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Crítica | A Relíquia (1997)

por Leonardo Campos
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Quando lançado em 1997, A Relíquia causou polêmica no Brasil por ser mais uma das narrativas estrangeiras que flertam com os estereótipos comuns no processo de representação da cultura brasileira e latina. Aqui, temos um monstro originado nos confins da selva amazônica, ameaça que tira a paz das pessoas em Chicago, ao ser trazida numa embarcação abandonada em pleno porto, sem sinal algum da tripulação. Sob a direção de Peter Hyams, o filme foi escrito por Amy Holden Jones e John Raffo, texto inspirado na novela de Douglas Preston e Lincoln Child. Na trama, uma série de eventos misteriosos ocorrem na cidade quando o antropólogo John Whitney (Lewis Van Berger) retorna de viagem da América do Sul, mas não dá nenhum sinal de vida para as pessoas que o conhecem. Ele trabalha para o Museu de História Nacional de Chicago e estuda as tribos indígenas e seus antigos rituais em culturas diferentes das práticas contemporâneas da sociedade. Com os tripulantes mortos e o pesquisador desaparecido, uma atmosfera intrigante se estabelece no desenvolvimento da história.

O primeiro a ser literalmente abocanhado pela criatura misteriosa é o guarda Frederick Ford (Jophery C. Brown), morto violentamente, parte de um cenário que vai se estabelecer em outros ataques: a cabeça da vítima é decepada. Para os desavisados, a intriga: será um assassino em série? O que pode estar por detrás desse cenário de horror? As mortes deixam Vincent D’Agosta (Tom Sizemore), o investigador da situação, bastante perplexo. Ele conta com o apoio do detetive Hollingsworth (Clayton Rolmer) e da Dra. Margo Green (Penelope Ann Miller), bióloga evolucionista, forte candidata ao clichê do par romântico que ajuda esse estilo de filme a se desenvolver melhor. Juntos, eles vão tentar descobrir e chegar ao monstro mutante, com enormes dentes afiados e extrema agilidade nos ataques agressivos. Um rastro de histeria, morte e medo se arrasta pelos 105 minutos de A Relíquia, um filme que flerta com elementos do subgênero horror ecológico e toma de empréstimo alguns traços da estrutura de Tubarão.

Evitar mostrar a sua criatura em momentos exaustivos para depois revelar a monstruosidade da ameaça se tornou uma muleta de quase todos os filmes do subgênero, alguns por construção dramática voltada a o mínimo de qualidade, outros conscientes da falta de convencimento de seu monstro, geralmente ineficaz. Em A Relíquia, a criatura foi concebida pela assinatura sempre eficiente de Stan Winston e seu grupo de magos da maquiagem e dos efeitos especiais, criadores do monstro conhecido por Kothoga, oriundo de uma tribo indígena sul-americana, dona de um modo de operação bastante peculiar: a remoção do hipotálamo, parte do cérebro da vítima responsável pela temperatura corporal, apetite, regulação do sono, dentre outras funções. A equipe recebe o apoio de Gregory McLurry na supervisão dos efeitos visuais e consegue criar uma atmosfera de horror acima da média, haja vista a também eficiente direção de fotografia de Peter Hyams, acompanhada pela condução musical de John Debney.

Por ser um filme com determinados trechos ambientados num museu e em laboratórios, A Relíquia também investe num trabalho acima da média com o design de produção de Philip Harrison, gerenciador dos cenários de John H. Anderson e da direção de arte apurada de James J. Murakami. É uma equipe que trabalha entrosada em prol do bom desenvolvimento do filme, irregular apenas na execução de seu argumento batido e personagens com dimensões pouco interessantes. Ademais, antes de encerrar esta breve análise, cabe ressaltar os motivos que fazem do filme uma narrativa com o efeito Jaws. Primeiro, temos a ameaça de uma criatura desconhecida e sorrateira, mas o principal elo é a forma como determinados personagens agem e colocam as coisas a perder. O prefeito da cidade, sempre eles, juntamente com um grupo de incautos, não permitem a suspensão de uma mostra chamada Superstição, a ocorrer justamente no local onde o guarda morreu tenebrosamente. Após uma situação peculiar, todos os visitantes ficam presos no museu e se tornam parte do jogo de caça da criatura que não vai poupar ninguém de sua sanha sanguinária assassina.

A Relíquia (The Relic, EUA/Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte – 1997)
Direção: Peter Hyams
Roteiro: Amanda Silver, Amy Holden Jones, Douglas Preston, John Raffo, Lincoln Child, Rick Jaffa
Elenco: Audra Lindley, Clayton Rohner, Constance Towers, Diane Robin, Francis X. McCarthy, James Whitmore, John Kapelos, Johnny White
Duração: 110 minutos

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