Crítica | Superman: Programa Radiofônico (Histórias 1 a 6 – 1940)

estrelas 3,5

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Up in the sky! Look!
It’s a bird!
It’s a plane!
It’s Superman!

Depois de gestar por cinco anos, Superman finalmente viu a luz do dia em 1938, na revista Action Comics, formato que não era o preferencial de sua dupla de criadores, Jerry Siegel e Joe Shuster. Em 1939, o herói finalmente fez a transição para as tiras de jornal, o formato originalmente pensado para ele. Logo no ano seguinte, ele fez nova transição de mídia, chegando ao rádio, em áudio-dramas clássicos que trouxeram como novidade o slogan mais famoso do personagem (acima), o nome do editor-chefe do Planeta Diário, Perry White, dentre outros.

De 12 de fevereiro de 1940 a 25 de março de 1940, o programa, que se chamava apenas Superman ia ao ar três vezes por semana e suas histórias, apesar de interligadas, não eram efetivamente dividias em partes. Foram 19 programas assim. A partir de março de 1940 até 09 de maio de 1941, a estrutura foi modificada e os programas tinha várias partes, desde apenas duas até 20. Depois, com o sucesso, uma segunda série (sucessiva) foi ao ar cinco vezes por semana, entre 25 de agosto de 1941 até 20 de fevereiro de 1942. E assim Superman invadiu o rádio, ficando por lá ininterruptamente até 1951, com um total de 325 episódios, que contaram com alguns crossovers com o Batman.

O primeiro ator a dar voz ao personagem foi Bud Collyer (entre 1940 e 1950), ator que foi mantido “escondido” até 1946, seguido de Michael Fitzmaurice (1950 e 1951), com Lois Lane sendo vivida sucessivamente por Rolly Bester, Helen Choate e Joan Alexander e Perry White sempre por Julian Noa, além de Jimmy Olsen por Jackie Kelk e Jack Grimes. Jor-El foi vivido por Ned Wever e Lara por Agnes Moorehead.

Abaixo, seguem as breves críticas do seis primeiros episódios da série, com a origem do herói em The Baby from Krypton e uma história em cinco partes em que Superman enfrente “O Lobo”. A avaliação em estrelas acima é geral, não necessariamente uma média.

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The Baby from Krypton é o primeiro episódio e o único da presente crítica que é auto-contido. Ele conta a origem de Superman, com toda a ação passada em Krypton, com Kal-El ainda bebê e seu pai, Jor-El (Ned Wever), tentando avisar aos dirigentes do planeta que ele está prestes a explodir. O que ouvimos é uma versão da origem do herói muito próxima da que saíra nos jornais, alguns meses antes, que, por sua vez, era a expansão da primeira página de Action Comics #1. Diferente do que hoje conhecemos do herói, que ganha seus poderes graças à influência do sol amarelo da Terra em sua genética, aprendemos que os kriptonianos já são poderosos em seu planeta, com Jor-El demonstrando poderes semelhantes aos que seu filho mostraria na Terra anos depois.

Sem saída, Jor-El e Lara (Agnes Moorhead) constroem o protótipo de uma nave para transportá-los até a Terra, onde eles acham que poderão viver. No entanto, como Krypton começa a ser destruída antes do que eles próprios imaginavam, os dois acabam usando a nave (uma versão menor do que a que eles planejavam construir) para salvar seu filho ainda bebê. Durante a viagem interplanetária (na verdade, aqui, Krypton fica apenas “do outro lado do nosso Sol”), Kal-El cresce e já chega na Terra adulto e 100% educado sem que qualquer explicação seja dada. Aqui, vemos uma alteração já na mitologia, pois, nos quadrinhos de 1939, Kal-El chega na Terra ainda bebê, é achado por um motorista que passa quando sua nave chega e é levado a um orfanato, onde passa a desenvolver seus poderes (nada de Jonathan e Martha Kent).

