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Lista | Top 10 – Os Melhores Álbuns de Rap Nacional em 2019

por Rodrigo Pereira
1372 views (a partir de agosto de 2020)

Se 2018 foi um ano onde fomos presenteados por diversos trabalhos de grande qualidade dentro do rap, 2019, felizmente, seguiu o mesmo caminho. Entretanto, considerei por bastante tempo que o atual ano não seria tão prolífico quanto o passado, devido a maioria das obras que entraram para minha lista desse ano terem sido lançadas somente no segundo semestre. Adoro quando cometo esse tipo de erro, por mais contraditório que possa parecer.

É o segundo ano que faço essa lista e é sempre um prazer enorme poder escrever e debater com vocês sobre esse gênero que gosto tanto. Para quem não viu, a lista dos melhores álbuns de rap nacional de 2018 pode ser acessada clicando aqui. E para não prolongar muito, fique com a lista dos melhores discos de rap lançados no Brasil em 2019.

 

10° Lugar: Tão Real – Rashid

Dividido em primeira e segunda temporada que totalizam 47 minutos de música, a nova obra de Rashid, como o próprio comentou em suas redes sociais, foi idealizada se inspirando nos formatos de séries televisivas. Admito que a ideia não me pegou por completo, apesar de considerá-la interessante. Mesmo que julgue Crise, penúltimo álbum do rapper, um trabalho melhor, Tão Real traz um Rashid com rimas inteligentes e uma produção de muita qualidade, entregando um projeto que merece um lugar de destaque entre os lançamentos do ano.

Música destaque: Não Pode / Sobrou Silêncio

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09° Lugar:  Mundo Manicongo: Dramas, Danças e Afroreps – Rincon Sapiência

Mesmo percebendo o ritmo mais dançante nos singles mais recentes do artista, ainda esperava algo mais próximo do maravilhoso Galanga Livre, último álbum lançado pelo rapper. E isso de forma alguma é um comentário negativo, já que é impossível ficar parado ao ouvir as batidas frenéticas, as ótimas misturas de ritmos e as rimas muito bem combinadas e certeiras de Rincon Sapiência em seu Mundo Manicongo. O jeito é aproveitar que estamos na estação mais quente do ano e colocar para tocar esse álbum com cheiro e gosto de verão. Waaaaw!

Música destaque: Arrastão

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08° Lugar: Psicodelic – Coruja BC1

Eu costumo gostar bastante de vocais mais agressivos dentro do rap. Acho que casa muito bem com o gênero, principalmente quando a canção possui um tom de denúncia e crítica mais forte. Um dos motivos que me fazem gostar tanto do Coruja BC1 é exatamente por ele possuir esse estilo na maior parte de seus trabalhos até aqui. O mais interessante de Psicodelic é que ele tem conhecimento disso e apresenta faixas incríveis com essa pegada, mas também explora algo mais romântico em músicas como Meu AnjoÉramos Tipo Funk, fazendo essa transição através de um interlúdio de uma conversa com uma psicóloga que, mesmo não sendo algo inédito, funciona extremamente bem. É um álbum que traz o melhor das múltiplas facetas de um dos melhores rappers da nova geração.

Música destaque: Gu$tavo$

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07° Lugar: Rap de Massagem – Hot e Oreia

Esse aqui foi uma indicação do Handerson Ornelas que não poderia ter sido melhor. O álbum de estreia da dupla Hot e Oreia é extremamente bem produzido, com batidas envolventes, viciantes e diversas entre si, assim como liricamente bastante humorada e politizada. Ainda que seja um disco curto, com apenas 29 minutos de duração, é um trabalho de altíssima qualidade e que já nos deixa com gostinho de quero mais na espera para os próximos trabalho da dupla.

Música destaque: Eu Vou

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06° Lugar: Abaixo de Zero: Hello Hell – Black Alien

Um dos maiores nomes do rap nacional, Black Alien nos presenteou com uma obra não menos que espetacular no início de 2019. Abaixo de Zero: Hello Hell é o terceiro álbum de estúdio da carreira solo do rapper e trata principalmente sobre sobriedade e uma nova fase em sua vida pessoal que teve influencia direta na vida artística. Com bastante presença de elementos do soul, o Mr. Niterói celebra seu eu mais recente e como é prazeroso vê-lo assim, em plena forma.

Música destaque: Carta Pra Amy

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05° Lugar: Veterano – Nego Gallo

O primeiro lançamento da cena no ano a chamar minha atenção foi de, com perdão pelo trocadilho, um veterano. E digo isso muito mais pela caminhada do que pela idade, já que Carlos Gallo, o Nego Gallo, está na ativa há um tempo considerável. Integrante do famoso grupo nordestino Costa a Costa, Veterano é sua primeira obra solo da carreira em que canta sobre sua realidade em Fortaleza, diretamente “das vielas de Downton”. Com uma produção afiadíssima, carregada de efeitos e distorções vocais e conversando com demais estilos musicais como funk e, principalmente, reggae, Nego Gallo criou uma obra incrível e viciante do início ao fim.

