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Crítica | The Flash – 8X02: Armageddon, Part 2

Que bom que o Armageddon não começou!

por Davi Lima
2.641 views (a partir de agosto de 2020)

part 2

  • Há SPOILERS deste episódio e da série. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

part 2 It has been an honor working with you, Barry Allen. Farewell. – Gideon

Quem diria que uma mistura de jogos de câmera e uma história direta sobre o Flash fazendo atos vilanescos seria tão bom? Não é novidade na série em que Flash vai para o lado do mal, ou uma sequência de ações drásticas provoca uma grande tensão para a moral do protagonista, mas Armageddon, Part 2 não apenas precisava desse tipo de história, que muda o cenário comum, como demonstra o quão interessante Despero pode ser como personagem. É um episódio que funciona muito em seu apelo de suspense dramático, nas suas novidades para engatar o próximo capítulo e nos anexos narrativos – como a trama de Chester – que torna tudo lógico e complementar para uma excelente experiência de ver o episódio da semana.

Como sempre, e ainda bem, The Flash foca no problema de Barry com o tempo e a velocidade. A trigésima vez que mais um destino é traçado para ele, mas sua autoconfiança, baseado nas inúmeras vezes de casos semelhantes que precisava-se mudar o futuro e deu certo, é o ponto de dúvida de como dessa vez Flash vai falhar. Sempre é óbvio, algo vai dar errado, o vilão vai estar certo, porém, o ponto diferencial é o suspense elaborado com essa previsão de Despero. Ele sempre está na espreita, e na fagulha de Barry ser incriminado, Armageddon, Part 2 usa o que a série sempre usou de exagero dramático para a tensão. Fica até bizarra algumas decisões de criar uma pressão pela voz modulada do alienígena com olho na testa, ou como Grant Gustin é sempre posto em tela como se estivesse deslocado na profundidade de campo que a fotografia grava-o. Mas é direto e efetivo na mesma proporção que se trata de uma novidade para o espectador também.

Geralmente a linguagem de The Flash soa novelesca, melodramática, só que o problema nunca é esse. Pegando a exemplo do Armageddon, Part 1, Chester fica excessivamente decepcionado com Ray Palmer não ser o Átomo e cientista que ele esperava, um drama novo que cobra muito de uma empatia pouco conectada com o personagem, mesmo que sua característica em geral seja de empolgação e sua mudança de humor seja facilmente entendível. Já nessa Part 2, Chester fica num dilema não relacionada a sua característica emocional, muito menos busca-se apelar para as expressões de Brandon McKnight para mostrar ele decepcionado, e sim utiliza-se seu caráter pacifista para entrar em conflito a necessidade de uma arma letal contra Despero, e objetivamente finalizar o drama de Chester criando um escudo protetor para Barry na hora H. Ou seja, ainda mantendo o tom autoajuda da série, do personagem “infantilmente” se justificando para Allegra do porque fez uma arma, mesmo sendo contra, e como ela discursa para ele que sua função é proteger Barry sem perder a essência pacifista; o toque empático no espectador vem mais fácil por ser um acréscimo de desenvolvimento do personagem e por servir diretamente como resolução e complementação para o clímax do episódio.

Assim, essa trama menor de Chester junto com o enredo do vilão equilibram o suspense e o drama mais direto. Nesse segundo episódio do evento Armageddon há mais explicações sobre uma tal Chama de Py’tar e o planeta de Despero chamado Kalanor. A participação de Alex Danvers de Supergirl é valorzinho que o evento crossover apenas em The Flash anseia, assim como a aparição de Jefferson Pearce para ajudar Barry na Sala da Justiça. Há todo uma história de fundo, sobre como o antagonista de Flash assumiu a Terra como sua nova casa após ser banido do seu planeta. Esse drama é bem interpretado por Tony Curran. Ele incorpora bem a caricatura, os diálogos, tendo um espaço bem tranquilo para atuar teatralmente para os jogos de câmera que tanto chamam atenção nesse episódio.

Num processo de escalada, se a ideia central de Armageddon, Part 2 é tornar Barry preocupado com sua justiça, com seu heroísmo em meio ao seu suspense de ser consumido pelo fogo da tragédia – como Despero diz para ele -, tanto o vilão precisa ser melhor delineado para que sua previsão do futuro do Flash do mal seja mais crível em meio a tensão do destino se revelando, como Chester é importante como apoio moral que alivia o peso apenas na trama do Flash na construção do desespero. Pois a direção de Menhaj Huda parece inspirada num filme de terror, usando montagens que aumentam a profundidade de campo, efeito vertigo – naquela cena que Barry descobre que Joe está morto, plano-holandês – quando o eixo da câmera entorta na diagonal, fatores técnicos que enfatizam a mudança de cenário com a história do episódio: Star Labs demolida? A descoberta de Joe morto? Como Flash esqueceu isso? Como ele atacou os amigos? Gideon desligada?

Nessa parte 2, o Armageddon virou realmente uma profecia próxima e em rápida velocidade. Isso se relaciona muito com a narrativa em como é contada num caminhão de tragédias, e como Barry, que parece mais forte, mais veloz, parece desse jeito fugir do tempo que lhe é precioso para torná-lo no destino de Despero. A questão de Joe está morto há seis meses, que já tinha sido ventilada sugestivamente no episódio anterior, é um baita twist sobre o escopo das coisas, evidenciando o porque esse episódio é muito bem feito, expondo o mundo rápido na mente de Barry à parte dos seus amigos, em que nem o tempo de luto é respeitado. O Armageddon que felizmente não inicia, embora crie medo para seu começo.

The Flash – 8X02: Armageddon, Part 2 — EUA, 23 de novembro de 2021
Direção: Menhaj Huda
Roteiro: Jonathan Butler, Gabriel Garza
Elenco: Grant Gustin, Candice Patton, Danielle Panabaker, Danielle Nicolet, Kayla Compton, Brandon McKnight, Chyler Leigh, Carmen Moore, Tony Curran, Kandyse McClure, Cress Williams, Stephanie Izsak, Jessica Hayles
Duração: 43 min.

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