Home TVEpisódio Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Space Museum (Arco #15)

Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Space Museum (Arco #15)

por Luiz Santiago
84 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 3

Equipe: 1º Doutor, Ian, Barbara e Vicki
Espaço-tempo: Planeta Xeros, 2965 (?)

Conceitualmente, este é um dos arcos mais “científicos” do 1º Doutor.

A história é centrada em uma inteligentíssima pane que a TARDIS (sempre ela) apresenta e faz com que os conhecidos viajantes estejam em duas linhas temporais diferentes, no mesmo lugar, o Planeta Xeros, casa dos Xerons e local dominado pelo Império Morok, que o transformou em um grande museu intergaláctico. Existem, em exposição, peças de diversos lugares do Universo, inclusive um Dalek vazio, onde o Doutor se esconde de um guarda do museu.

A história é genial em seu início, mas decai no decorrer dos episódios, principalmente porque a ação se divide em duas frentes e a importância dada ao paradoxo temporal diminui, chegando até ser esquecida em algum ponto.

Quando a TARDIS se materializa no planeta e os seus passageiros entram no museu, eles percebem que estão expostos em uma vitrine. É quando se dão conta de que já estiveram lá antes, e que foram transformados em atração para as visitas inexistentes – e esse detalhe é incômodo e interessante ao mesmo tempo: apesar de ser um museu espacial, não há visitantes, porque o Império Morok não se interessa mais por esse tipo de coisa, essa atenção dada à memória. O Doutor identifica esse abandono como um sinal de decadência do Império e compartilha isso com o Governador Lobos, o comandante de ocupação Morok em Xeros.

A única saída para o grupo é esperar que as linhas se desencontrem e eles finalmente “cheguem” no planeta, para que então possam fazer alguma coisa e impeçam que se tornem peças congeladas de um Museu Espacial. É a partir desse momento que a narrativa decai, mas não abandona totalmente a sua qualidade. O que contrasta com o ritmo do início para o final é a motivação a história. O arco se inicia com uma teórica e deliciosa visão sobre estar em linhas temporais distintas, mas o roteiro dá uma guinada para conflitos do grupo com os dominadores moroks. Paralelamente, os estranhos jovens xerons também empreendem a sua luta, conseguindo chegar à revolução com a ajuda de Vicki.

Os cenários quase minimalistas e as filmagens em sua maior parte no interior do prédio dão um tom claustrofóbico aos acontecimentos. Algo que se destaca é o ritmo da montagem, que de maneira muito eficiente torna uma sequência de eventos aparentemente presa a um espaço de ação em uma fluída caçada a inimigos. Mesmo assim, essa relação deixa a história insossa em seu desfecho. Apensar da abordagem pontual da teoria sobre a modificação do futuro, o foco das ações é transferido para um outro problema, o que certamente não melhora as coisas.

A direção de Mervyn Pinfield aqui consegue aglutinar alguns pontos soltos, mas as atuações dos moroks e dos xerons são medíocres e não conseguimos ter muitas emoções nem em relação a um grupo, nem a outro. O que fica claro para o espectador é a legitimidade de luta, sendo um grupo, o invasor; o outro, o nativo. Nesse ponto, chegamos até tomar partido, mas como não existe um necessário desenvolvimento psicológico ou uma grande trama em torno dessas duas raças alienígenas, a recepção do público não poderia ser mais próxima da indiferença.

O que anima o espectador é saber que os Daleks esperam os viajantes para mais uma batalha. E outra é a curiosidade de saber o que foi que o Doutor retirou do Museu Espacial e levou para dentro da TARDIS.

The Space Museum (Arco #15) – 2ª Temporada

Roteiro: Glyn Jones
Direção: Mervyn Pinfield
Elenco principal: William Hartnell, William Russell, Jacqueline Hill, Maureen O’Brien, Richard Shaw, Jeremy Bulloch, Peter Craze, Ivor Salter

Audiência média: 9,18 milhões.

4 Episódios (exibidos entre 24 de abril e 15 de maio de 1965):

1. – The Space Museum
2. – The Dimensions of Time
3. – The Search
4. – The Final Phase

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6 comentários

Bruno 9 de fevereiro de 2020 - 08:52

Que arco gostosinho de ver! Doutor e Vicki perfeitos! E eu não dava nada pela moça quando ela entrou na série hein… Aqui ela já cumpre muito bem o “lugar” da Susan como jovem e protegida pelo Doutor e o da Barbara, a mulher inteligente.

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Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 9 de fevereiro de 2020 - 09:33

Não é? Ela parece toda medrosinha e indefesa, mas amadurece rápido e tem uma boa colocação na série! Não se se já disse, mas é bom repetir: esse é o meu time favorito da Era do 1º Doutor!

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Fernando de Moraes 31 de janeiro de 2016 - 17:59

Embora tenha perdido folego do meio pro final, ainda achei um arco muito bom (não tanto quanto poderia ser, mais, ainda assim, muito bom). Além disso, teve algumas coisas memoráveis nesse arco: Doutor dentro do Dalek mimetizando a voz robótica dos Daleks e as “respostas mentais” dadas pelo Doutor ao ser interrogado na “cadeira telepática”. Não consigo parar de rir ao pensar nas imagens na telinha quando o Doutor era questionado!

No mais, como sempre, ótima crítica.

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Luiz Santiago 31 de janeiro de 2016 - 18:17

Obrigado, @fernandodemoraes:disqus!
Eu confesso que queria gostar bem mais desse arco do que eu gostei. Mas ele tem mesmo cenas memoráveis. A do Doutor dentro do Dalek não dá pra esquecer de jeito nenhum. É sensacional!

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Carlindo José 12 de janeiro de 2016 - 22:59

Esperava mais desse arco, realmente teve um início bastante promissor, os 2 primeiros episódios pra mim foram excelentes, mas os dois últimos ficaram muito simplórios e se transformaram numa mesmice muito ruim. Os dois grupos de personagens foram muito mal explorados, com poucas informações sobre o mesmo, no final ficamos sabendo quase nada sobre o Império Morok ou os Xerons, os pontos positivos do arco foi a premissa inicial, que era ótima, além da participação de Vicki, tomando a frente, descadeando a revolução, além da excelente atuação do William Hartnell, com suas características peculiares de um Doutor que esteja sempre no comando da situação, ou ao menos demonstre estar. Por fim, acho que a nota dada ao arco foi justa, fiquei com boas expectativas para The Chase, com a volta dos Daleks e esse equipamento que o Doutor pegou do museu.

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Luiz Santiago 13 de janeiro de 2016 - 00:23

Pensamos muito parecido em relação ao arco, então. Como você viu no texto, também fiquei muito animado com o começo… Toda aquela colocação científica e a premissa mesmo do episódio me atraíram bastante. Mas é justamente o abandono dessa linha mais “investigativa” ou “problematizada”, não sei bem a palavra, que faz os episódios finais perderem força…

E “The Chase” é fantástico! 😀

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