Música destaque: No Meu Nome

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04° Lugar: Drik Barbosa – Drik Barbosa

Mesmo não sendo o primeiro trabalho lançado por Drik Barbosa, vide seu EP Espelho, esse álbum homônimo é o primeiro disco da carreira da cantora paulista. E que disco, hein? Contando com diversas participações dos mais distintos artistas, a obra bebe desde o R&B até o funk, passando pelo soul, mas sem nunca deixar o rap de lado. O resultado é um disco extremamente coeso, muito bem produzido e que consolida de vez a artista entre os principais nomes da nova geração do rap nacional.

Música destaque: Rosas

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03° Lugar: O.N.F.K. – Amiri

Lançado aos 45 minutos do segundo tempo, o primeiro álbum de estúdio de Amiri veio quebrando tudo e foi parar entre as primeiras posições da lista já quando achava que dificilmente mudaria algo nela. Pois bem, O.N.F.K. é o tipo de obra que faz isso com a gente. Com um flow agressivo e ágil, Amiri apresenta faixas com rimas totalmente bem encaixadas em que reflete sobre temas como racismo, depressão, superação, empoderamento negro e amor, resultando em uma obra completíssima e que vai custar a sair dos seus fones de ouvido.

Música destaque: Se Eu Morresse Hoje

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02° Lugar: AmarElo – Emicida

Apesar de esperar algo completamente diferente do novo trabalho do EmicidaAmarElo foi uma das melhores obras que tive o prazer de ouvir no ano. Nem eu imaginava o quanto precisava dela até ouvi-la. Como o próprio rapper disse em entrevistas, optou por colocar o foco da luz do palco nas coisas boas e felizes da vida. Isso, no entanto, não impediu que Emicida abordasse temas como racismo, intolerância religiosa e genocídio da população negra. É como se a primeira metade do disco mostrasse o quanto é importante cuidarmos de nós e dos nossos e a segunda metade nos puxasse de volta para a realidade para não esquecermos de nossas lutas. Um trabalho impecável e essencial de um dos grandes do rap brasileiro.

Música destaque: Ismália

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01° Lugar: Ladrão – Djonga

O que falar do Djonga? É o segundo ano que faço a lista dos melhores do ano do rap nacional e a segunda vez que ele assumiu a primeira posição em março, quando lançou o disco, e não largou mais. Como bem disse o Luiz Santiago em uma de nossas conversas sobre a obra, Ladrão é um estudo sociológico do início ao fim. É incrível a consistência do artista, que dos três álbuns de estúdio lançados até agora, o menos melhor ainda é ótimo. Se seguir o que fez até agora, em março de 2020 teremos seu quarto álbum de estúdio. Resta esperar para ver se teremos outra obra-prima das mãos do mineiro atleticano.

Música destaque: Bené / Deus e o Diabo na Terra do Sol

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9 comentários

facebook-100000054193217 31 de dezembro de 2019 - 11:04

Legal ver o Djonga e o Rincon na lista.

preciso parar para ouvir com calma esse do Emicida.

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Rodrigo Pereira 2 de janeiro de 2020 - 17:03

Fico feliz que tenha gostado da lista! Ouça o AmarElo assim que puder e depois comenta com a gente! Mas vai preparado que é um disco e tanto, daqueles que mexem conosco em diversos sentidos. Um abraço!

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Morita 31 de dezembro de 2019 - 09:34

“Quando o mais remoto recanto do globo terrestre for conquistado e economicamente explorado, quando qualquer fato em qualquer lugar e a qualquer tempo está rapidamente disponível… quando o tempo é apenas velocidade, instantaneidade e simultaneidade, e o tempo como história desapareceu de todo Dasein (existência) de todos os povos, quando o boxeador passa por ser o grande homem de um povo, quando as cifras de milhões em multidões reunidas forem um triunfo então, sim, ainda paira sobre todo esse assombro, como um espectro, as indagações: para quê? Para onde? E depois, o quê?” – Heidegger

Sim, 2019 foi um ano caótico, em q estamos passando por um processo cada vez mais massivo de desrealização, q afeta diretamente o sujeito e os objetos da nossa experiência, de modo q nosso senso de identidade, constância e substância é perturbado ou dissolvido no deserto de nossas consciências. Imaginemos a sociedade moderna como uma rede de relações em que os indivíduos são nivelados em um fantasma abstrato conhecido como “o Deus”, o Deus pós-moderno, em contraste com as comunidades antigas e medievais, é uma criação da internet, q se tornou o único instrumento capaz de reunir a massa de indivíduos irreais, que por nunca “serem”, nunca poderão se unir em uma situação ou organização real. Dessa forma, a sociedade tornou-se uma realização do pensamento abstrato, mantida em conjunto por um meio artificial e onipresente q ao tentar falar para todos, termina falando para ninguém.

