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Crítica | Scream 1X04: Aftermath

por Luiz Santiago
34 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 3,5

Apesar de ter me decepcionado um pouco com este episódio — porque esperava mais dele –, devo concordar que Aftermath cumpriu relativamente bem o que a série prometeu. Ponto. Abordarei mais adiante as falhas centrais do capítulo, porém é necessário olhar para o que tivemos aqui e a ideia central de Scream até esse ponto de seu desenvolvimento. A continuação da linha investigativa abordada em Wanna Play a Game? tem o seu primeiro e melhor impacto na tela, o que já valeria a semana, mostrando de forma divertida e densa a “busca pela verdade” realizada no hospital onde supostamente as máscaras (sim, no plural!) de Brandon James foram feitas.

O mistério é bom, não é? Perceba a mudança do olhar mais genérico sobre a cidade, a escola e outros cenários-contexto para um zoom nos assassinatos, nas suspeitas, nas pistas e processo de investigação. Apesar de falhar na organização desses elementos entre si e insistir no descartável bromance “vai-não-vai” entre Jake e Will, o roteiro dessa semana logrou elencar bons pontos de horror/thriller (com referências a Psicose, Hannibal — a série — e Seven), humor negro, sentimento e drama de relações humanas em vários níveis, do campo amoroso ao superficial e hipócrita. Não é um Margaret Mitchell mas cai como uma luva na proposta do show.

Brian Dannelly assume a direção desse episódio e consegue fazer um trabalho extremamente dinâmico, compondo cenas inspiradas e sequências que nos lembram os melhores momentos de Red Roses e Hello, Emma. É claro que seu maior feito está na sequência do hospital — que também recebe o melhor tratamento fotográfico da série até o momento, empatado com o da sequência da morte de Riley — mas todo o episódio possui uma composição técnica notável, acompanhada igualmente… surpresa, surpresa… pela trilha sonora original!

Eu havia reclamado do uso da música na artificial aula de inglês e em todas as vezes que Noah tinha uma definição ou declaração detalhada sobre casos policiais obscuros e assassinatos, o que descaracterizava um pouco a fala do personagem tornando-a meio boba ao invés de dar-lhe identidade, a óbvia intenção dos criadores. Aqui, porém, a mesma trilha — e duas EXCELENTES variações dela, tocadas ao final e com arranjos para sopros e cordas — aparece em uma quantidade correta, em momentos que lhe eram propícios e com uso dramático diretamente ligado ao desenvolvimento da trama, diga-se de passagem, o primeiro uso verdadeiro (nesse sentido) que tivemos da trilha original até agora.

Com um começo manco, diante de todas as emoções falsas e indignações nada convincentes; um ótimo desenvolvimento e um final regular — estamos diante de um assassino sexista e moralista? É isso mesmo, produção? — Aftermath entrou na onda de investigações com o pé direito e fazendo regularmente bem o que a série prometeu fazer. A cada semana fico um pouco mais animado e esperançoso de que a linha narrativa tenderá a melhorar bastante, se seguir por esse caminho. Vamos ver.

Palpite da semana: Ghostface é Eduardo Cunha, numa tentativa desesperada de “limpar o governo”.

Pânico/Scream: 1X04: Aftermath (EUA, 21 de julho de 2015)
Direção: Brian Dannelly
Roteiro: Erin Maher, Kay Reindl, Jay Beattie, Dan Dworkin, Jill E. Blotevogel
Elenco: Willa Fitzgerald, Bex Taylor-Klaus, John Karna, Connor Weil, Carlson Young, Jason Wiles, Tracy Middendorf, Bryan Batt, Amelia Rose Blaire, Tom Maden
Duração: 45 min.

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8 comentários

Oscar 27 de julho de 2015 - 14:38

As palavras Pretty Little Liars vieram a minha cabeça nesse episodio, não estou reclamando ao todo, afinal foi bom entrar mais um pouco na psicose do assassino, ou assassinos, mas adolescentes ignorarem o bom senso e irem sozinhos para o covil de alguém que já matou quatro pessoas pareceu meio forçado nesse caso, entendi que eles não confiam na polícia e estão cheios de raiva, porem idiotice é a definição para o que eles fizeram.
O bromance realmente não ta indo para lugar nenhum, os atores parecem piorar nessa, ainda assim um grupo de adolescentes mimados chantageando pessoas por dinheiro é um tema interessante o bastante para ser desenvolvido.
O que merece destaque é a falta do filho do xerife que pode significar algo importante ou só que os roteiristas não podiam colocar ele em mais uma cena sem graça flertando com a Emma, o close no corpo queimado no necrotério foi um ótimo detalhe assim como a cabeça decapitada aparecendo do Tyler.
Para finalizar só quero dizer que a Emma esta ferrada, com a sorte dela ela vai ser conhecida como a nova vadia da escola.

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Luiz Santiago 27 de julho de 2015 - 15:02

Hahahahaa, adorei essa tua conclusão! hahahahahaha
Vamos ver se o filho do Xerife aparece no próximo episódio. TOMARA que a ausência dele aqui tenha sido por um bom motivo….

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Junito Hartley 27 de julho de 2015 - 02:07

Gostei de todos os episódios ate agora, e notei que nesse nao apareceu o filho do xerife, porque sera?

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Luiz Santiago 27 de julho de 2015 - 07:09

Falta de coesão na sequência dos episódios, a não ser que se explique de outra forma no próximo. OU porque os roteiristas não quiseram distrair o espectador e focar apenas nos grupos mais importantes mesmo.

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Lana Fusuki 25 de julho de 2015 - 18:48

Sempre fui fã de slashers e por amar séries, há muito tempo imaginava porque não uma “slasher série”? Já que sempre ficava com um gostihho de quero mais no final de filmes como pânico. Eis que alguém teve a mesma ideia que eu e fiquei até agora extremamente satisfeita com o resultado. Me surpreendi com que estão conseguindo fazer e só torço para que a série consiga se manter tão boa, e não seja cancelada tão cedo. Fico imaginando para onde a história poderia se desenrolar numa terceira temporada, por exemplo. Mas um passo de cada vez. Só torço que a dupla dinâmica (Audrey e Noah) não sejam nem assassinos, nem assassinados, por serem, para mim, os personagens mais cativantes da série.
Adorei a crítica!

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Luiz Santiago 26 de julho de 2015 - 01:19

Para mim eles também são os mais cativantes!
Obrigado, @lanafusuki:disqus! Teremos críticas semanais para o restante dos episódios, fique de olho!

Abs

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André de Oliveira 24 de julho de 2015 - 14:07

Fiquei feliz que a foto da crítica dá destaque aos três melhores atores – e personagens – de Scream Series 🙂

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Luiz Santiago 24 de julho de 2015 - 19:13

Eles são ótimos mesmo. Especialmente quando estão juntos.

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