O segundo episódio, Clark Kent, Reporter, relata a primeira missão heroica de Superman (Bud Collyer), quando ele salva o Professor (Jay Jostyn – não há sobrenome do Professor) e seu filho Jimmy (Junior O’Day – não confundir com Jimmy Olsen) logo quando chega à Terra. É o Professor que, agradecido, sugere que Superman trabalhe como repórter e que use o nome Clark Kent (tirado completamente da cartola) para disfarçar sua persona super-heroística. Não demora muito, então, e ouvimos Kent chegar ao Planeta Diário para pedir emprego a Perry White (Julian Noa – é a primeira vez que o nome é usado, depois sendo adotado nos quadrinhos), que hesita em empregá-lo em vista de sua inexperiência. Usando a super-audição, Kent, então, usa informações que ouve sobre uma ameaça ao trem Silver Clipper da West Coast Railroad e convence White a dar-lhe uma chance. O episódio, então, acaba com White recebendo uma ligação de alguém chamado The Wolfe (O Lobo) que diz que o trem nunca chegará ao seu destino e Clark pulando da janela para chegar ao local.

É interessante notar que, apesar de ser comumente afirmado que a primeira vez que Superman efetivamente voou foi nos desenhos animados dos estúdios Fleischer, de 1941, o programa radiofônico parece desmentir isso. Escutando os episódios, fica substancialmente claro que Superman não só pula muito alto, como ele voa e há várias razões para se concluir dessa forma. A primeira delas é o famoso slogan de abertura que diz, em tradução livre: “Lá no céu! Olhem! É um pássaro. É um avião! É Superman!”. Ora, é mais do que evidente que nem um pássaro nem um avião parecem estar “pulando” no céu. Além disso, em nenhum momento durante os episódios, a narração diz que Superman pula. Ao contrário até, por várias vezes ouvimos a sonoplastia fazendo som de vento e há várias menções ao herói no céu, com a capa esvoaçante. É bem verdade que não se fala também em “voo”, mas fica muito claro que Superman não está só pulando.

Mas voltando à história, com The Wolfe introduzido no episódio anterior, então começa uma história em quatro episódios que lida com essa ameaça. São os episódios Keno’s Landslide, Kent Captured by the Wolfe, Locomotive Crew Freed e The Silver Clipper, todos eles seguindo o elaborado plano do vilão e seu capanga Keno para destruir a rede ferroviária americana. Superman, sempre disfarçado de Clark Kent, sucessivamente impede que o Continental Limited e o Silver Clipper sejam destruídos com deslizamentos de terra e explosões, mas sempre escondendo ao máximo a existência do Superman em si, que é mantido como um mito visto por poucos.

Enquanto o episódio de origem e o que Superman se emprega no Planeta Diário tem ótima sequência e concatenação narrativa, os quatro episódios seguintes lidando com a mesma história já não funcionam tão bem, fruto de um roteiro que faz mais uso de longas explicações do que de ação propriamente dita. Claro, estamos falando de um programa de rádio e os diálogos e textos expositivos precisam existir em maior proporção, mas o problema é que, na trama envolvendo The Wolfe, não há material suficiente para sustentar quase uma hora (no total) de história.  Com isso, os roteiristas acabam esticando cenas com repetições de falas no melhor estilo “vilão de Bond” em que tudo é explicado no mínimos detalhes.

De toda forma, o trabalho de voz Bud Collyer é muito bom, passando claramente a diferença existente entre Superman – altivo, seguro de si, forte – e seu alter-ego Clark Kent, bem mais modesto e pacato. A transição é crível e muito bem trabalhada, ao ponto de ter se tornado talvez a mais icônica voz do personagem e que seria usada também nos desenhos dos estúdios Fleischer.

Superman, no rádio, foi um triunfo que marcou uma era e ajudou a construir a mitologia do personagem. Precisa ser ouvido por todos os fãs verdadeiros do herói.

Superman: Programa Radiofônico – Histórias 1 a 6 (Superman, EUA – 1940)
Direção:
 Robert Maxwell, Jessica Maxwell, George Lowther, Allen Ducovny, Mitchell Grayson
Roteiro: B.P. Freeman
Elenco: George Lowther (narrador), Bud Collyer, Julian Noa, Ned Wever, Agnes Moorhead, Jay Jostyn, Junior O’Day, Arthur Vinton
Duração: 11-13 min. (cada episódio)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.