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Crítica | The Handmaid’s Tale – 4X09: Progress

por Luiz Santiago
6534 views (a partir de agosto de 2020)

  • SPOILERS! Confira as críticas para os outros episódios da série e para o Universo criado por Margaret Atwood  aqui.

A dor e a tristeza podem ser evocadas de diversas formas em um bom drama. Em séries como The Handmaid’s Tale, onde o enredo está assentado numa base histórico-política de ordem distópica — todavia amplamente espelhada em nossa realidade — a dor e a tristeza parecem muito fáceis de se evocar através de qualquer crônica das vítimas desse sistema pseudo-cristão que quer “Deus acima de todos e a pátria acima de tudo“. Mas episódios como Progress conseguem extrair dor e tristeza de outras fontes, mesmo considerando o ambiente em que seus personagens vivem. Episódios como Progress evocam o perigo e as complexidades da vida, coisas que muitas vezes nos soterram e diante das quais não temos nenhum poder. E eis aí uma das tristezas mais doloridas que temos. Aquela dos sonhos frustrados, aquela da perda de algo que se tinha em mãos, aquela das possibilidades, do eterno “se…“.

Mais um episódio dirigido por Elisabeth Moss, Progress evoca uma série de sensações que, na série, acabamos tendo mais contato através dos flashbacks. Como o uso deles (por motivos óbvios) recuaram desde que June chegou ao Canadá, o elemento pessoalmente emotivo do show ganhou espaço no corpo do episódio, e entre intrigas políticas com resultados enraivecedores (Fred apresentando informações à Procuradoria canadense para conseguir sua liberdade) e um encadeamento curioso e igualmente triste em Gilead (o que está acontecendo com Janine?) temos June diante de uma situação no mínimo marcada por um dilema e que, do ponto de vista do casamento dela com Luke, tem a sua complicação de traição — aliás, Nick também está casado, não? Ou aquela aliança é “de June”?

Aqui, tudo fica mais delicado. Há muito, vocês sabem o quanto em prezo os dramas e personagens multifacetados, com diversas cores possíveis em sua constituição moral, em seu alinhamento pessoal diante de determinados desafios. Personagens centrais (os coadjuvantes ou os eventuais podem se dar o luxo de terem uma característica diferente) muito certinhos e de uma nota só, especialmente em enredos tão mortificantes quanto esses, são, em suma, personagens ruins. E THT vem nos mostrando a sua ótima variedade desde há muito tempo, basta lembrarmos da dualidade violenta versus “acolhedora” com que Fred e Serena tratavam June em muitos momentos do passado. O Comandante Lawrence é um outro exemplo, e que a cada episódio se torna ainda mais difícil de ler. Tia Lydia é outra. Pois bem, em meio a tantas variantes de comportamento, entramos aqui numa montanha-russa de emoções para June, indo desde o coração, considerando os sentimentos dela por Nick, até a raiva pela injustiça de cunho político que está para acontecer.

Sendo o penúltimo episódio da temporada, eu já espero que o final me deixe espumando de ódio. Pelo visto, as coisas em Gilead estão para mudar de modo intenso, e sigo muito curioso para ver como vão tratar Janine daqui para frente. Ela estaria “se convertendo” aos modos de Tia Lydia ou seguindo atuando, acreditando em June? Esther parece que vai se tornar uma personagem recorrente e, com o ódio que ela tem, será muito bom vê-la envolvida em novos movimentos para derrubar Gilead. Ou quem sabe teremos uma quebra de expectativas aí?

Diante de um capítulo tão focado em emoções e em diferentes modos (para além da violência física) de gerar dor, vemos que THT permanece nos trilhos, fazendo de seus personagens os mais plurais possível e deixando-nos roendo as unhas de curiosidade para como reagirão a cada novo desafio que terão pela frente. A ira de June na cena final é um desses grandes exemplos, tornado ainda melhor pela direção intensa e, claro, pela notável atuação da deusa Elisabeth Moss.

The Handmaid’s Tale – 4X09: Progress (EUA, 9e de junho de 2021)
Direção: Elisabeth Moss
Roteiro: Aly Monroe, Eric Tuchman
Elenco: Elisabeth Moss, Joseph Fiennes, Yvonne Strahovski, Madeline Brewer, Ann Dowd, O-T Fagbenle, Sam Jaeger, Max Minghella, Samira Wiley, Bradley Whitford, Mckenna Grace, Ever Carradine, Stephen Kunken, Jeananne Goossen, Edie Inksetter
Duração: 47 minutos

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