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Crítica | Titãs – 3X08: Home

por Ritter Fan
5.735 views (a partir de agosto de 2020)

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

Ao final do episódio anterior de Titãs eu disse que era improvável, mas não impossível que o seguinte fosse pior, dada a qualidade abissal de 51%. Pois eis que Home vem para deixar claro que tudo é possível nesta série que, pelo visto, se perdeu completamente e transformou-se em um emaranhado desconexo de sequências dramáticas e de ação que não contam uma história e sim regurgitam uma narrativa disforme que por acaso tem alguns personagens bacanas dos quadrinhos da DC Comics.

E notem que o problema macro da série não é ela ser mais um spin-off de Batman do que sobre os Titãs ou a forma deturpada como os personagens são usados e, em alguns casos, ignorados quase que completamente, não fazendo muito mais do que figuração. O problema de Titãs não se relaciona com ela ser ou não uma série de super-heróis, mas sim em não funcionar como uma obra audiovisual serializada pelo que parece ser a mais completa falta de planejamento do showrunner Greg Walker e da produção como um todo.

Deixe-me usar um exemplo para ilustrar o que estou querendo dizer: Tim Drake. Esqueçam que o roteiro de Tom Pabst fez algum esforço para emular a origem dos quadrinhos do Robin III, revelando que o jovem viu os pais de Dick morrerem no trapézio e deduzindo as identidades secretas da batfamília, pois isso não importa realmente. O ponto é que o personagem caiu de paraquedas no momento em que a história precisava que ele aparecesse, desavergonhadamente fazendo o jovem tocar a campainha da Mansão Wayne para ter uma conversinha com Dick Grayson. Reconheço que ele já havia aparecido antes na temporada, mas pontas não contam para estabelecer o desenvolvimento de personagens e justificar sua presença mágica aqui em Home. Seria pedir demais que nós tivéssemos acompanhado as desventuras de Tim Drake paralelamente às dos Titãs, talvez fazendo-o finalmente achar as últimas peças do quebra-cabeças do Morcegão ou simplesmente aparecer mais do que em dois ou três relances safados para o showrunner poder dizer algo bobo como “viu, estava tudo planejado desde o começo!”. Nenhuma série que se preze minimamente aborda personagens teoricamente importantes dessa forma.

Querem outro exemplo? Pois bem. O Espantalho, introduzido como um mestre manipulador mirabolante capaz de, no dia seguinte ao que sai do Asilo Arkham, montar uma gigantesca operação de processamento de drogas, não só levou dois tabefes dos Titãs no final do episódio anterior, como me aparece agora como um completo idiota tentando perfurar sei lá quantos centímetros de aço com uma broca de cimento para envenenar a água de Gotham City (plano original, usado só umas 52 vezes por ano desde que o Batman foi criado). E, pior ainda, ele, do nada, vai visitar sua mãe, que nunca havia sequer sido mencionada antes, de forma que o roteiro inteligentemente deixasse claro que ele é desse jeitinho perturbado por ter sido abandonado por mami. Sério, gente? Todo mundo agora precisa ter trauma nessa série para justificar seus atos? E, mesmo que tenha que ter, precisa ser algo mequetrefe assim, jogado no meio de um episódio qualquer, sem preparação alguma?

E a volta dos transes de Estelar? E os sonhos esquisitos de Dick? E o RAIO da goteira em cima da mesa de Bárbara? E Kory sair lançando fogo de qualquer jeito sem pensar antes? E tenho mais uma pergunta: e todo o papo que Jason é coitadinho, que ele basicamente “só” matou o Hank e, por isso, precisa ser perdoado para juntar-se aos Titãs? A essa altura do campeonato, eu já estava é rindo de nervoso, tentando construir mentalmente o que escrever sobre isso para vocês, meus caros leitores. Mas esse monte de pergunta sem resposta é tudo o que tenho a oferecer, pois realmente está complicado aturar esse trem desgovernado e prestes a descarrilar que é Titãs.

Para não dizer que tudo foi errado – inclusive balear Tim Drake e o Superboy se limitar a usar a visão de raio-x para dizer que a bala não se alojou no corpo do rapaz, ao invés de… sei lá… LEVÁ-LO CORRENDO/VOANDO AO HOSPITAL??? – achei simpático (ou fofo, como minhas filhas certamente diriam) o relacionamento de Conner com Komand’r. Os dois combinam direitinho e a confissão do Superboy que ela foi a primeira vez dele me extraiu um sorriso que eu converti no meio HAL que vocês podem ver na avaliação aqui em cima. Sim, estou me sentindo benevolente hoje.

Titãs deixou de ser uma série para se levar a sério e transformou-se em um caso de estudo sobre como NÃO se fazer uma obra audiovisual. Espero que as escolas de cinema do mundo usem a carcaça desse estrupício narrativo para deixar bem claro a futuros produtores, diretores e roteiristas que esse não é o caminho a se seguir em hipótese alguma. Mas é claro que isso é apenas um sonho, já que o que interessa mesmo é a audiência e se a audiência compra isso aqui como compra tanto lixo que é oferecido por aí, então é capaz que Titãs seja usado, muito ao contrário, como um modelo a ser seguido. Mas encerrarei com um comentário positivo, igual – ou quase – ao que usei para fechar a crítica anterior: a única coisa realmente boa que pode ser dito de 51% Home é que foi um capítulo tão ruim, mas tão ruim, que é estatisticamente improvável que o próximo seja pior. Mas notem que eu disse improvável, não impossível…

Titãs – 3X08: Home (Titans – EUA, 16 de setembro de 2021)
Showrunner: Greg Walker
Direção: Larnell Stovall
Roteiro: Tom Pabst
Elenco: Brenton Thwaites, Anna Diop, Teagan Croft, Ryan Potter, Curran Walters, Joshua Orpin, Vincent Kartheiser, Damaris Lewis, Jay Lycurgo, Savannah Welch, Eve Harlow, Debra Hale
Duração: 47 min.

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