinal, para ser “uma pessoa do bem” não necessariamente precisa ser uma “pessoa agradável“, não é mesmo? São coisas completamente diferentes e, em se tratando de personagens da DC, temos diversos exemplos disso dentre as mais diversas categorias, do sociopata Batman ao desprezível Guy Gardner, que até hoje não consegui entender como os Guardiões acharam que aquela lata de lixo poderia ser digna do Anel… mas enfim, já estou divagando…

Com Bashir aparentemente convencido de que matar é ruim (hehehe), o Time Flash supostamente teria um pouco mais de força para lutar contra a enlouquecida Força de Aceleração. De novo, não consigo ver como há uma corrupção tão grande de ideais e postura para essa Força. No episódio anterior, discuti com muitos detalhes o cerne da concepção de uma “força da natureza” num Universo de super-heróis, e o fantasma dessa discussão volta a assombrar aqui. Não engulo de jeito nenhum a Força de Aceleração se comportando desse jeito, e chegou um momento (especialmente após isso que aconteceu com Psych), que esse tipo de atitude fica ainda mais distante daquilo que poderíamos esperar, e tudo com base em uma justificativa que o próprio andamento da série já provou ser falha. Ao que me parece, vamos permanecer mesmo com essa motivação frágil e “desatualizada”. Só espero que o fim disso tudo tenha alguma coerência.

No geral, o episódio foi destinado à mudança de Bashir e a mais uma visão sobre como alguns laços são importantes, com destaque aí para os laços familiares. É uma premissa interessante, mas não é algo que morro de amores para ver trabalhado em uma série de super-heróis não. Nesse caso em específico, o arco tem razão de existir, já que Cisco está indo embora e há todo um novo plot realmente familiar vindo aí na outra parte da temporada, então é uma ponte interessante. Com um elenco novo bem escolhido, é algo que acabou ganhando um inesperado bom patamar no show.

O drama de Joe finalizou o episódio com uma nota amarga. Não sei se é uma jogada dele ou se é algo que colocará Kristen Kramer realmente no poder por um tempo, fazendo todas aquelas coisas que os adoradores do poder desmedido como vingança pessoal acham que estão fazendo: tornar-se um “vigilante legal” hipocritamente paternalista (“estou fazendo o isso para o bem de todos“) quando na verdade se está apenas misturando um prazer pessoal pela dor alheia com orgulho e exercício da justiça com as próprias mãos. O tipo de autoridade nojenta que se esconde atrás de processamentos legais para fazer e desfazer em cima de coisas que podem ser tudo, menos justiça. É um lado interessante dos episódios e que espero que ganhe uma expansão maior, já que isso deve novamente ligar-se com Frost, em algum momento. O problema é que com essa novelinha das Forças, não tenho certeza o quanto sobrará de bom espaço para novas histórias surgirem.

The Flash – 7X10: Family Matters, Part 1 — EUA, 18 de maio de 2021
Direção: Philip Chipera
Roteiro: Emily Palizzi, Lauren Barnett
Elenco: Grant Gustin, Candice Patton, Danielle Panabaker, Carlos Valdes, Danielle Nicolet, Kayla Compton, Brandon McKnight, Jesse L. Martin, Victoria Park, Michelle Harrison, Carmen Moore, Sara Garcia, Ennis Esmer, Christian Magby, Georgie Daburas
Duração: 43 min.

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