Crítica | DC Showcase: Superman & Shazam!: O Retorno do Adão Negro (2010)

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O selo de animações DC Showcase tem como proposta trazer curtas-metragens de personagens da editora que não ganharam um longa dentro do projeto de animações da DC Entertainment com a Warner. Esses filmes normalmente estão aliados a uma produção maior (começando com O Espectro, que veio juntamente com a história Crise nas Duas Terras, com a Liga da Justiça), embora Superman & Shazam!: O Retorno do Adão Negro, de 2010, seja uma exceção.

Assim como DC Showcase: Catwoman (2011), essa história do Shazam com o Superman tem um caráter mais independente, com uma duração maior que os outros curtas do projeto e servindo de teste para outras iniciativas da casa. Aqui, a proposta é bastante ambiciosa e tinha tudo para dar errado, por diversos motivos. Ao longo de 25 minutos, temos condensada a história de origem do então chamado Capitão Marvel, numa mescla da versão da Era de Ouro, vista na Whiz Comics #2 (1940) e da versão de Jerry Ordway, vista na one-shot O Poder de Shazam! (1994).

Considerando a grande dificuldade em se escrever um roteiro para Shazam, dada a relação entre sua persona forte e heroica, com a sabedoria de Salomão versus a sua mentalidade infantil (ou adolescente, dependendo da versão), a primeira coisa que posso dizer referente o texto de Michael Jelenic neste curta é que ele foi bastante inteligente e usou a seu favor as dificuldades naturais ligadas ao herói em destaque para fazer o enredo crescer. O autor certamente percebeu que o trajeto de vida de Billy poderia ser abreviado pela maior exploração de sua condição social e que o “tempo de sobra” poderia ser destino à luta contra o Adão Negro, que nesta versão é o primeiro inimigo de Shazam, logo após receber seus poderes do Mago.

Tendo em mente a premissa de “criança em dificuldades”, uma série de representações realistas se podem ver no curta, cuja temática é ajudada pelo traço sóbrio e pela coloração pouco contrastante, mesmo nas cenas diurnas, mostrando através da fotografia um pouco da atmosfera não tão simpática do lugar onde Billy vive. É aí que faz algum sentido a presença de Clark Kent em Fawcett City. Ele estava escrevendo sobre cidade, acabou conhecendo Billy e, pelo que parece, este é o segundo dia que tomam café juntos. É um bom estabelecimento e que diz mais do que se o roteiro precisasse explicar o explorar o processo como um drama social mais denso. Como o foco é a ação, era vital encontrar bons atalhos, e o autor realmente os encontrou.

O único aspecto de que não gosto aqui é a forma como Adão Negro é retratado. Até mesmo a sequência de origem de Shazam, com leves modificações, poderia avançar um tantinho mais para dar uma melhor visão de quem é, na verdade, esse “grande erro” do Mago, mas isso simplesmente não acontece. Embora sejam ótimos a porradaria e o diálogo final do vilão falando para Billy um pouco de sua visão de mundo (que para a ideia de corrupção de poder que o afetou — e para sua origem — tem coerência) em todo o restante do tempo o vilão está lá sob um ponto de vista bastante malucão de dominação pela dominação… e só. Sua fala é mais provocativa e pouco tem de consideração quanto ao desenvolvimento do personagem, o que até faz algum sentido considerando tempo e proposta geral de adicionar um inimigo grande para colocar Azulão e Vermelhão juntos pela primeira vez. Ainda assim, três ou quatro cenas de maior atenção ao poderoso egípcio não custariam nada.

O final ainda traz uma boa surpresa, com a aparição de Mister Tawky Tawny (Kevin Michael Richardson) e com um excelente gancho para o encerramento do filme. Mesmo sem grandes arroubos emocionais do roteiro, as vozes de James Garner (Shazam), Zach Callison (Billy Batson) e George Newbern (Superman/Clark) são o verdadeiro destaque aqui. Arnold Vosloo dubla Adão Negro, e ele não faz um trabalho ruim, mas não é nada que realmente chame a atenção. O filme, porém, é um passamento muito bem pensado e com uma história de apresentação muito bem resumida para espectadores curiosos (ou preguiçosos) em relação à origem do Grande Queijo Vermelho. Sim, existem alterações notáveis e este é o modelo “do Universo animado”, mas a essência dos quadrinhos aqui está. E considerando que o todo diverte bastante, é o que realmente importa.

Superman/Shazam!: The Return of Black Adam (EUA, novembro de 2010)
Direção: Joaquim Dos Santos
Roteiro: Michael Jelenic
Elenco: Zach Callison, James Garner, Josh Keaton, Danica McKellar, George Newbern, Jerry O’Connell, Kevin Michael Richardson, Arnold Vosloo, Gary Cole, Alyssa Milano, Jeff Bennett, Rob Paulsen, Jon Polito, Malcolm McDowell, Neal McDonough, Steve Blum, Grey Griffin
Duração: 25 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.