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Crítica | Monstros S.A.

por Davi Lima
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Para o começo do século XXI, a noção de assustar as crianças da transição da geração z e y se vale muito mais de um profissionalismo empresarial de adaptação do grito para o riso, do que esgotar a fonte energética nesse universo Pixar verossimilhante a um passo da realidade realmente assustadora de Monstros S.A.

O conceito da porta dos closets e armários como portal para uma dimensão nova iorquina de monstros trabalhadores de fábrica energética é a representação imaginária da arte do diretor Pete Docter. Junto com seus co-diretores e maquinário empresarial digno de um american way of life da Pixar, a direção caminha na unidade de comentar sobre o próprio público infantil dentro de uma trama de suspense policial-industrial que capitaliza o não profissionalismo como compreensão maior realidade fora do trabalho. Quando o protagonista James Sullivan (John Goodman) diz que não vai assustar a criança porque está de folga, e Mike Wazowski (Billy Crystal) justifica o disfarce da criança invasora do mundo dos monstros pelo dia de parentes distantes visitarem a fábrica, vão criando a inferência dramática que nesse mundo colorido de monstros pixelados, fofos e engraçados fisicamente há mais uma necessidade por crianças do que apenas utilizá-las como fonte energética.

Porque afinal, se por um lado a mente criativa de criar universos da Pixar se torna tão exitoso por parecer crianças produzindo suas aventuras com alto custo tecnológico, por outro a diferenciação dos filmes do estúdio é alcançar também o público adulto, os mesmos que na verossimilhança se profissionalizam em assustar no mercado de trabalho e as crianças cada vez próxima dos monstros que a vida da fábrica cria. Pois o conflito é: como manter a indústria de sustos com a baixa de crianças assustadas? E ainda por cima, se os monstros tem medo das crianças, se deixar a porta aberta é o maior erro da simulação dos sustos, não parece uma crise secular da família não compreender a modernização das crianças? E nesse conflito é que a criatividade do filme surge no apocalipse da quarenta fora da fábrica, ou melhor, quando se adentra em toda a estrutura da indústria para compreender as reais intenções de um secularismo universal da estrutura da casa para a estrutura globalizante das grandes fornecedoras de matéria-prima.

Enquanto as portas revelam a universalidade e grandiosidade com que os monstros trabalham, o protagonista Sulley nomeia a criança como Boo. Enquanto Mike menos se importa com a criança, mais ele perde a amizade. Parece um beco sem saída em que não se sabe cuidar da criança, que ela pode morrer dentro da fábrica num compactador de lixo, ao mesmo tempo ela é a fonte de energia que pode explodir tudo. E mais e mais a verossimilhança do universo de Monstros vai tratando com a realidade de uma criança real, que vai ao banheiro e ainda pode se assustar. Sulley é a representação máxima do paternalismo monstrengo, o melhor funcionário da empresa, que amolece o coração porque ele compreende o propósito da criança. Se Mike a trata apenas como mais um bicho, Sulley é o inovador, o bicho peludo que deveria ser apenas o assustador grandalhão que se torna responsável. É isso que assusta, que dramatiza o personagem que por algum motivo ama uma criança que a tira do trabalho.

Não que o Monstros S.A. seja anticapitalista, ele na verdade encontra a alternativa na infância, no reverso que a risada persevera muito mais a energia que o susto. Mas assim como o ponto vermelho que indica que a porta está conectada entre dois mundos tem seu plano detalhe, como o robô Hal em 2001 –  Uma Odisseia no Espaço botando medo, em completa antítese o que antes indicava working time ao final do filme se torna esperança, como um pai que chega em casa, ou como uma filha que torna seu bicho papão do closet num urso de pelúcia que é seu amigo.

Por fim, é isso mesmo. Entre um bicho azul de bolinhas e uma bola verde de chifres, são verdadeiros bonecos imaginários animados que tem seus empregos em uma fábrica para assustar crianças e a resolução contrária é tornar o trabalho engraçado e que faça as crianças rirem. Só no mundo da Pixar as crianças do século XXI podem ver a diversão nas fábricas, indústrias e empresas, quando elas são o setor primário. Se a comparação parece assustadora, o poder do filme é exatamente tornar tudo uma porta aberta para a mudança no simples detalhe de uma madeira como memória de uma criança durante o trabalho, ou até mesmo um desenho com lápis de cor.

Monstros S.A. (Monsters Inc.) – EUA, 2001
Direção: Pete Docter, Lee Unkrich, David Silverman
Roteiro: Andrew Stanton, Daniel Gerson
Elenco: John Goodman, Billy Crystal, Mary Gibbs, Steve Buscemi, James Coburn, Jennifer Tilly, Bob Peterson, John Ratzenberger, Frank Oz, Daniel Gerson
Duração: 92 min.

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