Mas é justamente por esse contexto aterrador, q tivemos a possibilidade de ouvir algumas das melhores obras da história do RAP, o meu preferido sem dúvidas foi “Amarelo”, o amor resgatado por esse álbum é algo que vem gradualmente se perdendo nas esquinas da sobrevivência, e é essencial para entendermos como a reciprocidade se torna comunidade, isto é, logo que toda a distinção entre meus interesses e seus interesses é superada, o resultado será compartilhar experiências, virtudes, dores, e o que antes constituía identidades individuais, agora se tornou uma identidade compartilhada, almas coexistentes, permitindo que o outro desempenhe um papel importante na definição de sua própria identidade (diga-se de passagem, sempre em transformação), o que é refletido na pluralidade dos arranjos musicais, sempre fundindo diversos gêneros e estilos distintos. Ao abraçar o amor, também estaremos abertos para tentar entender o outro, e com isso diversos problemas sociais q o álbum ñ tenta esconder….
“80 tiros te lembram que existe pele alva e pele alvo”
mas também estaremos atentos para a mudança e amadurecimento, e resta lembrar do q foi pra mim, o verso mais genial do ano:
“No caminho da luz, todo mundo é preto”
Ouso dizer q Emicida alcançou um novo patamar na música brasileira, obg por lançar essa obra prima.

Bem, o texto já tá gigante, então vou fazer pequenas pontuações, adorei a lista de vcs e já acompanho o Plano Crítico há um bom tempo, mas nunca comentei, então…
Muito obg por todo esse tempo, vcs foram e são importantes na minha formação pessoal, várias indicações q retirei do site tornaram-se divisores de água na forma q enxergo o mundo, a arte tem o poder de mudar qualquer um né? E suas críticas tbm são arte.

Meu top 10:
1 – Amarelo – Emicida
2 – O.N.F.K. – Amiri
3 – Abaixo de Zero: Hello Hell – Black Alien
4 – Zulu vol. 1 DOPAC SPDOC – Zudizilla
5 – Ladrão – Djonga
6 – OITOOITO – Qua$imorto
7 – Roho Tahir – RT Mallone
8 – ONDAS – Makalister & Beli Remour
9 – Psicodelic – Coruja BC1
10 – Mundo Manicongo: Dramas, Danças e Afroreps – Rincon Sapiência

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Rodrigo Pereira 2 de janeiro de 2020 - 17:03

Olha, amei teu comentário como um todo e fiquei extremamente lisonjeado com os elogios proferidos, é o tipo de coisa que nos dá mais vontade de continuar trazendo um conteúdo cada vez melhor para o site.

Sobre o Emicida, sou bastante suspeito para falar, já que é meu rapper favorito há alguns bons anos, mas ele realmente fez um trabalho magnífico com AmarElo. Como coloquei no comentário do disco, não tinha ideia que precisava tanto da obra até ouvi-la. Às vezes, em meio a todas as turbulências de nosso tempo, como bem comentaste, nos esquecemos de coisas primordiais para nossa existência enquanto indivíduos e sociedade. Somos animais sociais, ora! Nunca podemos esquecer disso. E o disco é como a materialização disso. Algo para nos chacoalhar e lembrar sempre o que realmente devemos buscar, apesar de todas as dificuldades.

E fico muito feliz em poder ler que temos nossa contribuição em sua formação. Acho que posso falar por todos e agradecer por isso, de verdade. É o tipo de coisa que faz tudo valer a pena. Espero que em 2020 e nos demais anos possamos manter essa troca de experiências e percepções sobre as mais diversas obras de arte. Afinal, como o próprio AmarElo nos ensinou, no fim, é tudo sobre trocas. Um abraço!

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Law 30 de dezembro de 2019 - 11:22

Opinião polêmica aqui, colocaria o álbum do zudzilla no lugar do rincon
o mestre fez um ótimo álbum, porém entregou um material que já era esperado, não teve surpresa, ficou a sensação de que poderia muito mais

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Rodrigo Pereira 2 de janeiro de 2020 - 16:39

Apesar de não ter sido uma grande surpresa no conteúdo, como bem citaste, o resultado final do álbum do Rincon me agradou demais. Todo o ritmo dançante me conquistou por demais e precisava colocar na lista. Até pensei em fazer um top 15 para não deixar tantas obras boas de fora, mas optei por 10 para manter o padrão com a lista de 2018. Veremos como será em 2020.

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Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 30 de dezembro de 2019 - 00:22

Coisa mais linda! Acompanhei praticamente a formação dessa lista inteira ao longo do ano, trocando altas ideias sobre cada disco, discutindo ideias e opiniões sobre cada obra. O último da lista que faltava ouvir foi Rap de Massagem, mas paguei a dívida ainda no começo do mês. Esse demorou um pouco mais pra se ajustar pra mim, confesso. Mas no fim, acabei gostando.

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Rodrigo Pereira 2 de janeiro de 2020 - 16:39

Aconteceu parecido comigo com o Rap de Massagem, mas não demorou muito para me viciar nele por um bom tempo. O resto foi como tu bem disse: discussões e interpretações sobre praticamente todas as obras da lista (e algumas outras que ficaram de fora). Espero que 2020 traga tantos discos maravilhosos como 2019!

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Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 2 de janeiro de 2020 - 20:54

Essas jornadas musicais são simplesmente maravilhosas né? Que 2020 traga muito mais!

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